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TERRAS RARAS

Brazilian Rare Earths estima valor de US$ 7,9 bilhões para projeto na Bahia

Por Redação Brasil Mineral
Brazilian Rare Earths estima valor de US$ 7,9 bilhões para projeto na Bahia

Brazilian Rare Earths estima valor de US$ 7,9 bilhões para o projeto Monte Alto, na Bahia, consolidando-o como potencial pilar do fornecimento ocidental de terras raras.

Menos de três anos após a descoberta da mineralização de alto teor no projeto Monte Alto, a Brazilian Rare Earths (BRE) divulga um Estudo de Escopo que consolida o depósito como potencial pilar do fornecimento ocidental de terras raras.

Em fevereiro de 2024, a Brazilian Rare Earths (BRE) atingiu o que seus geólogos descreveram internamente como uma descoberta de importância estratégica incomum: uma mineralização de teor extremamente elevado no projeto Monte Alto, localizado na Bahia. Pouco mais de um ano depois, a companhia dá um passo decisivo ao publicar o Estudo de Escopo do projeto Rocha da Rocha, documento que traduz aquela descoberta em números, estratégia e uma rota clara de desenvolvimento. Os resultados projetados são ambiciosos, já que indicam um Valor Presente Líquido (VPL) de 8% após impostos de US$ 7,9 bilhões, Taxa Interna de Retorno (TIR) após impostos de 89%, prazo de retorno do investimento de apenas 1,1 ano e EBITDA médio anual de aproximadamente US$ 1,37 bilhão ao longo da vida útil da mina.

"Em menos de três anos desde essa descoberta, nossa equipe evoluiu de um avanço na exploração para o estabelecimento das bases de uma rota integrada de desenvolvimento de óxidos de terras raras no Brasil", afirmou Bernardo da Veiga, Diretor-Geral e CEO da BRE, em comunicado aos acionistas.

O projeto Rocha da Rocha, construído sobre a mineralização de Monte Alto, é apresentado pela empresa como mais do que um depósito isolado de alto teor. Nas palavras de Bernardo da Veiga, ele representa "o pilar central de uma província de minerais críticos mais ampla, com potencial para se tornar uma das mais importantes novas fontes globais de suprimento de terras raras".

O teor como vantagem estrutural

No universo dos projetos de terras raras, o teor do minério é, frequentemente, o fator que separa os projetos viáveis dos aspiracionais. Monte Alto apresenta uma média de 11,3% de TREO (óxidos de terras raras totais) tanto na mineralização primária quanto na residual. Esse número coloca o depósito em categoria à parte em escala global.

"O alto teor altera toda a equação de desenvolvimento", explica Da Veiga. "Isso significa menos toneladas lavradas, menor movimentação de material, menor intensidade de processamento, uma área de operação reduzida e o potencial para uma trajetória mais simples e de menor custo rumo a uma produção de terras raras de relevância global."

É precisamente essa vantagem que sustenta o posicionamento do projeto na curva de custos da Benchmark Mineral Intelligence: segundo o Estudo de Escopo, o Rocha da Rocha é o projeto de menor custo fora da China e o segundo de menor custo no mundo, com custo estimado em aproximadamente US$ 21/kg de equivalente NdPr — antes de eventuais créditos de coprodutos como urânio, escândio, nióbio e tântalo.

Dois produtos no centro da estratégia

O portfólio inicial de produtos do projeto Rocha da Rocha é deliberadamente enxuto: óxido de NdPr separado (neodímio-praseodímio, os principais insumos para ímãs permanentes de alto desempenho) e um concentrado rico em terras raras pesadas — o chamado concentrado HRE+ —, contendo disprósio, térbio, ítrio e gadolínio.

A produção média prevista ao longo da vida útil da mina é de aproximadamente 5.276 toneladas de óxido de NdPr e 2.253 toneladas de concentrado HRE+ por ano, sendo que deste último, cerca de 247 toneladas correspondem a DyTb (disprósio e térbio combinados) e 989 toneladas a ítrio. Nos primeiros cinco anos de operação, as projeções são ainda mais elevadas.

Se o mercado de NdPr tem recebido atenção crescente nos últimos anos, a situação das terras raras pesadas é descrita por Da Veiga como "o principal gargalo estratégico" das cadeias de suprimento ocidentais. "As cadeias de suprimentos ocidentais avançaram no desenvolvimento do fornecimento de NdPr, mas as terras raras pesadas continuam sendo o principal gargalo estratégico", afirmou o CEO. "O disprósio, o térbio e o ítrio são essenciais para ímãs permanentes de alto desempenho utilizados em veículos elétricos, robótica, sistemas de defesa, turbinas eólicas, revestimentos de barreira térmica para altas temperaturas e manufatura avançada."

A relevância desse posicionamento se intensifica no contexto das restrições impostas recentemente pela China sobre a exportação de terras raras pesadas — medidas que têm aprofundado a preocupação de governos e indústrias no Ocidente quanto à segurança do abastecimento. A BRE se posiciona como resposta concreta a esse vácuo estratégico.

O modelo hub-and-spoke e o polo de Camaçari

A arquitetura operacional do projeto Rocha da Rocha é um dos elementos que distingue a abordagem da BRE. Na mina de Monte Alto, a operação foi concebida para ser de baixo impacto físico, utilizando britagem a seco, peneiramento e separação de minério por sensores, sem processamento químico no local.

O material beneficiado será transportado para o polo de refino da BRE em Camaçari, no estado da Bahia, inserido em um complexo industrial já consolidado. A escolha não é casual: Camaçari oferece acesso a infraestrutura, utilidades, reagentes, serviços industriais, logística e mão de obra qualificada, condições que reduzem significativamente os custos e os riscos de implantação de um polo hidrometalúrgico.

