Testes com caminhão articulado a hidrogênio

23/06/2022
A Volvo CE já direciona também esforços para explorar o potencial de eletrificação através dessa outra tecnologia.

A Volvo Construction Equipment (Volvo CE) iniciou os testes com o Volvo HX04, protótipo de um caminhão articulado com células de combustível de hidrogênio, livre de emissões. A empresa afirma que tem avançado trabalho em fontes de energia sustentáveis, atuando de acordo com o compromisso com Metas Baseadas em Ciência (SBTi). A Volvo tem como meta zerar as emissões líquidas de gases do efeito estufa até 2040, dentro de toda a cadeia, impulsionando a transformação do setor rumo à neutralidade em carbono. 

A Volvo CE já direciona também esforços para explorar o potencial de eletrificação através dessa outra tecnologia. “Fomos os inventores do primeiro caminhão articulado do mundo, há mais de 55 anos. Agora temos a satisfação de novamente impulsionar a mudança com este caminhão movido a células de combustível. Embora ainda seja um protótipo, esta inovação fornecerá informações valiosas sobre as oportunidades do hidrogênio na transformação energética, juntamente com as demais soluções de bateria elétrica. Acreditamos que, ao explorar múltiplas tecnologias, podemos criar um caminho melhor rumo à descarbonização do setor da construção”, diz Carolina Diez Ferrer, diretora dos programas de engenharia avançada na Volvo CE.

O Volvo HX04 foi desenvolvido entre 2018 e 2022 e tem financiamento do FFI, uma colaboração nacional entre a Vinnova - Agência Sueca de Inovação e a Swedish Transport Administration (Departamento Sueco de Transporte). A ação consiste em um apoio à P,D&I estratégica em veículos sustentáveis. 

A parceria inclui ainda o Instituto de Pesquisa da Suécia (RISE) e a PowerCell Sweden, uma incubadora de soluções de energia a hidrogênio baseada em células de combustível. O desenvolvimento e construção do protótipo foi feito, em grande parte, na unidade da Volvo CE em Braås, na Suécia. Na mesma unidade, em 1996, surgiu o Gravel Charlie – primeiro caminhão articulado do mundo. Por isso, o Volvo HX04 recebeu o apelido de “Charlie Elétrico”. Os engenheiros no Centro de Tecnologia de Eskilstuna, também na Suécia, contribuíram com o software e conhecimento de seu laboratório de testes de células de combustível. Embora ainda não disponível comercialmente, esse veículo-conceito trará informações para a produção no futuro.

A Shell instalou uma estação de reabastecimento na pista de testes da Volvo CE em Braås. As duas empresas são membros fundadores da H2Accelerate, uma colaboração entre as partes para fomentar as condições para a introdução de caminhões a hidrogênio na Europa. “Fornecer a infraestrutura de abastecimento para este projeto inovador deu à Shell a oportunidade de demonstrar nossa capacidade técnica em hidrogênio. Além disso, permitiu apoio a um de nossos principais parceiros, em mais um passo em sua jornada de descarbonização, o que também faz parte da nossa estratégia”, afirma Oliver Bishop, gerente da Shell para mobilidade a hidrogênio. 

O processo de abastecimento do Volvo HX04 com 12 kg de hidrogênio leva cerca de 7,5 minutos, e permite que o equipamento opere por aproximadamente quatro horas. As células de combustível funcionam por meio da combinação de hidrogênio e oxigênio, onde a reação química entre os elementos produz a eletricidade que move a máquina. Neste processo, as células de combustível também produzem calor, que pode ser usado para o aquecimento da cabine. A única emissão é o de vapor d’água.

Inicialmente, uma célula de combustível funciona de forma semelhante à bateria, mas é carregada por uma fonte externa e tem a capacidade de gerar sua própria eletricidade a partir do hidrogênio a bordo. Os equipamentos com trem de força elétricos a células de combustível têm um tempo de máquina disponível (uptime), autonomia e abastecimento semelhantes aos movidos por motor a combustão. Veículos elétricos movidos a bateria e biocombustíveis já estão disponíveis comercialmente como alternativas mais sustentáveis ao diesel de origem fóssil. A comercialização de máquinas movidas a hidrogênio é esperada para a segunda metade desta década.