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TRANSIÇÃO ENERGÉTICA

UE deve multiplicar demanda por lítio em 21 vezes até 2050

Por Redação Brasil Mineral•
UE deve multiplicar demanda por lítio em 21 vezes até 2050

Demanda europeia por lítio para baterias de veículos elétricos pode crescer 21 vezes até 2050, abrindo oportunidades para o Brasil — que possui 60% das reservas globais do minério.

O Ministério das Relações Exteriores no âmbito do G20 e no de outros fóruns internacionais busca defender uma transição energética justa, com agregação de valor e geração de emprego para as regiões que proverão recursos minerais. O Diretor do Departamento de Energia do Ministério de Relações Exteriores, João Marcos Paes Leme, convidou o Brasil a participar de um painel de alto-nível da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre transição energética e demanda por minerais críticos e estratégicos. A informação foi compartilhada durante o Seminário Internacional de Minerais Críticos e Estratégicos, realizado pelo Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM). Estamos propondo aos países a elaboração de princípios para uma transição energética justa e inclusiva. Um dos princípios é promover o desenvolvimento econômico social através da diversificação das cadeias de suprimento”, detalhou.

A oportunidade para se realizar uma transição justa ganha mais perspectiva quando se analisa a demanda por minerais críticos no mundo. Segundo o vice-chefe da Delegação da União Europeia no Brasil, Jean-Pierre Bou, a União Europeia deve multiplicar em 21 vezes até 2050 a demanda por lítio para a produção de baterias como as utilizadas em carros elétricos. “A UE precisa importar matérias-primas para conseguir cumprir com as obrigações previstas para a transição energética na região. Por isso, vários países da Europa demonstram grande interesse em negociar e criar oportunidades com países ricos em recursos, como o Brasil”, quinto maior extrator de lítio do mundo – segundo a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), o Brasil é dono de 60% das reservas deste minério. Para atender a demanda europeia, o Brasil deve mudar na postura em relação a investimentos e projetos, segundo a Project Fellow, Securing Critical Minerals for the Energy Transition/Parceira de Projetos do Fórum Econômico Mundial (WEF, sigla em inglês), Luciana Gutmann. “A gente não vai conseguir avançar se não tiver um olhar sobre políticas públicas, investimento e inovação”, disse.

No WEF, a especialista é responsável por buscar espaços de convergência para stakeholders e integrar esforços entre países. “O Fórum é essencial porque é basicamente esse o espaço para convergir os interesses dos stakeholdes de modo a tentar traduzir isso em ações. O Fórum internacional aponta que há uma preocupação com a impossibilidade de se atender a demanda internacional. “Hoje, a gente tem muitas iniciativas, conteúdos, dados relevantes sendo produzidos em relação a esse desequelíbrio [entre demanda e oferta] e não consegue traduzir em práticas e ações tangíveis”, pontuou.

Apesar de haver interesse e espaço para investimentos, há preocupação com o avanço regulatório em países que dispõem de recursos. Esses países precisam criar um arcabouço legal robusto para permitir e facilitar a entrada de investimentos do gênero. Segundo o Especialista Regional Líder em Energia da IDB Invest, Carlos Echevarri, o banco interamericano está focado em auxiliar países da América Latina e Caribe a alcançarem suas metas. Os especialistas participaram do painel “A nova geopolítica mineral – demanda por minerais críticos e estratégicos e a transição global justa”, mediado por Rafaela Guedes, Senior Fellow Cebri e Fellow Igarapé.

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