PUBLICIDADE
BRUMADINHO

Ação retorna à Justiça mineira

Ação retorna à Justiça mineira

Após recurso do MPMG, STF reconheceu a competência da Justiça mineira para processar a denúncia, anulando manobra anterior que enviara o caso à Justiça Federal.

O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu, dia 6 de junho, a competência da Justiça Estadual de Minas para processar e julgar a denúncia do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) sobre o rompimento da barragem Minas Córrego do Feijão, em Brumadinho, em janeiro de 2019. “No presente caso, a persecução penal já foi iniciada pelo Ministério Público do Estado de Minas Gerais e o Juízo Estadual já reconheceu sua competência, visto que recebeu a denúncia. Não vislumbro, assim, plausibilidade jurídica em reconhecer, a priori, a competência da Justiça Federal tendo por base apurações ainda em fase embrionária", pontuou o ministro.

Em outubro do ano passado, o ex-presidente da Vale, Fábio Schvartsman, havia conseguido que o caso fosse enviado à Justiça Federal pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). O Ministério Público de Minas Gerais recorreu e a decisão foi parar no STF. “Tudo o que o ex-presidente da Vale conseguiu em 2021 foi paralisar o processo e adiar o julgamento dos réus. Para as famílias das vítimas, esta decisão de hoje é uma vitória. Queremos que esse processo siga na Justiça de Minas Gerais e os responsáveis venham a júri popular em Brumadinho o mais rápido possível”, afirmou Alexandra Andrade, presidente da AVABRUM. “Quanto mais ágil for o andamento do processo, melhor para toda a sociedade e para todos os atingidos que clamam por justiça”.

Em abril deste ano, a AVABRUM enviou dois ofícios para o ministro Fachin, relator do processo, denunciando a manobra dos réus ao solicitar a remessa da ação para o âmbito federal. Um dos documentos também foi assinado pela Arquidiocese de Belo Horizonte Região Episcopal Nossa Senhora do Rosário (RENSER). O segundo ofício foi proposto por vereadores da Câmara Municipal de Brumadinho (CMB), e chancelado pela AVABRUM.

A associação realizou também dois atos públicos solicitando o retorno da ação para Minas Gerais - uma em frente ao Ministério Público Federal, em Belo Horizonte, e outra na frente do Fórum de Brumadinho -- e reafirmou o pedido de justiça em todos os seus demais atos. “Quando a Justiça é ágil, ela coloca um fim na impunidade. Agora esperamos que o Judiciário em Minas Gerais seja rápido. Depois de tudo o que sofremos - e estamos sofrendo - não podemos enfrentar uma nova tragédia, agora jurídica, nos tribunais. A Vale e seus executivos querem a demora do julgamento. Mas a decisão é uma vitória para nós e para todos aqueles que sofrem diretamente as consequências do crime”, avaliou a presidente da entidade.

O Ministério Público de Minas Gerais denunciou Vale, Tüv Süd e 16 pessoas, ex-diretores da mineradora Vale e executivos da Tüv Süd. A AVABRUM recorda que a denúncia do MPMG apontou a maquiagem de informações e a negligência da Vale. Segundo relatório de investigação da Polícia Federal e laudos internos, a cúpula da empresa sabia dos riscos e atuou de forma omissa e irresponsável. As investigações da PF e do Ministério Público apontaram, inclusive, que o atestado de segurança da barragem descumpriu as normas técnicas e foi feito por pressão da Vale, que ignorou as boas práticas de segurança nacionais e internacionais.

O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, determinou que a Justiça mineira cuide do caso. No despacho, o ministro Fachin afirma que "os réus efetuaram uma série de condutas complexas e intrincadas, no sentido de escamotear o fator de segurança da barragem (...) o que desaguou no fatídico desastre".

Mais uma vítima encontrada após 1.230 dias

Após 1.230 dias de espera, o Instituto Médico Legal (IML) de Minas Gerais identificou na terça-feira, 7 de junho, mais uma vítima do rompimento da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho. Olímpio Gomes Pinto, de 56 anos, era auxiliar de sondagem e trabalhava para uma empresa terceirizada que prestava serviços à Vale. Natural de Caeté (MG), ele morava em Brumadinho e era conhecido carinhosamente como Licão.

A tragédia na barragem da Vale deixou 272 vítimas fatais. Ainda há quatro corpos a serem localizados e identificados.

VEJA TAMBÉM

Vale conquista 3º lugar no ranking Carreira dos Sonhos
PRÊMIO

Vale conquista 3º lugar no ranking Carreira dos Sonhos

6 out. 2026
Mina de Águas Claras é transformada para uso da sociedade
VALE

Mina de Águas Claras é transformada para uso da sociedade

1 out. 2026
Vale vai retomar operações na Mina de Fábrica
MINÉRIO DE FERRO

Vale vai retomar operações na Mina de Fábrica

24 set. 2026

Artigos Relacionados

Vale conquista 3º lugar no ranking Carreira dos Sonhos
PRÊMIO06/10/2026

Vale conquista 3º lugar no ranking Carreira dos Sonhos

Está aberta a votação para escolha das Empresas e Personalidade do Ano do Setor Mineral
ELEIÇÕES06/10/2026

Está aberta a votação para escolha das Empresas e Personalidade do Ano do Setor Mineral

Mina de Águas Claras é transformada para uso da sociedade
VALE01/10/2026

Mina de Águas Claras é transformada para uso da sociedade

De penny stock na bolsa a gigante: o caso Yamana e o IPO da Amapá Minerals em Toronto
OURO25/09/2026

De penny stock na bolsa a gigante: o caso Yamana e o IPO da Amapá Minerals em Toronto

BRAMINVEST 2026 visa atrair capital global para o potencial mineral da América Latina
ARTIGO24/09/2026

BRAMINVEST 2026 visa atrair capital global para o potencial mineral da América Latina

Vale vai retomar operações na Mina de Fábrica

Vale vai retomar operações na Mina de Fábrica

Vale e Ligga firmam acordo de participação e fornecimento de longo prazo

Vale e Ligga firmam acordo de participação e fornecimento de longo prazo

Belo Sun atualiza trâmites sobre o projeto Volta Grande
LICENCIAMENTO14/09/2026

Belo Sun atualiza trâmites sobre o projeto Volta Grande