Missão Fulbright–CNPq 2026 abre oportunidades de cooperação em pesquisa

Pesquisadores de sete instituições brasileiras conheceram em setembro projetos de terras raras e minerais críticos na Virginia Tech, na Colorado School of Mines e no Ames National Laboratory; a lição central é pôr a escalabilidade no centro da pesquisa.
Visitas à Virginia Tech e à Colorado School of Mines abriram oportunidades de cooperação e reforçaram a importância do financiamento à pesquisa aplicada no Brasil.
Em setembro de 2026, a Missão Fulbright–CNPq sobre Terras Raras e Minerais Críticos reuniu pesquisadores e representantes brasileiros para conhecer experiências de pesquisa aplicada nos Estados Unidos e identificar oportunidades de cooperação. Participaram representantes da USP, Unicamp, UFS, IFAM, CDTN/CNEN, Ilum/CNPEM e Instituto Hercílio Randon, com coordenação institucional da Comissão Fulbright Brasil, do CNPq e do CGEE.
A programação incluiu visitas à Virginia Tech, em Blacksburg, à Colorado School of Mines, em Golden, aos laboratórios do Ames National Laboratory, em Iowa, além do US Critical Minerals Symposium. Na Virginia Tech, a delegação visitou laboratórios de processamento mineral e a planta-piloto de separação de terras raras da Aclara. A instalação na Virginia Tech reúne equipe qualificada, boa organização e circuitos de separação em operação experimental, atualmente alimentados por materiais sintéticos preparados para representar os carbonatos previstos para a futura operação mineral.
Um ponto técnico relevante foi a pesquisa de extratantes desenvolvida pela Virginia Tech, com aplicação nos processos da Aclara e em outros projetos. A seleção dos reagentes determina seletividade e eficiência, mas ficou claro que seu desempenho em bancada é apenas o começo. O aumento de escala exige validar estabilidade, consumo e recuperação de reagentes, controle da variabilidade da alimentação e custos operacionais. A experiência mostrou a importância de integrar pesquisa, engenharia de processos e operação piloto desde as primeiras etapas.
Na Colorado School of Mines, as atividades abrangeram caracterização mineral, hidrometalurgia, separação de terras raras e recuperação de elementos de recursos secundários, incluindo visitas ao Kroll Institute for Extractive Metallurgy. Em reunião com Mark Van Dyke, vice-presidente de Pesquisa, foram discutidas possibilidades de cooperação com instituições brasileiras em temas como formação especializada, pesquisa aplicada e gêmeos digitais. A interlocução com Iris Bahar, chefe do Departamento de Ciência da Computação, ampliou as perspectivas de integração entre mineração, simulação e inteligência artificial.
No Ames, a visita foi considerada excelente e ficou demonstrada uma importante receptividade à colaboração entre pesquisadores brasileiros e americanos.
O aprendizado transversal da missão foi a necessidade de colocar a escalabilidade no centro da pesquisa. Porque não basta demonstrar a concentração ou separação em laboratório: é preciso produzir dados e modelos confiáveis para dimensionamento, escalabilidade, operação contínua, balanços de massa, consumo de insumos, custos e desempenho ambiental. As instalações piloto devem funcionar como plataformas de validação de processos e redução de riscos, permitindo adaptar rotas às características dos recursos minerais brasileiros.
O Brasil já dispõe de conhecimento tecnológico, profissionais e instituições capazes de realizar esse trabalho. O desafio é assegurar financiamento continuado para campanhas experimentais, infraestrutura piloto e demonstrações em escala semi-industrial, especialmente na transição para os níveis de maturidade tecnológica TRL 6 e 7. Instituições como CNPq, FAPESP, Finep e EMBRAPII, entre outras, têm papéis complementares no apoio à pesquisa aplicada, inovação e cooperação com a indústria, respeitadas suas modalidades de financiamento. A colaboração internacional será mais produtiva quando ajudar a transformar essa capacidade existente em processos escaláveis, competitivos e efetivamente implantados no país. (Giorgio de Tomi - Professor Titular da Escola Politécnica da USP, Conselheiro de Brasil Mineral)







