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URÂNIO

Brasil tem reservas, mas produção de urânio é inferior à demanda

Brasil tem reservas, mas produção de urânio é inferior à demanda

Grupo de trabalho coordenado pelo MME tem 90 dias para avaliar potencial de produção mineral e propor estratégias de aumento de investimentos, considerando que o mundo precisará de mais 14 mil toneladas de urânio nos próximos anos.

Em reunião extraordinária realizada no dia 2 de julho, o Conselho Nacional de Política Mineral (CNPM) aprovou a resolução que institui um grupo de trabalho destinado a estudar a contribuição do setor mineral, em especial do urânio, para o desenvolvimento do Programa Nuclear Brasileiro, do Programa Nuclear da Marinha e de outros programas estratégicos da defesa nacional e transição energética.

O colegiado criado pelo CNPM terá 90 dias para avaliar o estado atual do mapeamento e do conhecimento sobre os recursos e reservas de minerais de urânio e propor estratégias para ampliar essas informações, além de dimensionar o potencial de produção mineral, considerando empreendimentos em andamento e projetos futuros. O grupo será coordenado pelo MME e reunirá Casa Civil, Gabinete de Segurança Institucional, Ministério de Ciência Tecnologia e Inovação (MCTI), Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Comando da Marinha e Companhia de Pesquisa e Recursos Minerais (CPRM), com a participação de convidados permanentes como Ministério da Defesa, Agência Nacional de Mineração (ANM), Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN), Eletronuclear, Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e INB.

O presidente da INB, Tomas Albuquerque, reforçou na reunião a necessidade de se aumentar os investimentos na pesquisa e na produção do minério pelo Brasil, devido ao cenário mundial, em que já produz menos do que a demanda. “Temos uma janela de oportunidade incrível e uma janela de preocupação. Hoje, o mundo produz 60 mil toneladas de urânio e consumiu, em 2025, 65 mil. Cinco mil toneladas saíram de reservas estratégicas que os países e as próprias usinas nucleares detêm”, explicou.

Nos próximos anos a situação deve se agravar, porque há mais de 70 reatores sendo construídos no mundo. De acordo com Tomas, o mundo vai precisar de mais 14 mil toneladas de urânio, ao mesmo tempo em que já há uma queda de produtividade das minas em operação.

Embora o Brasil tenha um dos maiores potenciais de recursos minerais de urânio no mundo, a produção interna não consegue atender a demanda atual de produção de combustível para Angra 1 e 2. Além disso, o Plano Nacional de Energia - PNE 2055 estabeleceu uma meta de 14GW, o que faria a necessidade do minério sair de 450 t para 3 mil toneladas. “Essa disparidade entre ter essa projeção de potencial que já identificamos e ter esse urânio, efetivamente, exige muitos investimentos para que a equação seja revertida”, reforçou Albuquerque.

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