Faturamento cresce 10% em 2025 e CFEM chega a R$ 7,9 bilhões
Segundo dados da AMIG Brasil – Associação Brasileira dos Municípios Mineradores, o faturamento da indústria mineral brasileira atingiu R$ 298,8 bilhões em 2025, um crescimento aproximado de 10% em relação ao ano anterior. A expansão da atividade resultou em uma arrecadação estimada em R$ 7,9 bilhões de Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM), distribuída entre cerca de 2.840 municípios. “O levantamento reforça o peso da mineração na receita de governos locais, especialmente nas regiões com maior concentração de operações”, avalia Luciana Mourão, consultora econômica da AMIG Brasil.
Minas Gerais continuou na liderança nacional, com faturamento de R$ 119 bilhões, o equivalente a 40% do total da indústria mineral brasileira, seguido pelo Pará, com R$ 103 bilhões (34%), Bahia, que respondeu por R$ 13 bilhões (4%). Na comparação anual, o setor apresentou crescimento nominal próximo de dois dígitos. De acordo com dados da Agência Nacional de Mineração (ANM), pouco mais de oito mil empreendedores minerários recolheram CFEM em 2025. A Vale concentrou 37% do faturamento total do setor, mantendo a liderança no ranking nacional. A Salobo Metais S.A., subsidiária da Vale e responsável pela maior jazida de cobre do país, respondeu por 7% do faturamento. Anglo American, Kinross Brasil e CSN Mineração ocuparam, respectivamente, a terceira, quarta e quinta posições, cada uma com participação de 4%.
Entre os produtos minerais, o minério de ferro manteve-se como o principal item da pauta do setor, com faturamento de R$ 152,2 bilhões. Apesar da liderança, o desempenho registrou uma leve retração de 2,2% em relação ao ano anterior. Na sequência, o ouro e o cobre ganharam destaque, com faturamentos de R$ 39 bilhões e R$ 30 bilhões, respectivamente. Ambos apresentaram crescimento expressivo quando comparados a 2024, com altas de 65% no caso do ouro e de 50% no cobre, sinalizando uma mudança relevante na movimentação da pauta mineral brasileira. “Conforme destacado no Boletim Mineral divulgado pela AMIG Brasil em janeiro, em um contexto de incertezas no mercado global, o ouro tende a se consolidar como ativo de proteção, ampliando sua atratividade. Já o cobre vem sendo impulsionado pelo aumento da demanda internacional, por seu caráter estratégico na transição energética e por ser insumo essencial para a eletrificação, incluindo a produção de veículos elétricos, cabos e equipamentos tecnológicos”, destaca Luciana Mourão.
No comércio exterior, dados do Ministério da Economia indicam que as exportações totais do Brasil somaram US$ 348,7 bilhões em 2025. A indústria extrativa, incluindo petróleo e gás, respondeu por 23,7% desse valor (US$ 80,4 bilhões). Excluído o petróleo, a indústria extrativa mineral alcançou US$ 35,81 bilhões, o equivalente a cerca de 10% das exportações brasileiras. As exportações de minério de ferro geraram US$ 28,9 bilhões, com embarques de 416 milhões de toneladas. Em relação a 2024, houve redução de 3% no valor exportado, apesar do aumento de 7% no volume físico, indicando queda nos preços médios internacionais. No mercado de trabalho, informações do Novo Caged mostram que a indústria extrativa mineral criou 9.554 postos de trabalho formais em 2025. Com isso, o estoque de empregos diretos do setor chegou a aproximadamente 291 mil vagas ao final do ano.