Quais são os gargalos logísticos da mineração?

26/05/2022
Foram apresentadas três visões: Modais Brasileiros e Gargalos Logísticos do Brasil; Novas Fontes de Energia para Mineração e Exemplos de Arranjos Produtivos Locais Bem-Sucedidos.

 

O 7º Encontro da Média e Pequena Mineração teve no Painel 2, da manhã do dia 25 de maio, o tema ‘Logística e Mercado’ sobre três visões: Modais Brasileiros e gargalos logísticos do Brasil; Novas Fontes de Energia para Mineração e Exemplos de Arranjos Produtivos Locais bem-sucedidos. O painel teve como moderador Célio Eustáquio, da Câmara de Logística da FIEG, e a participação de Frederico Munia Machado, da Secretaria Especial do programa de Parcerias de Investimentos (PPI), Reinaldo Sampaio, presidente da Abirochas, David Rachman da Silva, CEO da STP Log, e o deputado estadual Virmondes Cruvinel. 

Eustáquio deu as boas-vindas como representante do COINFRA – Conselho de Infraestrutura da FIEG, que atua de maneira transversal e em favor dos interesses produtivos da indústria. “Entendemos que a mineração é uma atividade de investimento elevado e de implantação de projetos de longo prazo, que demandam dez anos ou mais e a discussão sobre logística de transporte (modal ferroviário e rodoviário) é pertinente, além de existir um gargalo de energia”. Eustáquio citou ainda estudo da CNI que aponta que 38% da malha ferroviária está ociosa. Sobre energia, ele disse, como exemplo, que o consumo do Complexo da Anglo American é similar ao da cidade de Goiânia. 

Frederico Machado, da Secretaria Especial do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), comentou sobre o PPI, criado em 2016, com o objetivo de ampliar e fortalecer a sinergia entre o setor público e iniciativa privada no setor de infraestrutura. “A ideia é que dentro do projeto entrem apenas projetos mais estratégicos para País, independente da esfera federal. Os projetos aprovados devem ir a leilão para sair do papel”. Desde 2019, houve 148 leilões, com investimentos contratados (que vão acontecer) da ordem de R$ 857 bilhões. Esses valores vão subir ainda em 2022 com as entregas previstas para o ano, passando de R$ 1 trilhão. “A premissa básica de todo esse trabalho é o ESG, já que são projetos que podem causar impacto ambiental (positivo e negativo)”. 

Na mineração há os projetos ativos e antigos - das décadas de 70 e 80 - da SGB-CPRM, e que a secretaria está ajudando a estruturá-los, dos quais dois já foram leiloados e arrematados – Fosfato de Miriri e o Complexo Polimetálico de Palmeirópolis (TO). “Ainda teremos outros em 2022. Já aconteceram também cinco rodadas de disponibilidade de áreas para pesquisa e concessão de lavras da Agência Nacional de Mineração (ANM). Além disso, tivemos e temos uma política voltada ao apoio do licenciamento ambiental de projetos de mineração (Pró--Minerais Estratégicos), criada em março de 2021 e que já 15 projetos habilitados”. 

Na área de Logística há vários projetos leiloados dentre aeroportos, rodovias, ferrovias e portos, com 179 projetos na carteira da secretaria. Na malha ferroviária tem o Programa Pró-trilhos, um novo programa de autorizações ferroviárias que tem como ideia que o poder público comporte o projeto do interessado e não ao contrário, enquanto na área portuária existem 25 arrendamentos e quatro privatizações previstas para 2022, além de três projetos de canais e outros de hidrovias. “É um setor já amadurecido para ser conduzido pela iniciativa privada e destravar o setor no País”. Frederico Machado comentou ainda sobre o Plano Nacional de Logística (PNL 2035), iniciativa recente aprovada pelo Conselho do PPI, que visa planejar com consulta à sociedade para adotar as políticas públicas de interesse nacional. 

