Seminário Além das Onças: presente e futuro dos projetos de ouro no Brasil. Evento realizado em 22 de setembro de 2026 no Auditório Mattos Filho, Faria Lima, São Paulo
OURO

Preço alto não é licença para investir mal: o que separa um recurso de uma mina

Por Redação Brasil Mineral•
Preço alto não é licença para investir mal: o que separa um recurso de uma mina
Além das OnçasDa prospecção à mina: viabilidade técnica e investimento
Da esq. para a dir.: Lucas Laghi (XP), Walace Monteiro (MID Infraestrutura), João Luiz Nogueira de Carvalho (Geosol), Hélcio Guerra (BIZ Invest), moderador, e Ediney Drummond (Hochschild Mining). Foto: Stefanne Senne

A Hochschild segura Monte do Carmo até a engenharia amadurecer, e a XP aponta a Selic de 13,75% como a peça que falta para financiar projetos de ouro no país.

Com a onça do ouro perto de US$ 4.300, o primeiro painel do seminário "Além das Onças", realizado pela Brasil Mineral em 22 de setembro no Auditório Mattos Filho, na Avenida Faria Lima, em São Paulo, tratou da pergunta que antecede qualquer investimento: o que transforma um bom recurso geológico num projeto viável? Moderado por Hélcio Guerra, da BIZ Invest, o debate "Da prospecção à mina: viabilidade técnica e investimento" reuniu João Luiz Nogueira de Carvalho, da Geosol, Ediney Drummond, da Hochschild Mining, Walace Monteiro, da MID Infraestrutura, e Lucas Laghi, da XP.

As respostas passaram menos pela geologia do que pela execução: engenharia madura antes da obra, gente preparada para implantar e operar, previsibilidade regulatória e custo de capital compatível com o risco. E um alerta atravessou o debate: o ciclo de preços favorável não autoriza atalhos.

O que transforma recurso em projeto

O primeiro painel foi moderado por Hélcio Guerra, sócio da BIZ Invest Fusões e Aquisições, engenheiro metalurgista pela UFMG, com passagens pela Vale, pela AngloGold Ashanti Brasil Mineração e pela Mineração Serra Grande, e ex-vice-presidente sênior Américas da AngloGold Ashanti. Guerra foi escolhido personalidade do ano do setor mineral pelos leitores de Brasil Mineral em 2014 e 2016.

Hélcio Guerra, sócio da BIZ Invest Fusões e Aquisições, moderou o primeiro painel.
Hélcio Guerra, sócio da BIZ Invest Fusões e Aquisições, moderou o primeiro painel. Foto: Stefanne Senne

O moderador propôs um debate menos conceitual e mais apoiado na experiência de quem atua em cada elo da cadeia, da exploração à operação, passando pelo desenvolvimento e pela implantação. Ele lembrou que se trata de um processo multidisciplinar, complexo e longo, cujos prazos muitas vezes superam o ciclo de preços das commodities. O risco, disse, é o "efeito manada": investir quando o preço está no topo, como o investidor que compra ações quando a bolsa está em alta, e ser surpreendido no meio do caminho. Mais tarde, ele retomaria uma imagem que ouvira naquele dia: "O projeto de mineração é igual videogame: você passa de fase, passa outra fase, está sempre numa fase na frente, e nunca chega no final."

A pergunta que abriu o painel foi direta: o que transforma um bom recurso num projeto viável? "Todos nós temos exemplos no nosso país de recursos excelentes que não se transformaram em reserva, em produção", disse Guerra.

A visão da exploração

João Luiz Nogueira de Carvalho, engenheiro geólogo formado em Ouro Preto, com 35 anos no setor, presidente da Geosol e da Geopar, diretor executivo da Associação Brasileira de Pesquisa Mineral (ABPM) e conselheiro da Adimb, começou pelo início da cadeia: a seleção de área e a obtenção de licença ambiental para sondagem e coleta de amostras. Tudo, disse, depende de legislação e licenças, da licença de instalação à de operação, e acima de todas elas está a licença social.