"Esse modelo exclusivo de 'hub-and-spoke' nos permite manter as operações na mina em um nível mínimo, concentrando as atividades mais complexas de hidrometalurgia e separação em um ambiente industrial já estabelecido", explicou Da Veiga.

Esse desenho é incomum no setor e reflete uma escolha estratégica clara: concentrar o risco operacional e a complexidade tecnológica onde existe infraestrutura de suporte, evitando os custos e obstáculos logísticos típicos de projetos remotos que tentam realizar todo o processamento na boca da mina.

A parceria com a Carester e o contrato europeu

Um dos elementos que confere credibilidade à rota de desenvolvimento é a participação da Carester, empresa francesa especializada em processamento e separação de terras raras. A Carester atuou como consultora no Estudo de Escopo, apoiando o desenvolvimento do processo de separação a jusante para a produção de óxido de NdPr de alta pureza e do concentrado HRE+.

Além do papel consultivo, a parceria se concretizou em um contrato vinculativo de dez anos para a compra da produção de terras raras pesadas da BRE, estabelecendo, na prática, uma via europeia para os produtos do Rocha da Rocha antes mesmo de a mina entrar em operação. É um sinal relevante de demanda real de mercado, em um setor onde a ausência de compradores comprometidos frequentemente representa um obstáculo à obtenção de financiamento.

O Estudo de Escopo foi conduzido pela ERM Australia Consultants Pty Ltd (ERM) e pela própria BRE, com o suporte adicional da MIPTEC Engenharia & Consultoria, empresa brasileira responsável pelo projeto e pela estimativa de custos, e da Argus, consultoria independente de mercado. As projeções econômicas foram modeladas com base em previsões de preços da Argus para a União Europeia e os Estados Unidos, além de cenários alternativos com preços spot e com previsões de longo prazo elaboradas pela Adamas Intelligence.

Coprodutos e o potencial ainda não precificado

A tese de investimento apresentada pela BRE no Estudo de Escopo é, por deliberação própria, conservadora em um aspecto relevante: os coprodutos. O urânio, o escândio, o nióbio e o tântalo presentes na mineralização de Monte Alto não foram incorporados ao modelo econômico central do estudo e, ainda assim, os números são expressivos.

"O ponto fundamental para os acionistas é que a tese de investimento do Estudo de Escopo inicial não depende do conjunto de coprodutos de minerais críticos", esclareceu Da Veiga. A estratégia é construir a viabilidade do projeto sobre o que já está demonstrado — o minério de alto teor e dois produtos de terras raras com demanda comprovada — e tratar os coprodutos como fonte adicional de valor a ser capturada ao longo do tempo.

O CEO é específico sobre o potencial: "Esses potenciais coprodutos podem reduzir ainda mais os custos unitários líquidos, ampliar nosso portfólio estratégico de produtos e fortalecer a resiliência do projeto Rocha da Rocha ao longo do tempo." O urânio, em particular, já está sendo trabalhado como coproduto estratégico, com estudos sobre vias de comercialização previstos para a próxima fase de trabalhos.

Próximos passos: do Estudo de Escopo ao Estudo de Pré-Viabilidade

Com o Estudo de Escopo publicado, a BRE anuncia o avanço para o programa de Estudo de Pré-Viabilidade. A agenda da próxima fase inclui aumento de recursos minerais, sondagem de adensamento (infill drilling), otimização de processos, qualificação de produtos, discussões com parceiros estratégicos, obtenção de licenças, definição de vias de comercialização do urânio e avaliação do potencial de escândio, nióbio e tântalo.

O depósito de Monte Alto, vale destacar, permanece geologicamente aberto, tanto ao longo da extensão do corpo mineralizado quanto em profundidade. O Distrito de Monte Alto como um todo já apresentou resultados excepcionais em mineralizações ricas em terras raras pesadas em maior escala, e o projeto Sulista acrescenta um segundo distrito de alto teor ao portfólio da BRE, ampliando o perfil de produção de longo prazo da companhia. "O que motiva nossa equipe é o fato de que este Estudo de Escopo representa apenas a base, e não o limite, do potencial da BRE", afirmou Da Veiga.

Um projeto para um mercado em transformação

A BRE não ignora a volatilidade e a imprevisibilidade inerentes ao mercado de terras raras. Da Veiga reconhece que "é difícil prever essas tendências estruturais com certeza", mas argumenta que essa é, precisamente, a razão pela qual a resiliência do projeto importa mais do que a aposta em um único cenário de preços.

"O que podemos fazer é construir um projeto resiliente aos ciclos de mercado e posicionado favoravelmente em relação a essas tendências poderosas", disse o CEO, citando como vetores estruturais as restrições chinesas sobre terras raras pesadas, a fragmentação das cadeias de suprimento globais, a aceleração da eletrificação, o aumento dos gastos com defesa e o potencial crescimento da robótica humanoide.

É nesse quadro que o Rocha da Rocha encontra seu argumento mais robusto. Não se trata apenas de um projeto com boa geologia, mas de um projeto concebido para ser competitivo em custos em qualquer cenário de preços razoável, com exposição a dois segmentos do mercado de terras raras onde a escassez de oferta é estrutural, e com uma rota de desenvolvimento que evita as armadilhas clássicas de complexidade e custo que afundaram outros projetos do setor nas últimas décadas.

Desde seu IPO, no final de 2023, a BRE percorreu um caminho acelerado: da descoberta geológica à publicação de um Estudo de Escopo com indicadores econômicos de primeira linha, em menos de três anos. O próximo capítulo é a conversão desses resultados em um projeto de terras raras estrategicamente relevante para o Brasil e para os mercados globais. (Equipe Brasil MIneral)

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