Para Ana Cabral-Gardner, Brasil pode ser potência verde

30/10/2021
País pode se tornar um grande exportador global de insumos de lítio ambientalmente sustentáveis.

Em apresentação para a Comissão de Minas e Energia do Congresso Nacional, durante um seminário sobre o papel da Mineração na descarbonização global organizado pelo IBRAM (Instituto Brasileiro de Mineração) e pela Comissão de Minas e Energia na Câmara dos Deputados do Congresso Brasileiro, liderada pelo deputado Édio Lopes, a Co-CEO da Sigma Lithium, Ana Cabral-Gardner, disse que o Brasil possui uma oportunidade única de se tornar um grande exportador global de insumos de lítio ambientalmente sustentáveis, e tecnologicamente avançados, além de exercer papel de protagonista na transição energética global para carbono zero. "O país já é um polo de investimentos globais, que estão redesenhando a base socioeconômica do Vale do Jequitinhonha, numa transformação de uma das regiões mais pobres do mundo no semiárido norte do estado de Minas Gerais para o "Vale do Lítio", disse Ana, que também irá palestrar na COP26 em Glasgow, na Escócia. 

Recentemente, Ana participou do Diálogo de Alto Nível das Nações Unidas sobre Energia, onde disse que países produtores de lítio irão ganhar relevância e importância no cenário global durante a próxima década na corrida para a descarbonização. Diversos países da Europa, Ásia e os Estados Unidos já investiram cerca de US$ 20 bilhões nos últimos anos na produção de baterias de lítio e seus respectivos insumos como prioridade máxima para atender à necessidade de eletrificação de suas frotas de veículos, cuja maioria ainda é altamente poluente. No Brasil, Ana diz que a Sigma lidera o projeto de descarbonização, pois a empresa já tem 88% dos carros limpos e sustentáveis "flex", movidos a etanol biocombustível. "O crescimento nas vendas de veículos elétricos na Europa, Ásia e Estados Unidos representa uma oportunidade fantástica para o Brasil se posicionar como uma potência de lítio verde, fornecendo insumos de lítio para a fabricação de baterias que irão possibilitar a conversão do transporte global para carbono zero", acrescenta. 

Segundo Ana, o Brasil tem lítio para exportar, entretanto este mercado não irá permanecer por muito tempo, já que o lítio é um mineral abundante e barato e pode ser encontrado em diversos lugares do mundo. “Outros países como a Argentina e Chile já são produtores estabelecidos e possuem um marco regulatório amadurecido e compatível com a aceleração da transição energética, consequentemente atraindo investimentos significativos". 

A Sigma Lithium investirá cerca de R$ 560 milhões para desenvolver tecnologia verde inovadora para produzir lítio para baterias através de métodos ambientalmente sustentáveis, alcançando os níveis de alta pureza exigidos pelos maiores produtores globais de baterias avançadas, conquistando como clientes o líder mundial LG Energy Solution, que fornece baterias de lítio para a GM, VW, Stellantis, Porsche e Audi.  "O Brasil tem uma oportunidade incrível de se juntar aos nossos vizinhos na América do Sul, Chile e Argentina, que desenvolveram sua indústria de lítio e são grandes exportadores globais de lítio. Ao longo dos anos, eles têm recebido bilhões de dólares de investimentos. Chegou a hora de o Brasil capturar sua parcela justa desses investimentos para desenvolver nossa combalida região do Vale do Jequitinhonha", diz a executiva.

Ana concluiu que ao tornar-se uma potência exportadora de lítio, o Brasil irá atrair investimentos, negócios, empregos e receitas tributárias significativas, que contribuirão para alavancar outros projetos setoriais para o desenvolvimento no norte de Minas Gerais. "Nesse sentido, criamos uma Agência Privada de atração de investimentos regionais com o objetivo de potencializar a instalação de outros projetos na região. "Acreditamos que esta ilustre Comissão do Congresso Nacional e o IBRAM têm uma importante oportunidade para apoiar esta nova indústria, eliminando restrições burocráticas e melhorando o ambiente de negócios para atrair investimentos e empregos para elevar a empobrecida região do Vale do Jequitinhonha, enquanto ajuda o Brasil a assumir a liderança na descarbonização global e na transição energética, fortalecendo as relações estratégicas com todos os governos do mundo que precisam descarbonizar suas frotas para contribuir para um planeta mais verde nesta década", concluiu.