João Luiz Nogueira de Carvalho, presidente da Geosol e diretor executivo da ABPM.
João Luiz Nogueira de Carvalho, presidente da Geosol e diretor executivo da ABPM. Foto: Stefanne Senne

Carvalho destacou três necessidades em que empresas, associações e institutos vêm trabalhando: a liberação de áreas pela agência reguladora, que segundo ele deveria estar disponibilizando vários prospectos e não está; uma regulação clara e transparente; e celeridade. Ele comparou o projeto de exploração a um empreendimento imobiliário, que também exige selecionar a área, fazer o projeto, obter licenças e construir a relação com o entorno. A diferença é que a mineração ainda precisa pesquisar para encontrar aquilo que vai se tornar um ativo. "Nós estamos na Faria Lima, então aqui é um bom ambiente para falar sobre mineração e investimentos", observou. Enquanto o Brasil leva cerca de 17 anos para pôr uma mina em operação, outros países fazem isso em 12 a 14 anos. Nesse intervalo, disse, o país pode perder o "bonde" de um momento que classificou como ímpar para o ouro.

O geólogo apontou vantagens brasileiras num mundo marcado por guerras e instabilidade econômica e política: relativa tranquilidade institucional e um vasto potencial geológico ainda desconhecido, com apenas 53% do território mapeado na escala de 1:250.000 e pouco investimento em sondagem e geofísica terrestre e aérea. Esse potencial, porém, só atrai capital com legislação clara, e o capital precisa entender que mineração é investimento de médio e longo prazo, com retorno maior que o de certificados como CRIs e CRAs. Carvalho sugeriu a criação de um certificado de recebíveis de mineração, ou de commodities minerais, começando pelo ouro.

Com base no que a Geosol acompanha, ele trouxe um dado que surpreendeu parte da plateia: o ouro responde por 52% das análises químicas feitas para pesquisa mineral no Brasil. Em seguida vêm metais-base, ferro, lítio e terras raras. Em sexto lugar, com 3%, aparecem as rochas usadas no intemperismo acelerado (ERW, na sigla em inglês), tema que, segundo ele, quase ninguém discute. "Todo mundo só fala em terras raras, né? Mas a commodity que desponta em pesquisa e análise química mineral é o ouro."

“Todo mundo só fala em terras raras. Mas a commodity que desponta em pesquisa e análise química mineral é o ouro.”
João Luiz Nogueira de Carvalho, Geosol e ABPM

O que o investidor estrangeiro enxerga

Instado pelo moderador a dizer o que o investidor estrangeiro olha primeiro no Brasil, Carvalho respondeu que, depois de entender a geologia, cujas informações hoje estão disponíveis à distância, ele quer saber se existe uma indústria de serviços capaz de sustentar a exploração e a implantação. Os estrangeiros se surpreendem, contou, ao visitar laboratórios que processam 1,3 milhão de amostras e empresas de sondagem com 1,5 milhão de metros perfurados. Ele lembrou a montagem da mina S11D, em Carajás, com 116 módulos do tamanho de prédios de quatro ou cinco andares montados com mão de obra treinada no país, e citou a Embraer como prova de capacidade industrial.

Os problemas que o investidor percebe, segundo Carvalho, são outros. O primeiro é a mão de obra: "Hoje em dia não são as pessoas que procuram emprego, é o emprego que procura as pessoas." O segundo é o custo de capital, que faz o dinheiro vir de fora, porque ninguém quer investir com juros de 12% quando lá fora eles estão entre 2% e 4%. O terceiro é o licenciamento. O quarto é a instabilidade institucional. Ele citou a criação do Conselho Nacional de Mineração na semana anterior ao evento, no qual o Ibram tem representação, e ideias anteriores de criar uma estatal do setor. "Essas questões que o governo vai criando assustam, afugentam todo e qualquer investidor que venha para cá."

Hélcio Guerra acrescentou que o subsolo pouco explorado tem um lado negativo, a falta de conhecimento, e um positivo, a oportunidade. Observou, porém, que o país ainda não encontrou outra mina como Paracatu. Os depósitos caracterizados até aqui são de porte médio-grande a médio-pequeno, o que pode ser uma característica geológica ou reflexo da própria imaturidade da exploração.

