
Mineração responde por apenas 3,1% dos empregos formais do estado, mas apresenta produtividade do trabalho quatro vezes maior que em Minas Gerais.
Com base nos indicadores da Agência Nacional de Mineração (ANM), que não contabiliza os minerais energéticos, o estado do Pará é o principal estado minerador da Amazônia Legal (AML), respondendo por 97% do Valor da Produção Mineral (VPM), seguido pelo Mato Grosso (1%) e Rondônia (1%), os demais estados respondem juntos pelo restante 1%. Considerando-se o petróleo e gás, o Amazonas responderia por volta de 5%, o que não muda significativamente a proporcionalidade da distribuição do VPM regional.
Um dos maiores benefícios da mineração formal da AML é a geração de divisas, essencial para o equilíbrio das contas externa do Brasil. Em 2021, a região exportou US$ 27,5 bilhões em minérios. Esses bens representaram 45% das exportações da AML (87% no caso do estado do Pará); o equivalente a 43% das exportações de bens minerais do Brasil. Apenas o minério de ferro responde da AML por 50% das exportações brasileiras dessa substância, e representa quase 10% do total das exportações do país. Esse volume de exportações é maior que o PIB dos 100 países que estão na faixa inferior dentre os 216 enumerados pela ONU, o equivalente ao PIB da Islândia.
A mineração é uma atividade intensiva em capital e, por decorrência, poupadora de mão de obra, e no estado do Pará, o segundo maior estado minerador do Brasil, essa característica é muito mais marcante, conforme demonstram vários estudos (PEM-2030, 20141 ; Enriquez & Ferraz, 20212 ) e, com o acelerado avanço da tecnologia, o emprego gerado por unidade de produção é cada vez menor.
Em termos nacionais o setor extrativo mineral contribui com apenas 0,5% dos empregos formais do país3 . No caso do Pará, essa proporção é de 3,1% (segundo os dados da RAIS para o ano de 20214 ), percentual que dobou em duas décadas, já que em 2000, representava apenas 1,6%, em que pese o valor da produção mineral (VPM) ter aumentado 14 vezes nesse período, passando de US$ 1,3 para aproximadamente US$ 19 bilhões.
Quando o emprego mineral é associado ao VPM, comparativamente aos estados brasileiros, fica evidente a desproporcionalidade dessa relação para o estado do Pará.
Em 2019, apesar de o Pará ter superado Minas Gerais em VPM, o emprego mineral gerado em MG foi três vezes maior. A relação VPM por 100 empregos gerados, que é uma medida de produtividade do trabalho, isto é que mostra o resultado da produção a partir do emprego de uma unidade de mão de obra, ficou em R$ 256 milhões no Pará, e em R$ 68 milhões em MG. Isso significa que a produtividade do trabalho da mineração no Pará é quatro vezes maior que em Minas Gerais e é a maior entre todos os estados que tem atividade mineral no Brasil.
Veja o artigo completo na edição 432 de Brasil Mineral
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