Na sequência, o deputado estadual Virmondes Cruvinel anunciou o Fórum Permanente Estadual de Mineração para buscar avançar pautas com poder público, setor produtivo, entidades e universidades para, desta forma, fazer uma triagem na própria Assembleia, com referências de outras estados para melhorar a legislação local. “Queremos o governo dialogando com diversas frentes para avançarmos o setor mineral no estado de Goiás”. 

O terceiro participante foi Reinaldo Sampaio, presidente da Abirochas, destacou os arranjos produtivos locais (APLs) através da extração e beneficiamento de rochas ornamentais, com destaque para Nova Venécia, com 21 municípios, e Cachoeiro do Itapemirim, com 22 cidades, os APLs de ardósia e quartzitos folheados de Minas Gerais, travertinos, na Bahia, o de gnaisse folheados no Rio de Janeiro, basalto plaqueados no Rio Grande do Sul e calcários plaqueados, no Ceará. 

Segundo Sampaio, o salto de crescimento desses APLs aconteceu com a inserção internacional do setor, promovido pela parceria entre Abirochas e APEX-Brasil. “O encontro com o mercado exterior abriu o horizonte do empresariado brasileiro, onde o País saiu de uma indústria comprada para um dos principais players do mundo, com a estrutura de lavra e beneficiamento primário entre as melhores do mundo”. 

As rochas ornamentais são o quinto bem mineral mais exportado pelo Brasil em valor, dos quais 80% são de produtos beneficiados. “Mineração de pequeno e médio porte precisa estar integrada a políticas públicas para viabilizar estratégia internacional”. Há 16 anos, o setor exporta entre US$ 1 bilhão e US$ 1,3 bilhão por ano por fatores exógenos ao setor, mas com duas variáveis: a política monetária americana e a forte desvalorização cambial. 

Sobre o estágio de crescimento, Sampaio diz ser inviável exportar para a China e outro caminho seria o Oriente. A nova onda exportadora seria a América do Norte para produtos de maior valor agregado para os Estados Unidos. “O avanço para esse estágio precisa de modernidade do setor e de uma estratégia de política mineral brasileira, infraestrutura logística com ênfase na questão portuária. É inconcebível ter que fazer cabotagem no Porto de Santos, para somente depois pegar navios de longo curso. É uma limitação para a indústria capixaba, principal das rochas ornamentais”. 

“Em relação ao licenciamento ambiental e a concessão de direitos minerários, Sampaio afirma que estes são calvários da indústria que precisam ser resolvidos, defendendo que as especificidades e a dinâmica do setor precisam ser percebidas. “Essas políticas têm que se reorganizar e levar a pequena e média empresa para a área tecnológica. Tem que inserir a pequena e média indústria na inovação”. 

Fechando o Painel, David Rachman da Silva (CEO da STP Log) comentou sobre oportunidades para mineração no setor de logística. A STP LOG nasceu em 2020 com propósito de trazer soluções para a cadeia de minérios – o ecossistema de mineração. “Quando vemos a era atual, lidamos com geração de milleniuns, geração Z e, em menos de dez anos, a geração alfa. Hoje, temos um mundo frágil, ansioso, incompreensível mas, como podemos ver, uma pessoa pode invadir um país”. 

“Atualmente, a logística pode representar 15% a 30% do seu negócio. Por exemplo, temos um plano importante para os próximos dez, quinze anos. Mas o que fazer neste período? Se fizermos isso de maneira individualizada, o custo será bem mais alto. A logística é estratégica no negócio. Temos que criar conexões para tentar tirar perdas espalhadas em diferentes grupos para trabalharmos em conjunto”. 

Rachman questionou: onde as sinergias geram benefícios na mineração? “Em projetos logísticos, portuários, o transporte mineradora x porto x mineradora. Se há um planejamento logístico nesse ecossistema, o custo será dividido entre as partes envolvidas. A otimização tende a trazer resultado para o negócio, e se conseguimos reduzir a base, já beneficiamos o consumidor final”.

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