Engenharia antes da obra

Walace Monteiro, da MID Infraestrutura, engenheiro mecânico pela Universidade Federal de Juiz de Fora, pós-graduado em gestão de projetos pela FGV e com 25 anos de experiência em projetos no regime EPC, apontou um desperdício recorrente. Os projetos levam em média 15 ou 16 anos para sair do papel, mas esse tempo raramente é usado para investir numa engenharia de qualidade. A contratação de uma empresa capaz de detalhar o projeto costuma ficar para o fim da linha, com prazos quase inexequíveis, e o projeto acaba sendo tocado em fast track.

Walace Monteiro, da MID Infraestrutura.
Walace Monteiro, da MID Infraestrutura. Foto: Stefanne Senne

A alternativa que ele vem defendendo nos últimos três anos, junto a clientes e empresas de engenharia, é o envolvimento antecipado do construtor (early contractor involvement). A ideia é trabalhar ao máximo a modularização, a customização das especificações e a padronização, para que, no momento da decisão de implantação, o que chega ao canteiro seja cada vez mais engenheirado e pré-montado. Isso responde a uma restrição cada vez mais séria: a falta de mão de obra disponível. Os projetos de ouro costumam estar em locais pouco privilegiados, que exigem levar junto a infraestrutura para acomodar os trabalhadores. Guerra comentou que o conceito exige pensar o projeto de forma matricial, e não sequencial, até porque muitas vezes quem projeta não é quem constrói nem quem vai operar.

Mais adiante, perguntado sobre como uma empresa de serviços de engenharia, intensiva em mão de obra e em capital, mantém a competitividade num setor de altas e baixas, Monteiro disse que "a sabedoria está nas pessoas" e em retê-las para levar a cultura e as lições aprendidas de um projeto ao seguinte. O que vem funcionando, contou, é a meritocracia. No início de cada projeto são definidos cinco indicadores, medidos trimestralmente, e a remuneração variável, do chão de fábrica à coordenação, fica atrelada a cronograma, qualidade, segurança e custo. O modelo funciona como uma aliança que envolve toda a força de trabalho e tem mantido a rotatividade num patamar baixo. Monteiro lembrou projetos em que a rotatividade passou de 10%, com custo dobrado: o de repor o trabalhador e o do atraso no cronograma. "O custo que você tem precisa ser encarado como investimento na meritocracia, e ele é menor do que essas perdas."

Execução, pessoas e o caso Monte do Carmo

Ediney Drummond, country manager da Hochschild Mining no Brasil, responsável pela operação de Mara Rosa (GO) e pelo projeto Monte do Carmo (TO), concordou com a importância da maturidade de engenharia, mas disse que, superadas a engenharia e a questão do capital, o foco precisa ir para a capacidade de execução, que passa sobretudo por pessoas: primeiro para implantar e, depois, para operar.

Ediney Drummond, country manager da Hochschild Mining no Brasil.
Ediney Drummond, country manager da Hochschild Mining no Brasil. Foto: Stefanne Senne

Drummond descreveu uma rotatividade de pessoal "nunca vista" no setor, pelo menos nos anos em que ele atua, e que não é exclusividade de uma empresa. Pessoas que lideram processos importantes muitas vezes não tiveram tempo suficiente para se preparar. "Nós estamos queimando etapas por necessidade. Não é porque esse grupo aqui faz uma gestão ruim de pessoas." Segundo ele, isso coloca em xeque a continuidade plena de funcionamento de um projeto.

O segundo ponto crítico, disse, são os parceiros de serviço de longo prazo. Há alguns anos, prestadores de serviço ficavam dez ou 12 anos numa operação. Hoje, manter um contrato de três anos é difícil, e cada troca interrompe ciclos naturais de melhoria contínua e estabilidade. "Começa do zero."

