
Em “Na rota do ouro”, a diretora de pesquisa do Instituto Escolhas reconstitui as medidas de fiscalização, as mudanças regulatórias e as ações no STF que ampliaram o controle sobre a comercialização do ouro no país.
Está sendo lançado o livro ‘Na rota do ouro: a luta contra a ilegalidade no Brasil”, que aborda e reconstitui as medidas adotadas nos últimos anos para enfrentar a exploração ilegal do metal, a fiscalização em territórios amazônicos, as mudanças regulatórias e ações que chegaram ao Supremo Tribunal Federal.
A autora e pesquisadora do livro, Larissa Araújo Rodrigues, atua há quase duas décadas na interseção entre recursos naturais e políticas públicas. Doutora e mestre em Energia pela USP e diretora de pesquisa do Instituto Escolhas, Larissa diz que seu trabalho ajuda a embasar iniciativas que contribuíram para reduzir significativamente a extração ilegal de ouro e ampliar o controle sobre sua comercialização. O livro revela os mecanismos que permitiram a circulação do ouro de origem ilegal no país. Em um mercado que movimenta bilhões, transações de alto valor ainda eram registradas em notas fiscais de papel, um modelo incompatível com a rastreabilidade exigida de uma cadeia dessa dimensão. A partir de pesquisas, articulações institucionais e decisões judiciais, essa realidade começou a mudar.
A investigação também é atravessada pela experiência pessoal da autora, que percorreu regiões de garimpo em Mato Grosso, Pará e Rondônia durante as gravações de O desafio de Parker, produção da Discovery Channel apresentada pelo minerador norte-americano Parker Schnabel. A vivência em campo se soma à atuação nos bastidores de debates legislativos, reuniões com órgãos públicos e ações judiciais que marcaram a reação do país à crise. No livro, Larissa mostra que o combate ao garimpo ilegal não depende apenas de operações de retirada de invasores, mas de mecanismos capazes de rastrear o ouro, responsabilizar os envolvidos em sua cadeia de compra e venda e impedir que o produto ilegal alcance o mercado formal.
Ao recuperar uma mobilização que uniu pesquisadores, instituições públicas e organizações da sociedade civil, ‘Na rota do ouro’ também lança uma pergunta para o presente: como preservar os avanços conquistados e impedir novos retrocessos em uma pauta que envolve a proteção da Amazônia, dos povos indígenas e da própria capacidade do Estado de regular um mercado bilionário?







