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Câmara Comércio França-Brasil lança Comissão de Mineração

Por Redação Brasil Mineral•
Câmara Comércio França-Brasil lança Comissão de Mineração

Comissão pretende aproximar ecossistemas minerários dos dois países e desenvolver projetos relacionados a terras raras e transição energética.

A Câmara de Comércio França-Brasil de Minas Gerais lançou, 26 de agosto, a Comissão de Mineração, durante evento na SKEMA Business School, em Belo Horizonte. A iniciativa pretende aproximar os ecossistemas minerários francês e brasileiro, estimular negócios e desenvolver projetos relacionados aos minerais críticos, às terras raras e à transição energética. Naa ocasião foram assinados acordos de cooperação com a Fundação Gorceix, o Sindicato da Indústria Mineral do Estado de Minas Gerais (Sindiextra) e a SKEMA. As parcerias abrangem formação profissional, pesquisa, inovação e integração com a indústria. A comissão também anunciou seu primeiro evento dedicado aos minerais críticos e às terras raras ainda em 2026.

Para Alessandra Sampaio, presidente da Câmara de Comércio França-Brasil em Minas Gerais, a comissão marca uma aproximação estruturada da entidade com um dos setores mais estratégicos para o desenvolvimento do Estado. “Não queremos criar apenas mais um espaço de debate. Nossa ambição é estabelecer uma plataforma permanente de conexão entre empresas, governos, instituições de pesquisa e entidades representativas”, afirmou. A presidente diz que a proposta é transformar “diálogo em cooperação, conhecimento em projetos e relações institucionais em oportunidades concretas para os dois países”. Ela ressaltou ainda que a iniciativa parte de Minas Gerais, mas pretende contribuir para uma discussão que ultrapassa fronteiras e ocupa posição central na agenda econômica e geopolítica mundial. Presidente da comissão, Philippe Dozolme destacou a posição estratégica do país diante da crescente disputa internacional por minerais. “O Brasil não precisa procurar parceiros; ele os escolhe. Não se trata apenas de garantir acesso a um recurso, mas de consolidar a relação entre dois países amigos, com interesses e uma história em comum”, declarou.

A secretária de Estado de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais, Mila Corrêa da Costa, comentou sobre o protagonismo mineiro no setor e o apoio do Governo de Minas à iniciativa. “A mineração está no DNA, no nome e na identidade de Minas Gerais. O desafio é avançarmos da condição de produtores de matérias-primas para uma indústria capaz de agregar conhecimento e valor aos minerais críticos e às terras raras”, disse. Minas Gerais responde por 45% da arrecadação nacional da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM) e registrou aproximadamente R$ 120 bilhões em produção mineral em 2025. Mila também destacou a França como referência na revitalização de territórios após o encerramento de atividades minerárias.

Benjamin Gallezot, delegado interministerial da França para o abastecimento de minerais e metais estratégicos, afirmou que a cooperação deve alcançar toda a cadeia produtiva. “Nosso objetivo não é apenas celebrar bons acordos entre países, mas fazer os projetos avançarem rapidamente”, declarou. Ele ressaltou o potencial de Minas para desenvolver, além da extração, o refino de terras raras e a fabricação de componentes de maior valor agregado. O Ministro-conselheiro para Assuntos Econômicos da Embaixada da França no Brasil, Philippe Gassmann afirmou que os minerais estratégicos estão entre os principais temas da cooperação bilateral. “Temos muito a fazer em conjunto para o desenvolvimento das indústrias brasileira e francesa. Estaremos ao lado da comissão para apoiar seu trabalho e apresentar novas ideias”, disse.

A comissão é liderada por Dozolme e pelos vice-presidentes Loïs Panchevre, da Eramet; Sébastien Dupont, da SYSTRA; e Edilson Zanardi, da SNEL. O grupo reúne experiências em exploração e processamento mineral, infraestrutura, tecnologia, automação, sustentabilidade e desempenho ESG. Panchevre destacou a complementaridade entre as riquezas minerais brasileiras e a indústria francesa. Para Dupont, a comissão será um fórum permanente entre governos, empresas, universidades e centros de pesquisa. Diretor do Sindiextra, Cristiano Parreiras também ressaltou a relação histórica da mineração e da siderurgia mineiras com as empresas francesas.

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