
Plataforma entra no ar em 14 de outubro com dados econômicos e geoespaciais organizados por substância; os números mostram que os minerais críticos e estratégicos respondem por 129.423 empregos, 57% do total da indústria extrativa mineral.
A Agência Nacional de Mineração (ANM) lança, dia 14 de outubro, às 15h, o Portal da Economia Mineral Brasileira, plataforma que reúne dados econômicos e geoespaciais da mineração brasileira em um único ambiente. Desenvolvido pelas Gerências de Economia Mineral e de Geoinformação, da Superintendência de Economia Mineral e Geoinformação, em parceria com a Imagem, o portal organiza informações por substância e reúne dados sobre ocorrências, áreas de pesquisa e produção mineral, além de mapas, painéis, publicações e indicadores sobre a força de trabalho no setor. “A plataforma reúne e organiza informações da mineração brasileira, ampliando o acesso e a capacidade de análise por gestores públicos, investidores, pesquisadores e cidadãos, mas mantendo o rigor técnico das informações”, comenta a superintendente de Economia Mineral, Inara Barbosa. “A iniciativa também busca contribuir para a transparência, a tomada de decisões baseada em evidências e a formulação de políticas públicas para o setor mineral”.
O Portal da Economia Mineral Brasileira engloba dados sobre minerais críticos e estratégicos, investimentos em pesquisa mineral, atividades em produção e comércio exterior e indicadores do mercado de trabalho, o que proporciona uma visão integrada da mineração brasileira. A plataforma também disponibiliza mapas, gráficos, filtros interativos e bases de dados para download, além de publicações técnicas produzidas pela própria ANM, como o Anuário Mineral Brasileiro (AMB), o Sumário Mineral e o Informe Trimestral. O portal também inclui fontes públicas complementares, como do Serviço Geológico do Brasil (SGB), da Secretaria de Comércio Exterior (Secex/MDIC), Relação Anual de Informações Sociais (RAIS/MTE) e do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo CAGED/MTE), e do Portal Brasileiro de Dados Abertos. A integração permite visualizar onde estão as atividades minerais, como os investimentos em pesquisa e atividades em produção se distribuem pelo território, quais áreas produzem minerais críticos e estratégicos e como diferentes indicadores ajudam a compreender a mineração no Brasil.
Remuneração e postos de trabalho
Segundo números do portal, os minerais críticos concentram 57% dos empregos da indústria extrativa mineral ou 129.423 empregos dos 226.634 empregos da indústria extrativa mineral brasileira. Os dados, referentes a 2025, estão disponíveis no Portal de Minerais Críticos e Estratégicos (MCE) da ANM. O mercado de trabalho relacionado aos MCE registra crescimento de 8,6% entre 2023 e 2025. Do total de empregos relacionados aos MCE, 51.714 são de mão de obra qualificada, o equivalente a 23% de todos os empregos da indústria extrativa mineral do país. Os trabalhadores com ensino superior somam 30.707 ou 14% do total da indústria extrativa mineral brasileira.
Os números também mostram a participação de homens e mulheres neste mercado, sendo que a participação feminina soma 28.658 postos, equivalentes a 22% dos empregos relacionados aos MCE, enquanto os homens respondem por 100.765 postos, ou 78%. Entre os municípios com maior número de trabalhadores em atividades relacionadas aos MCE estão Parauapebas (PA), com 8.234 empregos; Nova Lima (MG), com 8.218; e Congonhas (MG), com 7.114. Em Parauapebas, são 8.234 trabalhadores (71,4% do gênero masculino e 28,6% do gênero feminino), sendo 1.851 com nível superior. Em Nova Lima, dos 8.218 empregos (63,3% do gênero masculino e 36,7% do gênero feminino), sendo 4.776 com nível superior. Em Congonhas, são 7.114 trabalhadores (73,2% do gênero masculino e 26,8% gênero feminino), sendo 1.234 trabalhadores com nível superior.
Quanto às informações sobre perfil e remuneração, o portal mostra que, em 2025, a remuneração mediana dos trabalhadores de níveis de escolaridade fundamental, médio e superior foram respectivamente de R$ 3.218,08, R$ 4.142,24 e R$ 11.856,16. Informações detalhadas por UF, municípios, categoria funcional e gênero estão disponíveis no referido portal. O recorte sobre mercado de trabalho faz parte do conjunto de informações reunidas pela ANM sobre os Minerais Críticos e Estratégicos. “O portal permite consultar dados sobre empregos, remuneração, perfil dos trabalhadores, distribuição territorial e substâncias relacionadas a essas atividades”, afirma a Superintendente de Economia Mineral, Inara Barbosa.