Por fim, ele lembrou que um bom recurso geológico não é necessariamente um bom negócio. Ele só vira negócio quando as onças que estão na terra se transformam em "fluxo de caixa previsível, sustentável e seguro". Com uma operação em curso, um projeto greenfield prestes a sair e atenção ao mercado de aquisições, a Hochschild considera decisivo, na hora de avaliar um ativo no Brasil, saber em que estado ele está. "O Brasil é muito grande, existem muitos Brasis. Nós temos clareza na nossa visão onde queremos estar e onde temos reticências de estar."

O relato mais franco do painel veio quando Hélcio Guerra perguntou como conciliar crescimento, preservação de caixa e ciclo de mercado, num momento em que o preço desperta a vontade de crescer em acionistas e mercado ao mesmo tempo em que os custos sobem. "É o sanduíche, pressão de todo lado", respondeu Drummond. Ele contou que o projeto Monte do Carmo tem licença de instalação, capital, acesso à terra e boa relação com todos os órgãos públicos, mas ainda não tem um grau de maturidade de engenharia suficiente, e por isso a empresa decidiu não avançar. A pressão vem de analistas e grandes investidores, que perguntam em todas as conversas por que o projeto não andou. "Nós estamos sendo firmes e segurando para não avançar. Mas confesso a todos aqui que é difícil."

A cautela, explicou, vem da experiência de Mara Rosa, iniciada num contexto muito diferente e com um nível de maturidade de engenharia menos satisfatório. O projeto foi entregue no prazo e no orçamento, mas o ramp-up está levando muito mais tempo do que o normal, e a empresa teve de fazer, depois da entrada em operação, investimentos de capital que deveriam ter sido feitos na fase de projeto. Ediney lembrou que os projetos da empresa, ao contrário de Paracatu, são de pequena e média escala. "Um projeto de pequena escala não aceita desaforos. O grande também não, mas tem uma flexibilidade um pouco maior." Se fosse pelo preço do ouro, concluiu, a construção de Monte do Carmo já estaria a todo vapor.

“O preço alto do ouro não deve ser confundido com licença para investir mal.”
Ediney Drummond, Hochschild Mining

Juros reais, dólar e o custo do dinheiro no Brasil

Lucas Laghi, sócio e diretor de equity research da XP, onde lidera há mais de seis anos a análise dos setores de mineração, siderurgia, papel e celulose e bens de capital, respondeu à pergunta sobre se existe dinheiro para financiar projetos de ouro com uma leitura do cenário global. De um lado, guerras, conflitos, energia cara e tarifas americanas tornam o mundo cada vez mais inflacionário. De outro, investimentos trilionários em infraestrutura de inteligência artificial e data centers puxam capital, e os bancos centrais relutam em elevar demais os juros.

Lucas Laghi, sócio e diretor de equity research da XP.
Lucas Laghi, sócio e diretor de equity research da XP. Foto: Stefanne Senne

Em sua visão, o ouro é menos uma proteção contra a inflação do que uma proteção contra juros reais baixos ou negativos. "Juro real negativo é um demonstrativo de que aquela moeda não é capaz de reter valor", explicou, lembrando que essa característica sustentou o dólar como moeda de referência no último século. O simples fato de o mercado cotar o ouro em dólares por onça, observou, já mostra um dos motivos da alta: o dólar vem perdendo valor. Somam-se a isso a demanda de bancos centrais, a tendência de desdolarização e os fluxos para ETFs, vindos sobretudo da Ásia, mas também da Europa e dos Estados Unidos. Estes últimos são mais sensíveis a preço e mais voláteis: entram quando se espera alta e saem ao primeiro sinal de queda.

O principal risco, na avaliação de Laghi, está no petróleo. A alta da energia pressiona a inflação e pode forçar os bancos centrais a subir juros. Isso ainda não está acontecendo: nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump pressiona o presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, a baixar os juros, e ele tem resistido. O cenário de juros reais americanos continua favorável ao ouro.

No Brasil, o obstáculo é a Selic de 13,75%, que eleva o custo de oportunidade do investidor local, já tradicionalmente receoso com projetos pré-operacionais. No Canadá, os juros estão em 2,25%, e na Austrália, em 4,35%, o que explica o maior apetite por risco nesses mercados. Ainda assim, Laghi se disse otimista: mesmo com custos em alta, o preço atual garante "um baita retorno" para os projetos em implantação, e a XP vê crescimento de produção e de fluxo de caixa em várias empresas que acompanha. "O que falta fechar a equação são os juros."

