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ARTIGO

O novo lastro da mineração: porque a due diligence agora é socioambiental

O novo lastro da mineração: porque a due diligence agora é socioambiental

A investigação aprofundada de projetos minerários agora deve incluir conformidade ambiental e aceitação social como alicerce estratégico para viabilidade de longo prazo.

Por Rodrigo Pessoa Avelino (*)

A mineração sempre foi uma atividade de precisão. Durante décadas, o sucesso de um ativo mineral foi medido quase exclusivamente pela riqueza do teor do minério e pelas planilhas de viabilidade econômica. Se a conta fechava no papel e a geologia correspondia às expectativas, o negócio avançava. Hoje, essa régua mudou drasticamente. A verdadeira viabilidade de um projeto não se esgota na engenharia ou no fluxo de caixa; ela se consolida — ou se desfaz — na capacidade de antecipar e gerenciar o impacto socioambiental.
É nesse contexto que o conceito de due diligence precisa ser ressignificado. Longe de ser apenas uma auditoria burocrática ou um checklist para cumprir formalidades legais antes de uma aquisição, a investigação aprofundada de um ativo tornou-se uma ferramenta de sobrevivência estratégica e de responsabilidade ética. Investigar o potencial geológico e a saúde financeira continua sendo indispensável, mas ignorar a conformidade ambiental e, principalmente, a aceitação social é um erro que o mercado moderno não perdoa.Os riscos socioambientais são, em última análise, riscos financeiros e reputacionais de altíssima magnitude. Um projeto minerário pode ser impecável do ponto de vista de suas reservas, mas se ele não carregar o alinhamento com os mais altos padrões de sustentabilidade, seu valor de mercado torna-se volátil e frágil. A Governança Ambiental, Social e Corporativa (ESG) deixou de ser uma agenda de relações públicas para se transformar no cerne da tomada de decisão.
Os critérios rigorosos de avaliação devem caminhar de forma indissociável. A conformidade ambiental não é uma barreira a ser superada, mas o próprio alicerce sobre o qual a operação se sustenta. Da mesma forma, a aceitação social — a chamada licença social para operar — não é algo que se compra ou que se impõe; é um patrimônio que se constrói por meio da transparência, da escuta ativa e do respeito genuíno às comunidades que acolhem a atividade.
O investidor e o mercado buscam, acima de tudo, previsibilidade e resiliência. E essa previsibilidade nasce de uma due diligence que compreende a complexidade humana e ecológica dos territórios. Ao verticalizar as pesquisas técnicas e econômicas sob o prisma da sustentabilidade, o setor não apenas mitiga passivos futuros, mas também descobre novas oportunidades de eficiência e inovação tecnológica.
O futuro do setor mineral pertence às empresas que entendem que o valor de um ativo não está apenas no que se extrai da terra, mas no legado deixado sobre ela. Avançar com rigor técnico, solidez financeira e uma profunda sensibilidade socioambiental não é um caminho opcional — é a única rota possível para uma mineração que deseja continuar gerando riqueza, desenvolvimento e orgulho para o país.

(*) CEO – Ferro Congonhas Mineração (FERCONM)

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