Consulta
Um dos diferenciais da plataforma é a organização de dados públicos com indicação de fonte, período de referência e metodologia, o que permite que o usuário compreenda a origem dos dados e os critérios utilizados em sua apresentação. O portal também reúne mapas, painéis, gráficos, publicações, filtros interativos e bases para download. Um dos destaques é a janela com 24 substâncias minerais, que apresenta diversas informações sobre ferro, cobre, ouro, alumínio, nióbio, lítio, grafita, entre outros, e mostra como esses minerais são utilizados no cotidiano da sociedade. “Nosso público é formado por estudantes, jornalistas, pesquisadores e sociedade em geral. Com essas informações eles podem compreender que a mineração está em diversas atividades do nosso dia a dia”, explica o Gerente da Gerência de Economia Mineral, João Vasconcelos.
O Portal reúne dados produzidos pela própria ANM, como informações do Anuário Mineral Brasileiro (AMB), dos Relatórios Anuais de Lavra (RAL) e da Declaração de Investimentos em Pesquisa Mineral (DIPEM), além de fontes públicas complementares, como o Serviço Geológico do Brasil (SGB), a Secretaria de Comércio Exterior (Secex/MDIC), Relação Anual de Informações Sociais (RAIS/MTE) e do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo CAGED/MTE), e o Portal Brasileiro de Dados Abertos. O Portal também deverá incorporar novas bases e atualizações, com a indicação das respectivas referências metodológicas.
O lançamento ocorre em um momento de implementação da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, estabelecida pela Lei nº 15.506, de 16 de setembro de 2026.
A legislação traz definições legais para minerais críticos e estratégicos. Em termos gerais, minerais críticos são recursos necessários a setores importantes da economia cuja oferta pode ser insuficiente, instável ou vulnerável. Entre os fatores de risco estão a baixa produção interna, a dependência de importações, a concentração geográfica do fornecimento, tensões geopolíticas, restrições de mercado e gargalos tecnológicos. A política não se restringe à transição energética. As definições também alcançam cadeias relacionadas a fertilizantes, segurança alimentar, defesa, infraestrutura digital, equipamentos médicos, indústria aeroespacial e outras atividades. A lei criou o Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (CIMCE), responsável por definir e atualizar o rol oficial de substâncias. Enquanto o CIMCE não publicar o novo rol oficial de minerais críticos e estratégicos, o conjunto de substâncias apresentado no Portal será tratado de acordo com a resolução do Ministério de Minas e Energia publicada em 2021 e critérios técnicos da ANM, com indicação da metodologia e da data de referência.
Produção
A produção de brasileira de terras raras na forma de concentrado de óxidos de terras raras atingiu 326 toneladas em 2025 e o país exportou U$14,9 milhões relativos ao Concentrado. Já as importações somaram US$ 30,6 milhões em produtos da indústria da transformação mineral (óxidos de elementos de terras raras e ímãs). Atualmente, o país tem quatro áreas com lavra ativa, todas em Goiás. Além disso, existem 78 áreas com relatório final de pesquisa aprovado na fase de direito de requerer a lavra ou com requerimento de concessão de lavra com potencial para desenvolvimento de futuros projetos. São 3.067 áreas que estão na fase de pesquisa mineral e 75 locais com potencial mineral identificados pelo Serviço Geológico Brasileiro.
O Brasil tem uma das maiores reservas mundiais desses elementos e apenas quatro áreas com lavra ativa devido às diferentes etapas da atividade mineral e licenciamento ambiental. Entre a identificação de um potencial mineral e o início da produção podem ser exigidos investimentos elevados e tempo para outras ações serem concluídas.
O Portal de Minerais Críticos e Estratégicos permitirá acompanhar todo esse caminho com informações sobre as etapas da mineração e em que fase cada substância ou área se encontra, com dados sobre produção, localização das minas, mercado de trabalho e comércio exterior.
O portal reúne informações sobre os minerais considerados críticos e estratégicos para o Brasil, aqueles que têm impacto econômico e podem estar sujeitos, entre outros fatores, a riscos de escassez e superávit da balança comercial. A lista brasileira foi definida na Resolução nº02, de 18 de junho de 2021 do Ministério de Minas e Energia e inclui ouro, ferro, manganês, fosfato, silício, alumínio, cobre, estanho, potássio, grafita, vanádio, urânio, molibdênio, tântalo, tungstênio, terras raras, cromo, nióbio, lítio e níquel. A plataforma permite acompanhar a trajetória dessas substâncias na mineração e consultar dados que ajudam a colocar diferentes aspectos da atividade em perspectiva.
O ouro é um exemplo de substância com vasto interesse público com informações importantes que podem ser consultadas no portal. Os dados disponibilizados podem ser usados para acompanhar a produção mineral e sua representatividade na economia mineral do país. Atualmente, há 504 lavras com produção ativa de ouro. Em 2025, o Brasil produziu 71,1 toneladas de ouro beneficiado, com valor da produção de R$ 41,7 bilhões. No comércio exterior, exportou US$ 6,59 bilhões e importou US$ 10,4 milhões referente ao setor mineral.







