St George Mining protocola EIA/Rima para obter LP do projeto Araxá

St George Mining protocolou EIA/Rima para o Projeto Araxá em Minas Gerais, dando o primeiro passo para a Licença Prévia de uma potencial operação de minério de ferro.
A St George Mining Limited anunciou um marco significativo no licenciamento do Projeto Araxá, em Minas Gerais. A empresa protocolou o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e o Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) junto à Fundação Estadual do Meio Ambiente (FEAM) como parte do requerimento para a obtenção da Licença Prévia (LP) — a primeira das três etapas do processo de licenciamento. “Estabelecemos uma escala e um teor de classe mundial no Projeto Araxá e temos agora o prazer de anunciar o início formal do processo de licenciamento para uma potencial operação de mineração. As condições logísticas favoráveis do nosso projeto — nomeadamente a mineralização de alto teor que começa na superfície, a localização em uma região de mineração consolidada com infraestrutura existente e o forte apoio da comunidade — são incomparáveis em relação aos nossos pares”, disse John Prineas, presidente do Conselho (Executive Chairman) da St George Mining.
A mineralização de alto teor em Araxá significa que a mina provavelmente terá uma área de ocupação comparativamente pequena, minimizando o impacto ambiental. A mineralização também permite a lavra sem necessidade de desmonte com explosivos. “Essas são também vantagens importantes da operação de mineração proposta em Araxá. Nossos extensos trabalhos de campo e estudos avaliaram todos os potenciais impactos ambientais da operação proposta, e elaboramos procedimentos operacionais robustos para garantir as melhores práticas de mineração sustentável”, comentou Prineas. Além disso, a St George incorporou o compromisso com operações seguras e responsáveis, desde a fase que antecede a decisão final de investimento para Araxá até a construção, passando pelas atividades de lavra e processamento e — por fim — o
encerramento da mina. “Nosso avanço em direção ao desenvolvimento do projeto em Araxá ganhou impulso com este marco importante na trajetória crítica para nos tornarmos um produtor de nióbio e terras raras de relevância global”.
A St George iniciou a primeira etapa de licenciamento para Araxá e a expectativa, com base na experiência do setor, é que as fases da LP (Licença Prévia) e da LI (Licença de Instalação) sejam concluídas em até 12 meses. A LO (Licença de Operação) é concedida após a conclusão da construção — prevista pela St George para o segundo semestre de 2029, sujeita a condições e a uma decisão final de investimento. O cronograma baseia-se exclusivamente em um projeto do tipo greenfield. Paralelamente ao processo de licenciamento ambiental, a St George continuará avançando com o estudo de viabilidade liderado pela Worley e com os trabalhos técnicos associados necessários para embasar as aprovações subsequentes de desenvolvimento. Essas atividades estão sendo realizadas concomitantemente aos testes metalúrgicos em curso e à avaliação de possíveis vias alternativas de desenvolvimento, incluindo o potencial uso de infraestrutura de processamento regional já existente.
OURO
AngloGold Ashanti reativa a Planta 2 do Queiroz com R$ 105 milhões e fecha o ciclo de retomada do complexo
Anunciada na Exposibram 2026, a partida do segundo circuito metalúrgico em Nova Lima recoloca em operação plena a única unidade do país que integra beneficiamento, fundição e refino de ouro, num momento em que o metal opera perto de US$ 4.700 a onça
A AngloGold Ashanti anunciou nesta semana, durante a Exposibram 2026, em Belo Horizonte, a retomada da operação da Planta 2 do Complexo Industrial do Queiroz, em Nova Lima (MG), após investimentos de aproximadamente R$ 105 milhões. Com a partida do segundo circuito, a companhia passa a operar integralmente as duas unidades industriais do complexo e encerra um ciclo de reestruturação que se arrastava desde o fim de 2022.
A decisão tem peso maior do que o valor aportado sugere. O Queiroz é a espinha metalúrgica das operações brasileiras da companhia: é para lá que segue o concentrado sulfetado extraído das minas subterrâneas de Cuiabá, em Sabará, e Lamego, entre Sabará e Caeté. Sem a planta, o minério das Operações Cuiabá precisa ser vendido como concentrado, com perda evidente de margem. Foi exatamente o que ocorreu entre o último trimestre de 2022 e 2024, quando o beneficiamento ficou parcialmente paralisado para a execução de um programa de reforço na barragem de rejeitos, e apenas a fundição e a refinaria seguiram funcionando.
