Hydro e Embrapa desenvolvem técnica de reflorestamento

05/09/2023
Os estudos devem durar até 2026 e o projeto auxilia na recuperação da vegetação da região da mina de bauxita mantida pela empresa em Paragominas.

 

A Hydro firmou parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) para aplicação de técnica inovadora no reflorestamento das áreas da Hydro Paragominas, localizadas no interior do Pará. Dentre as oito atividades desenvolvidas pela parceria está a produção de inoculantes contendo bactérias fixadoras de nitrogênio atmosférico. Tal fixação utiliza o gás (N2) presente na atmosfera em formas que podem ser utilizadas pelas plantas. Na natureza, o processo é realizado por alguns grupos de microrganismos e constitui a principal via de incorporação do nitrogênio à biosfera e, depois da fotossíntese, é o processo biológico mais importante para as plantas e fundamental para a vida na Terra.

A biotecnologia contribui para a redução/substituição da adubação mineral, que em alta quantidade e sem o manejo adequado, além de custos, pode se tornar nociva ao meio ambiente. A nova metodologia tem outros pontos positivos, como o desenvolvimento mais acelerado e contínuo das mudas, a produção de mudas mais saudáveis e a diminuição da taxa de mortalidade das mudas produzidas. É uma tecnologia que pode dar importante suporte nos esforços de recuperação de áreas degradadas. “A vantagem da inoculação nessa fase é que quando as primeiras raízes da semente aparecem, a bactéria já está lá para se associar àquele exemplar florestal em formação. Diferentemente de quando a muda já está produzida, em que as relações já estão estabelecidas com o sistema radicular, a inoculação na fase de semente tende a potencializar essa associação e o sucesso do processo”, explica Jonilton Paschoal, gerente de meio ambiente da Hydro, em Paragominas.

As bactérias transformam o nitrogênio do ar, nutriente essencial ao desenvolvimento das plantas, para uma forma assimilável para as mudas. A Hydro Paragominas em parceria com a Embrapa Agrobiologia seleciona as espécies mais promissoras para se associar às bactérias que assimilam o nitrogênio. A Embrapa produz os inoculantes específicos para cada espécie florestal selecionada e a Hydro produz as mudas, após a inoculação das bactérias nas sementes. “É uma grande oportunidade e desafio para o desenvolvimento científico e tecnológico para a nossa pesquisa e ao mesmo tempo auxiliamos a empresa no desenvolvimento de uma tecnologia sustentável na restauração ambiental das áreas impactadas. Além das bactérias, os fungos captam a água e outros nutrientes e passam para as plantas, em troca a planta fornece açúcares para os fungos e para as bactérias. É uma associação que chamamos de simbiose”, relata Sérgio Miana de Faria, coordenador do projeto e pesquisador da Embrapa.

As pesquisas englobam 14 espécies florestais, todas da família das leguminosas, e a expectativa é produzir mais de 50 espécies florestais nativas da Amazônia, constantes na lista utilizada pela Hydro Paragominas para a reabilitação de áreas mineradas, podendo chegar a 50 mil unidades/ano de mudas produzidas utilizando a biotecnologia. Os estudos devem durar até 2026 e o projeto auxilia na recuperação da vegetação da região da mina de bauxita mantida pela empresa em Paragominas. Mais de 2.905 hectares do bioma amazônico já foram reflorestados desde o início de suas operações. Apenas em 2022, a Hydro Paragominas reabilitou cerca de 259 hectares, um crescimento de 55% em relação ao ano anterior.

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