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RODA DE CONVERSA

O ESG acabou?

O ESG acabou?

Painel realizado no 11º Seminário Mineração & Comunidades debate amadurecimento da agenda ESG e reafirma importância da licença social para operação no setor.

A recente decisão da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) de suspender a obrigatoriedade de publicação de relatórios de sustentabilidade reacendeu o debate sobre o futuro do ESG no Brasil. Durante a roda de conversa "O ESG acabou?", realizada no 11º Seminário Mineração &/X Comunidades da Brasil Mineral, especialistas foram unânimes: a agenda não se encerrou, mas passou por um processo de amadurecimento que exige maior materialidade e integração com a gestão de riscos. Independentemente de obrigações regulatórias, a mineração não pode prescindir da licença social para operar — e investidores seguem atentos à transformação efetiva nos territórios.

Do meteoro ao amadurecimento

A moderadora Cristiane Holanda abriu o painel contextualizando as transformações da agenda ESG na última década. Entre 2015 e 2020, impulsionado pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e pelo Acordo de Paris, o tema ganhou relevância nas corporações. A partir de 2021, contudo, surgiram críticas relacionadas à proliferação de metodologias distintas, ao greenwashing e à subjetividade dos indicadores divulgados.

Adriana Solé foi incisiva ao caracterizar a trajetória do ESG. "Pra mim, em termos de visibilidade, ele foi um meteoro. Teve uma força muito grande, pós-pandemia, o mundo, todo mundo muito sensível com aquela questão toda pandêmica. Ele foi um meteoro, porque expôs uma série de vulnerabilidades em todas as letrinhas", afirmou. Para Solé, o conceito foi "machucado" sucessivamente pela guerra da Ucrânia, que evidenciou a dependência europeia do gás russo, e pela guerra entre Israel e o Hamas, que polarizou a sociedade e enfraqueceu narrativas de direitos humanos.

Rosane Santos ofereceu uma leitura diferente. "Eu não acho que o ESG acabou não, gente, eu acho que ele é adulto, que ele amadureceu", disse. Santos comparou o processo à criação de um filho: "Você tem o filho na infância, depois na adolescência, e aí ele quer sair, né, ele quer experimentar o mundo e depois ele vira adulto e você não consegue mais ali controlar do seu jeito".

Licença social como imperativo

Eduardo Leão, da G Mining, trouxe a perspectiva de quem opera em territórios remotos. "A gente não tem que dizer 'estamos inseridos no território', porque nós somos o território. Nossos funcionários são de lá, nossas comunidades são de lá. Nós estamos ali juntos, de braços dados", declarou.

Leão relatou que a comunidade Morro do Macaco, próxima à mina Tocantinzinho, em Itaituba (PA), recebeu treinamentos sobre direitos humanos, trabalho escravo e trabalho infantil promovidos pela empresa. "Se não é a gente fazendo isso, trazendo esse conhecimento pra eles, não tem como a prefeitura de Itaituba chegar lá, a 400, 500 km de distância", explicou. Para ele, o Estado não consegue estar presente em todos os lugares, e a mineração assume papel de agente de transformação.

Rosane Santos reforçou que a licença social vai além de evitar bloqueios de estrada. "É a legitimidade, é a reputação, é a confiança que a comunidade tem naquilo que a gente faz, a ponto de falar: 'é isso aí, continua fazendo, porque eu valido vocês'", afirmou. Segundo ela, esse ativo precisa ser reconhecido como parte da operação, e não tratado como custo ou despesa.

Investidores querem ver transformação

Os painelistas convergiram ao apontar que o mercado de capitais — origem do próprio termo ESG, cunhado em 2004 — segue atento à performance socioambiental das empresas. Eduardo Leão observou que investidores têm visitado os territórios com frequência quase mensal para verificar se as práticas reportadas se materializam. "Hoje, todos esses investidores, o mercado de capitais, deu um passo a mais, está vindo verificar se acontece tudo que a gente está reportando, e saber qual é o tipo de investimento social que aquele acionista também está fazendo", relatou.

Rosane Santos acrescentou que gestores de fundos interessados em ativos minerários mantêm o olhar "firme" e "assertivo". "A mineração ainda é muito fechada. Quem tá de fora tem uma necessidade de entender o que esse setor faz, como esse setor faz, por que faz e pra quem faz", observou. Ela alertou que o setor "não tem a chance de errar de novo", após os desastres recentes.

Cristiane Holanda, da Nexa, compartilhou um episódio ilustrativo: na semana anterior ao evento, investidores questionaram a empresa sobre as medidas adotadas em relação ao fenômeno El Niño previsto para o segundo semestre. "Eu quase caí da cadeira, confesso a vocês. O investidor querendo saber o que a gente está fazendo em relação a mudanças climáticas", relatou.

Leia a matéria completa na edição 458 da Brasil Mineral

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