O custo do dinheiro para um projeto de ouro
Taxa básica de juros, em % ao ano, nos mercados comparados pela XP
Brasil
13,75
Austrália
4,35
Canadá
2,25
Fonte: Lucas Laghi (XP), painel 1 do seminário Além das Onças, 22/9/2026.

Como o mercado precifica um projeto de ouro

Hélcio Guerra pediu ao analista que explicasse como o mercado precifica um projeto à medida que seus riscos vão sendo mitigados. Laghi descreveu a lógica. O ponto de partida é o fluxo de caixa potencial do projeto, considerando apenas as reservas e excluindo os recursos, trazido a valor presente com uma taxa de desconto proporcional ao estágio de risco. Empresas pré-operacionais listadas costumam valer de 20% a 30% desse valor presente, ou seja, negociam a um price to NAV de 0,2 a 0,3. À medida que o projeto obtém licenças, corrobora a engenharia e começa a produzir, o múltiplo se aproxima de 1.

Com um histórico de exploração que compense a exaustão natural do ativo convertendo recursos em reservas, o mercado passa a incluir os recursos na conta. As grandes produtoras, acima de um "número mágico" de cerca de 1 milhão de onças anuais que permite modelar perpetuidade, costumam negociar acima do NAV, a 1,2 ou 1,3 vez, porque o mercado passa a pagar por crescimento, por fusões e aquisições e por novos projetos. "É o que você falou: vai passando de fase."

Quanto o mercado paga em cada fase
Valor de mercado dividido pelo valor presente das reservas (price to NAV). Acima de 1, o mercado paga também pelo crescimento
Pré-operacional listada
0,2-0,3
Licenciada e em produção
~1,0
Majors acima de 1 milhão de onças/ano
1,2-1,3
Fonte: Lucas Laghi (XP), painel 1 do seminário Além das Onças, 22/9/2026.

Guerra complementou com o conceito de opcionalidade, que considera fundamental a partir da própria carreira. Ter recursos geológicos trabalhados, plantas modulares que permitam ganhar escala e projetos brownfield, e não apenas greenfield, permite responder rapidamente a uma alta de preços. "Em vez de estar consumindo capex, você está gerando resultado com o próprio negócio."

No encerramento do painel, foi perguntado a Laghi qual seria o impacto de um movimento de países para retirar suas reservas de ouro custodiadas nos Estados Unidos. O analista disse não ter uma visão clara, mas observou que, no ouro, a oferta tende a pesar menos na formação de preço que a demanda de investimento e de bancos centrais. A questão central, disse, é quem substituirá o dólar como reserva de valor. Entre o ouro, o yuan e as criptomoedas, ele se disse mais propenso ao ouro, por sua característica intrínseca de escassez, mas ponderou que é difícil apostar contra o dólar e que muito do cenário atual está ligado ao governo Trump, cujo futuro será testado nas eleições de meio de mandato, em novembro. Ele lembrou ainda que a China tem acelerado as compras de ouro por seu banco central.

O recado do painel

Ao fim do debate, a síntese possível era de que o Brasil tem geologia, cadeia de serviços e exemplos de implantação rápida, mas só vai transformar o ciclo de preços em novas minas se tratar o tempo de desenvolvimento como ativo: usar os anos de licenciamento para amadurecer a engenharia, formar e reter pessoas, dar previsibilidade às regras e reduzir o custo do dinheiro para quem assume o risco de um projeto pré-operacional.

Esta matéria faz parte da cobertura da Brasil Mineral sobre o seminário "Além das Onças", publicada em cinco partes. Leia também:

Galeria de fotos
Painel 1: da prospecção à mina135 fotos · Fotos: Stefanne Senne

Patrocínio do seminário

Patrocinadores Master
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Realização
  • Brasil Mineral
Apoio
  • Mattos Filho
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