Finep amplia para R$ 500 milhões chamada de transformação mineral, com inscrições até 30/11

São até R$ 500 milhões em subvenção para minerais críticos, mineração urbana, ímãs de terras raras e descarbonização; projetos da Clark e da Valpa já foram contratados
A FINEP prorrogou o prazo de inscrição na segunda rodada do programa Finep Mais Inovação – Transformação Mineral até 30 de novembro. O programa destinará até R$ 500 milhões em recursos não reembolsáveis (subvenção econômica) para atividades de pesquisa, desenvolvimento tecnológico e inovação (PD&I) em projetos inovadores, com risco tecnológico associado. O foco da chamada são minerais críticos e estratégicos e o objetivo tem como meta o adensamento das cadeias de transformação desses insumos para a descarbonização e a transição energética seguras e sustentáveis. As inscrições devem ser feitas pelo site da Finep (www.finep.gov.br). “Em função da importância do tema e seu crescente reconhecimento como prioridade, vide a recente aprovação da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE), foi decidido pela prorrogação do prazo e suplementação do orçamento desta chamada”, explica Henrique Vasquez, gerente do Departamento de Indústria de Base e Extrativa Sustentáveis da Finep.
O programa apoiará projetos que contribuam com as temáticas 1) Minerais e Materiais Críticos e Estratégicos para Transição Energética e Descarbonização, 2) Mineração Urbana, 3) Ímãs de Terras Raras, 4) Tecnologias Sustentáveis para Mineração e 5) Descarbonização da Transformação Mineral. A seleção busca incentivar o desenvolvimento tecnológico de insumos, compostos, metais, ligas, materiais, componentes, produtos intermediários e finais com aplicações essenciais para a transição energética e descarbonização. Entre os destaques estão projetos relacionados à reciclagem de baterias e a separação e refino de terras raras, considerados temas essenciais para a transição energética global e para o desenvolvimento de cadeias produtivas de minerais críticos. Também figuram iniciativas voltadas ao monitoramento avançado de barragens de rejeitos, com foco em segurança operacional, gestão de riscos e uso intensivo de tecnologias digitais. O conjunto de oportunidades inclui ainda soluções para descarbonização da produção de cimento.
Entre os projetos já contratados está a Unidade Piloto de Sistema de Redução Direta com Hidrogênio (H-DR) para Produção de Aço Verde da Clark Tecnologia na cidade de São Paulo, com apoio de quase R$ 11 milhões. A iniciativa propõe uma solução inovadora e descentralizada para a produção de ferro de baixo carbono, integrando diretamente a geração local de hidrogênio verde ao processo industrial, o que reduz a necessidade de grandes infraestruturas logísticas e aumenta a flexibilidade operacional. A tecnologia foi concebida para operar adaptada à disponibilidade de energia renovável, aproveitando excedentes energéticos e contribuindo para maior viabilidade econômica e sustentabilidade do processo produtivo. Alinhada às metas globais de descarbonização da siderurgia, a iniciativa aproveita as vantagens competitivas do Brasil, como a oferta de minério de ferro de alta qualidade e o potencial de geração de energia renovável, fortalecendo o desenvolvimento da cadeia de aço verde no país.
Outro projeto já contratado é o de Implementação de Rota Eletroquímica para Independência Tecnológica Brasileira na Cadeia Fotovoltaica, da Valpa Mineração e Terraplanagem, localizada no município paulista de Jacareí. Com apoio de cerca de R$ 20 milhões, o projeto desenvolve uma rota eletroquímica de baixa emissão de carbono para produzir silício grau solar com pureza de 99,9999% (6N), utilizando eletrólise e energia renovável como alternativa às rotas convencionais intensivas em carbono. A iniciativa contempla a construção e operação de um protótipo com validação de materiais, parâmetros de processo, estratégias de purificação e indicadores técnicos e econômicos para apoiar sua futura escalabilidade industrial. Além de contribuir para a descarbonização da cadeia fotovoltaica, o projeto fortalece a independência tecnológica do Brasil ao viabilizar uma rota nacional para produção de um insumo estratégico para a transição energética.
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