UE deve multiplicar demanda por lítio em 21 vezes até 2050

08/05/2024
Previsão e do vice-chefe da Delegação da União Europeia no Brasil, Jean-Pierre Bou.

 

O Ministério das Relações Exteriores no âmbito do G20 e no de outros fóruns internacionais busca defender uma transição energética justa, com agregação de valor e geração de emprego para as regiões que proverão recursos minerais. O Diretor do Departamento de Energia do Ministério de Relações Exteriores, João Marcos Paes Leme, convidou o Brasil a participar de um painel de alto-nível da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre transição energética e demanda por minerais críticos e estratégicos. A informação foi compartilhada durante o Seminário Internacional de Minerais Críticos e Estratégicos, realizado pelo Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM). Estamos propondo aos países a elaboração de princípios para uma transição energética justa e inclusiva. Um dos princípios é promover o desenvolvimento econômico social através da diversificação das cadeias de suprimento”, detalhou.

A oportunidade para se realizar uma transição justa ganha mais perspectiva quando se analisa a demanda por minerais críticos no mundo. Segundo o vice-chefe da Delegação da União Europeia no Brasil, Jean-Pierre Bou, a União Europeia deve multiplicar em 21 vezes até 2050 a demanda por lítio para a produção de baterias como as utilizadas em carros elétricos. “A UE precisa importar matérias-primas para conseguir cumprir com as obrigações previstas para a transição energética na região. Por isso, vários países da Europa demonstram grande interesse em negociar e criar oportunidades com países ricos em recursos, como o Brasil”, quinto maior extrator de lítio do mundo – segundo a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), o Brasil é dono de 60% das reservas deste minério. Para atender a demanda europeia, o Brasil deve mudar na postura em relação a investimentos e projetos, segundo a Project Fellow, Securing Critical Minerals for the Energy Transition/Parceira de Projetos do Fórum Econômico Mundial (WEF, sigla em inglês), Luciana Gutmann. “A gente não vai conseguir avançar se não tiver um olhar sobre políticas públicas, investimento e inovação”, disse.

No WEF, a especialista é responsável por buscar espaços de convergência para stakeholders e integrar esforços entre países. “O Fórum é essencial porque é basicamente esse o espaço para convergir os interesses dos stakeholdes de modo a tentar traduzir isso em ações. O Fórum internacional aponta que há uma preocupação com a impossibilidade de se atender a demanda internacional. “Hoje, a gente tem muitas iniciativas, conteúdos, dados relevantes sendo produzidos em relação a esse desequelíbrio [entre demanda e oferta] e não consegue traduzir em práticas e ações tangíveis”, pontuou.

Apesar de haver interesse e espaço para investimentos, há preocupação com o avanço regulatório em países que dispõem de recursos. Esses países precisam criar um arcabouço legal robusto para permitir e facilitar a entrada de investimentos do gênero. Segundo o Especialista Regional Líder em Energia da IDB Invest, Carlos Echevarri, o banco interamericano está focado em auxiliar países da América Latina e Caribe a alcançarem suas metas. Os especialistas participaram do painel “A nova geopolítica mineral – demanda por minerais críticos e estratégicos e a transição global justa”, mediado por Rafaela Guedes, Senior Fellow Cebri e Fellow Igarapé.

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