
Integratio aponta oportunidades crescentes no setor de lítio, mas destaca desafios como a complexidade da legislação ambiental brasileira e a instabilidade jurídica que limitam novos empreendimentos.
Mara Fornari
As percepções são diferentes e as expectativas também dentro da expertise de cada um, apesar de a maioria das empresas de engenharia e consultoria mineral classificar que o mercado vive hoje um momento melhor. Um entusiasmo contido que leva em conta velhos problemas do setor como a instabilidade jurídica, a falta de mão de obra qualificada, capacidade técnica e inovação tecnológica.
Para a Integratio, especializada em consultoria de gestão socioambiental, o mercado está estável e, embora haja flutuações pontuais, as oportunidades em 2024 não diferem significativamente dos anos anteriores. De acordo com a Consultoria, houve uma redução na demanda das mineradoras em relação às legislações de barragens, onde muitas empresas optaram por internalizar seus processos. Mas também surgiram oportunidades no setor do Lítio, movimentando e aquecendo o mercado. O setor mineral é conhecido por sua ciclicidade, influenciado por mudanças regulatórias e novas descobertas, mas no geral permanece estável. A análise é influenciada pela demanda variável em diferentes áreas ao longo do tempo, refletindo a natureza cíclica do mercado mineral.
Como desafio, a Integratio cita a complexidade da legislação ambiental brasileira, que pode limitar o desenvolvimento de novos empreendimentos. A instabilidade legislativa e o alto nível de burocracia também representam obstáculos significativos para a implementação de projetos. Além disso, a infraestrutura precária, a imagem negativa associada ao setor mineral e os conflitos com comunidades são aspectos importantes que precisam ser enfrentados. Quanto às perspectivas, a consultoria classifica como promissoras, desde que haja investimentos contínuos em infraestrutura e seja dada celeridade à avaliação dos processos de licenciamento ambiental, sem deixar de ser rigorosa nas áreas que devem ser, trazendo mais segurança jurídica aos investidores. As empresas devem operar em harmonia com os princípios de desenvolvimento sustentável, incluindo a consideração de objetivos globais como os ODS, ESG e diversidade. A transição energética também depende do setor mineral para fornecer os recursos necessários, destacando a importância contínua desse mercado.
Construtora para infraestrutura e com unidade própria de Geotecnica, mineração é um dos focos de atuação da SEEL Engenharia, empresa com 31 anos de experiência no mercado nacional. De acordo com Eduardo Teixeira, Head da Unidade de Negócios, após um período de estabilidade o mercado está novamente aquecido, com boa perspectiva de aumento da demanda: “é previsto um crescimento exponencial na demanda global por bens minerais, principalmente aqueles estratégicos para a transição energética, tais como o lítio, cobre, níquel, tântalo, cobalto, nióbio, entre outros. O Brasil, detentor de reservas substanciais desses materiais, está em posição privilegiada para expandir sua participação no mercado. A engenharia será muito demandada para esses novos desafios com a expansão de sites de mineração e criação de novos polos de extração”
Mas, para dar conta do que está por vir, Eduardo diz que são necessárias a implementação de novas tecnologias, a adoção de práticas mais sustentáveis, qualificação profissional dos responsáveis por estas entregas, e trabalhos com cada vez mais responsabilidade social e ambiental, “buscando sempre reduzir os impactos por meio de práticas de mineração responsáveis, uso eficiente dos recursos, recuperação de áreas degradadas e redução das emissões de gases de efeito estufa”.
Veja a matéria completa na edição 438 de Brasil Mineral
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