Dois circuitos, dois momentos
A retomada foi feita em etapas. O primeiro circuito voltou a operar em 2024, após aporte de cerca de R$ 25 milhões voltado à requalificação do processo produtivo e à automação da ustulação, a etapa térmica em que o enxofre do concentrado é oxidado para liberar o ouro encapsulado na matriz sulfetada. O segundo circuito, agora reativado com R$ 105 milhões, era o passo que faltava e vinha sendo sinalizado pela direção da empresa para 2026.
Com as duas plantas em operação, a estrutura poderá atingir, segundo a companhia, capacidade anual de 280 mil toneladas de material processado. A unidade também produz anualmente até 240 mil toneladas de ácido sulfúrico, obtido a partir do reaproveitamento dos gases e materiais gerados no beneficiamento do ouro. O insumo é comercializado para fertilizantes, papel e celulose, siderurgia, mineração e tratamento de água, o que transforma um passivo ambiental típico da metalurgia do ouro sulfetado em receita acessória e reforça o argumento de economia circular sustentado pela empresa.
O projeto de retomada contemplou melhorias em tecnologia, automação e sistemas de tratamento de efluentes. As obras geraram cerca de 220 postos de trabalho, e a companhia informa que a participação feminina na Planta Queiroz já alcança 25% do efetivo, resultado de uma política de contratação que priorizou mulheres nas vagas abertas para o complexo nos últimos anos.
"A retomada da Planta 2 representa um marco importante para a AngloGold Ashanti. Além de ampliar nossa capacidade industrial, fortalece a competitividade das operações brasileiras e demonstra nossa confiança no potencial do país e no crescimento sustentável do negócio", afirma o presidente da AngloGold Ashanti Latam, Luis Lima.
Concentração em Minas e ciclo de preços favorável
O investimento chega num momento de reorganização do portfólio brasileiro. As operações do país produziram 326 mil onças de ouro em 2025, ante 351 mil onças em 2024, queda associada à trajetória de exaustão das Operações Serra Grande, em Crixás (GO). Com Crixás caminhando para o encerramento, os recursos da companhia passam a se concentrar em Minas Gerais, onde o Complexo Cuiabá responde pela maior parte da produção nacional. No primeiro trimestre de 2026, as operações brasileiras produziram 67 mil onças, alta de 16% sobre igual período do ano anterior, sustentada por ganhos de produtividade nas frentes subterrâneas.
O pano de fundo financeiro ajuda a explicar a disposição para investir. O ouro fechou o pregão de 24 de agosto cotado a US$ 4.697,80 por onça troy, cerca de 39% acima do patamar de um ano atrás, depois de ter alcançado a máxima histórica de US$ 5.326 em janeiro. Em 2025, com o metal em disparada, a AngloGold Ashanti registrou Ebitda ajustado global de US$ 6,3 bilhões, crescimento de 129% sobre 2024, e fluxo de caixa livre de US$ 2,9 bilhões. Num ciclo assim, cada tonelada de concentrado que deixa de ser vendida bruta e passa a ser refinada internamente tem impacto direto no resultado.
Uma cadeia completa em Nova Lima
A AngloGold Ashanti é a única produtora de ouro do Brasil a reunir a cadeia produtiva completa, da pesquisa e do desenvolvimento à lavra, metalurgia, fundição e refino, com entrega de barras de ouro. Essa integração é o que dá sentido econômico à manutenção do Queiroz mesmo depois do fim da lavra em Nova Lima, encerrada em 2003 nas minas Velha e Grande, que operaram desde 1834 e deram origem à própria presença da companhia no país. A área desativada, com mais de 260 mil metros quadrados no centro do município, é hoje objeto do projeto Nova Vila, de uso urbano futuro.
Com 192 anos de atuação no Brasil, mais de 6.300 empregados diretos e indiretos e sede global em Londres, a AngloGold Ashanti opera em dez países da África, das Américas e da Austrália. No Brasil, todas as unidades adotam disposição de rejeitos a seco desde 2022, e as três barragens do Complexo do Queiroz estão em processo de descaracterização, conforme termo firmado com o Ministério Público de Minas Gerais.
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