ANÁLISE

Minério de ferro pode elevar inflação no Brasil

Minério de ferro pode elevar inflação no Brasil

Preços voltam aos patamares da pandemia após alta de 1,88% na bolsa de Dalian, impactando custos da indústria brasileira.

Por Tomás de Paula Pessoa Filho *

O preço do minério de ferro voltou a subir na bolsa de Dalian, na China, que é o principal comprador mundial de ferro. O preço mais negociado, com entrega para maio de 2022, subiu 1,88%. O minério negociado na bolsa de Dalian contém 62% de teor de ferro e é considerado fino.

A taxa de câmbio usada para a conversão dos preços dos contratos de minério de ferro é a divulgada pelo Banco Central (BC) brasileiro, que no início de fevereiro estava de 6,3615 iuanes por dólar.

Vale lembrar que, em janeiro, o minério de ferro mais caro elevou a inflação medida pelo Índice Geral de Preços - 10 (IGP-10). O indicador subiu 1,79% e desde junho de 2021 não víamos uma alta tão forte.

No Brasil, a expectativa de alta da inflação sempre vem acompanhada da alta do preço dos combustíveis e do dólar, mas desta vez o minério de ferro contribuiu para a elevação neste início de ano.

Isso acontece, geralmente, porquê o minério é matéria-prima para a indústria. Se os custos da atividade aumentam, os preços aumentam, causando mais inflação e menos empregabilidade – cenário já prejudicado pela Pandemia da Covid-19.

Com a última alta, o minério de ferro volta aos patamares de preço vividos durante o auge da Pandemia, quando chegou às altas máximas de $220/ton, após ter tido uma queda forte no final do ano de 2021, com a decisão da China de reduzir as emissões de gases da indústria siderúrgica, tendo chegado a valores do período pré-pandemia, em torno de $80,00/ton

Vale lembrar que a influência das altas no mercado de ferro Chinês já havia provocado aumentos aqui no Brasil no ano passado, motivados, principalmente, pela falta de oferta do produto e pela capacidade das siderúrgicas lá fora de processar o minério. Os impactos na balança comercial são favoráveis ao nosso país, neste caso, já que também exportamos outros componentes para a produção do aço.


* Tomás de Paula Pessoa Filho é Advogado, especialista em Direito Tributário e Empresarial; já foi Deputado Estadual pelo Ceará e é ex-Diretor da ANM.

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