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Hydro troca parte do carvão da Alunorte por caroço de açaí

Por Redação Brasil Mineral•
Hydro troca parte do carvão da Alunorte por caroço de açaí

Refinaria em Barcarena (PA) já consumiu 279 mil toneladas da biomassa desde 2023 e estuda caldeiras que funcionem só com o resíduo.

A Hydro desenvolveu uma parceria com a Universidade Federal do Pará (UFPA) para pesquisar a redução do uso de carvão mineral na Alunorte, em Barcarena, com objetivo de dar uma destinação mais adequada ao resíduo gerado pelo despolpamento do açaí no Pará. Especialistas da academia e da empresa trabalharam juntos na busca por soluções renováveis, demonstrando o potencial calorífico do caroço de açaí como biomassa capaz de alimentar as caldeiras de uma importante etapa da indústria da cadeia do alumínio.

O projeto, anunciado em 2022 ainda em fase de estudos preliminares, evoluiu rapidamente e hoje já é uma realidade que avança nas operações da refinaria da Alunorte. Com a viabilidade comprovada, o uso da biomassa cresceu de maneira constante na etapa de testes: a operação consumiu 24 mil toneladas em 2023, volume que subiu para 73,5 mil toneladas em 2024 e alcançou 104,6 mil toneladas em 2025. Comprovando a maturidade técnica da aplicação, apenas entre janeiro e setembro de 2026 a fábrica já absorveu cerca de 75 mil toneladas. No total, desde os primeiros testes, a refinaria processou cerca de 279 mil toneladas do material. A oferta da biomassa é relevante para a implantação do projeto, uma vez que o Pará lidera a produção nacional de açaí com folga, concentrando 89,5% de todo o volume colhido no Brasil, o que representou 1,87 milhão de toneladas apenas em 2025, segundo dados do IBGE. Como apenas cerca de 20% do fruto vira polpa, a maior parte, entre 80% e 90%, somando semente e casca, são descartados, gerando uma enorme quantidade de caroços que exige uma destinação adequada.

A iniciativa integra a estratégia de descarbonização da Alunorte em transformar um rejeito regional em matriz térmica inovadora. A empresa vem desenvolvendo estudos e testes da biomassa e trabalha nas etapas de engenharia para viabilizar a ampliação do uso em substituição ao carvão mineral, trilhando um caminho prático para que a matriz energética da planta seja cada vez mais sustentável e alinhada às demandas climáticas. “Esse é um projeto que demonstra a simbiose entre as indústrias do alumínio e do açaí, aliando o suprimento de uma fonte energética para a refinaria e a solução da questão ambiental que é a destinação do caroço do açaí. Principalmente, demonstra como nossa operação está em sinergia grande com o território, considerando as características amazônicas", afirma Carlos Neves, vice-presidente sênior/COO da Hydro Bauxita & Alumina. "Ao adotar esse insumo, não estamos apenas gerando uma energia mais limpa para a indústria, mas também fortalecendo a economia circular no Pará, pois evitamos que milhares de toneladas fiquem acumuladas sem uso na natureza", acrescenta.

A demanda da companhia estimulou o desenvolvimento de uma cadeia local de fornecimento, criando um impacto social direto. Hoje, dois grupos parceiros mantêm alianças locais para organizar a coleta dos caroços pelas cidades do estado. Essa rede gera renda extra para comunidades que antes lidavam apenas com o caroço do açaí como descarte. A estruturação desse mercado de reaproveitamento fortalece a economia da região, mostrando como a bioeconomia muda realidades na ponta. Após essa captação, o material segue para as unidades operadas pelas empresas parceiras. Nesses locais, elas realizam todo o beneficiamento e secagem para que a biomassa chegue pronta à Alunorte, servindo imediatamente como matéria-prima para gerar energia. Nos últimos dois anos, esse esforço conjunto conseguiu reduzir a umidade do material de 35% para menos de 25%, otimizando o processo de queima nas caldeiras e garantindo a eficiência energética exigida por uma refinaria de classe mundial.

O projeto ainda percorre um caminho de evolução técnica para os próximos anos. Uma das alternativas avaliadas é a substituição de parte das caldeiras para operação apenas com o caroço de açaí, eliminando de vez o uso do carvão. "Estamos elaborando a engenharia necessária para amadurecer essa conversão. Esperamos que este potencial seja ampliado e se torne uma realidade plena em breve", projeta Carlos. Com os estudos avançando para abolir a dependência fóssil no futuro, a refinaria reforça seu papel na transição climática do Norte do país. A iniciativa comprova que é possível aliar o desenvolvimento de uma das cadeias agrícolas mais tradicionais da Amazônia à inovação sustentável. Ao fechar o ciclo do açaí, o Pará exibe um exemplo prático de bioeconomia, no qual a produção local ganha eficiência e nenhuma parte do fruto é desperdiçada.

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