INDÍGENAS

Mulheres são vítimas de violência em áreas afastadas

Mulheres são vítimas de violência em áreas afastadas

Levantamento em oito estados aponta que 96% das vítimas são mulheres, com mais da metade entre 15 e 17 anos, agravado pela extração mineral ilegal em terras indígenas.

Um levantamento realizado com beneficiários da ONG Visão Mundial constatou que 96% das vítimas de violência em oito estados brasileiros onde a organização atua são mulheres, sendo que mais da metade (56%) têm entre 15 e 17 anos e 20%, entre 10 e 14 anos. Em relação à raça, 57% das vítimas são negras, 10% são pardas e 4% são indígenas. “Meninas e mulheres acabam sendo sempre as vítimas mais vulneráveis dos crimes, pois são coisificadas pelo homem, sobretudo quando são indígenas ou negras. Todas sofrem, mas estas com mais intensidade. Ainda existe uma forte cultura machista e adultocêntrica, que se agrava em áreas mais afastadas e de florestas”, explica Márcia Monte, assistente social especialista no Enfrentamento à Violência Doméstica contra Crianças e Adolescentes na ONG Visão Mundial.

A ONG Visão Mundial chama atenção para os casos recentes de violência sexual e assassinato contra populações indígenas no Brasil, em especial a denúncia de estupro de uma menina yanomâmi de 12 anos que mostrou para a sociedade a gravidade deste problema, agravado pelo avanço da extração mineral ilegal em áreas indígenas. “Ainda que seja apenas uma amostra pequena de uma realidade enorme, conseguimos dimensionar como meninas e adolescentes nos rincões do Brasil são vulneráveis e muitas vezes acabam virando vítimas de abuso sexual, estupro, casamento precoce, violência emocional e exploração, por exemplo”, diz Marcia.

No final de abril, a Visão Mundial já havia emitido nota pública, assinada em conjunto com outras organizações (Aldeias Infantis, ChildFund Brasil, Grupo Mulheres do Brasil, Plan International Brasil e Terre des hommes Suisse) para repudiar o crescimento nos casos de violências sexuais e assassinatos cometidos contra meninas e mulheres indígenas no País. “Enquanto organizações comprometidas com os direitos humanos, nos somamos às vozes dos povos indígenas para pedir justiça para essas meninas e mulheres em relação aos crimes que estão acontecendo na região de Waikás, em Roraima, que é uma das áreas afetadas pelo garimpo ilegal no país”, afirmou um trecho da nota.

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