
Primeiro relatório ESG da mineração paraense reúne dados de dez associadas: R$ 2 bilhões em investimento social em 2025, 75% de reúso de água e 85% da eletricidade de fontes renováveis.
O Sindicato das Indústrias Minerais do Estado do Pará (Simineral) apresentou, em 19 de outubro, a Carta Santarém, o primeiro relatório ESG da mineração paraense. Intitulada Relatório ESG 2026: Retrato da Mineração na Amazônia, a publicação tem ano-base 2025 e reúne dados reportados por dez empresas associadas. Com ela, o setor passa a ter uma linha de base inédita para acompanhar, ano a ano, a evolução de suas práticas ambientais, sociais e de governança.
A Carta Santarém nasceu do III Congresso Técnico do Simineral, realizado em Santarém em 2025, a partir do diálogo entre empresas do setor mineral, poder público, instituições e especialistas. A publicação engloba, pela primeira vez e de forma sistemática, dados ambientais, sociais e de governança das principais operações minerárias do Pará, com indicadores comparáveis que dão visibilidade tanto aos avanços quanto aos desafios do setor. "A Carta Santarém expressa um compromisso coletivo com uma mineração cada vez mais transparente e responsável. Ao reunir esses indicadores, damos à sociedade uma base concreta para acompanhar nossas práticas, compreender os avanços e conhecer os desafios que ainda precisamos enfrentar. Este é um ponto de partida para um trabalho contínuo, que deve se aprofundar a cada nova edição e contribuir para o desenvolvimento sustentável da Amazônia", afirma Emerson Rocha, presidente-executivo do Simineral.
O presidente do Conselho Diretor do Simineral, Anderson Baranov, destaca o caráter inédito da publicação. "O futuro da mineração será determinado pela capacidade de produzir com responsabilidade, gerar valor para a sociedade e responder aos desafios globais da sustentabilidade. O Pará reúne todas as condições para exercer esse protagonismo, mas essa posição exige compromisso permanente com a transparência e a inovação. Pela primeira vez, apresentamos uma visão integrada dos avanços da mineração paraense nas dimensões ambiental, social e de governança, demonstrando que competitividade e responsabilidade caminham lado a lado", afirma.
Entre os destaques da Carta Santarém estão os investimentos sociais realizados pelas empresas participantes em 2025, que somaram cerca de R$ 2 bilhões. Desse total, aproximadamente R$ 213 milhões foram investimentos obrigatórios e mais de R$ 1,7 bilhão foram iniciativas voluntárias. Os recursos voluntários superam em mais de oito vezes os obrigatórios, o que indica uma atuação social que vai além das exigências regulatórias. Os investimentos contemplaram saúde (R$ 158,8 milhões), educação (R$ 43,8 milhões), geração de renda (R$ 63,9 milhões), infraestrutura pública, qualificação profissional e desenvolvimento comunitário. A publicação também evidencia a presença da população paraense nas operações. Cerca de 72% da mão de obra própria e terceirizada das empresas associadas foi contratada no Pará, e aproximadamente metade dos gastos com fornecedores foi direcionada a empresas do estado.
No âmbito ambiental, os números indicam que, para cada hectare com intervenção direta da atividade mineral, as empresas mantêm cerca de dez hectares protegidos, conservados ou sob monitoramento. A taxa média de reuso de água chega a 75%, e aproximadamente 85% da eletricidade consumida nas operações vem de fontes renováveis. Em segurança do trabalho, a taxa de frequência de acidentes com afastamento das associadas foi de 0,73 por milhão de horas trabalhadas. O índice equivale a metade da média do setor mineral brasileiro apurada pelo Ibram.
A Carta Santarém foi elaborada com base em informações fornecidas voluntariamente pelas empresas participantes, complementadas por bases públicas e documentos corporativos. Os indicadores seguem referências internacionais como GRI, IFC, ICMM e GHG Protocol. Os dados foram compilados e analisados pelo Simineral, sem auditoria por parte da entidade. Com a Carta Santarém, o Simineral busca ampliar o acesso a informações sobre a mineração industrial no Pará e fortalecer uma agenda de melhoria contínua, transparência e responsabilidade com os territórios amazônicos. A publicação inaugura um ciclo anual de reporte, e a próxima edição, com ano-base 2026, está prevista no roadmap ESG do Simineral. A Carta santarém pode ser acessada pelo site do Simineral.







