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Amor x paixão x agregação de valor na mineração

Amor x paixão x agregação de valor na mineração

Artigo defende que construir competitividade de longo prazo exige amor aos fundamentos, não atalhos políticos como TERRABRAS ou taxações que matam investimento.

O amor é construção, compromisso e permanência. Aplicado à mineração, ele se traduz em responsabilidade com o território, respeito às comunidades, cuidado com as pessoas e visão de longo prazo. O amor não abandona o ativo quando o ciclo vira. Ele reavalia, adapta e busca sustentabilidade econômica, social e ambiental.
A paixão é intensa, imediata e muitas vezes orientada por impulso. Na mineração, ela aparece nos momentos da descoberta, na excitação de um novo projeto, na corrida por resultados rápidos ou no entusiasmo diante de um ciclo de alta de preços. A paixão move equipes, acelera investimentos e cria energia. Mas pode, também, levar à miopia: decisões apressadas, negligência com riscos socioambientais e foco excessivo no curto prazo.
A transição energética elevou o "status" dos minerais críticos e estratégicos com cadeias produtivas sendo redesenhadas e, como consequência, vários projetos greenfield vêm sendo anunciados, muitos deles com visão de monetização no curto prazo. É a paixão operando. Trazer amor para esse debate não é retórico. Quem constrói relações de confiança e estabilidade institucional ganha acesso a capital mais barato, parceiros de longo prazo.
O debate atual no Brasil sobre minerais críticos e estratégicos está, em grande medida, sendo conduzido pela paixão com uma visão que precisamos agregar valor já. A meu ver, deveríamos estar pensando em construir as condições para agregar valor que dure. Não é coerente tentar agregar valor ignorando a falta de competitividade. De repente surge a ideia de se criar uma TERRABRAS, que parece sedutora, mas existe o risco de ser mais um atalho político do que uma solução econômica e duradoura. Parece que a ideia está perdendo força, mas sempre é bom estar atento. Para substituí-la, já existem correntes que defendem aumentar a tributação para exportação de matéria prima. Taxar exportação pode gerar um efeito perverso. Não se cria a industrialização, mas mata o investimento.
Sem preparo para competir, o Brasil se tornará coadjuvante na corrida por estes minerais. Devemos ver as parcerias não como concessão de soberania, mas instrumentos de construção de capacidades que precisamos. Nesta estratégia, temos que entender que ninguém vai escalar sozinho. As cadeias produtivas são longas e exigem capital, tecnologia e acesso a mercado.
Um dos grandes desafios que temos é o melhor conhecimento do nosso subsolo, que deve ser encarado como uma infraestrutura invisível. Sem isto, o Brasil irá vender potencial, em vez de oferecer oportunidades qualificadas. Além de uma geologia madura, devemos levar em conta outros fatores, dentre os quais cabem destaque: previsibilidade regulatória, segurança jurídica, acesso a infraestrutura básica, licenciamento com método e prazos para uma resposta, seja ela um sim ou um não.
Agregação de valor na mineração se constrói com paixão pelo momento ou com amor aos fundamentos de longo prazo. O que você acha? (Wilson Brumer, membro do Conselho Consultivo de Brasil Mineral)

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