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EXPOSIBRAM 2026

Como transformar potencial mineral em desenvolvimento econômico?

Por Redação Brasil Mineral
Como transformar potencial mineral em desenvolvimento econômico?

Painel durante a Exposibram 2026 discutiu caminhos para transformar potencial mineral em desenvolvimento econômico e segurança estratégica.

A crescente disputa global por minerais críticos, impulsionada pela transição energética, pela eletrificação da economia e pelo avanço da inteligência artificial, está colocando o Brasil em uma posição estratégica cada vez mais relevante. Mas transformar potencial geológico em liderança global exige mais do que recursos minerais abundantes: requer previsibilidade regulatória, integração entre governo e iniciativa privada, infraestrutura, agregação de valor e políticas de longo prazo.

Esses foram alguns dos principais pontos debatidos durante o segundo talk-show de abertura da Exposibram 2026 sobre o tema “Mineração e Geopolítica”, que reuniu Anderson Barreto Arruda, secretário nacional de Geologia, Mineração e Transformação Mineral do Ministério de Minas e Energia (MME); Ana Sanches, presidente da Anglo American Brasil e do Conselho Diretor do IBRAM; Eduardo de Come, vice-presidente da Ero Copper; Kaiser Gonçalves de Souza, da Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos (ISA); Leandro Chiardelli, CEO da Mineração Usiminas; e Luciano Francisco Alves, CEO da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA).

Ao abrir o debate, Anderson Arruda destacou que a mineração voltou ao centro da agenda estratégica do País e que o governo busca transformar esse protagonismo em políticas públicas capazes de atrair investimentos e fortalecer cadeias produtivas. Segundo ele, o Brasil é visto internacionalmente como um fornecedor confiável de matérias-primas minerais e possui condições de avançar para etapas de maior valor agregado.

Para Ana Sanches, a geopolítica transformou profundamente o papel da mineração no cenário global. Se no passado a soberania estava associada principalmente ao território, hoje ela envolve tecnologia, energia, indústria e defesa. Nesse contexto, os minerais ganharam importância estratégica para governos e investidores.

A executiva ressaltou que empresas globais disputam recursos de investimento internamente e que a previsibilidade é um dos principais fatores considerados pelos acionistas ao definir onde alocar capital. Embora o Brasil disponha de grande riqueza mineral, isso por si só não garante a atração de investimentos.

“Não basta ter a oportunidade. O projeto precisa sair do papel e se tornar realidade”, resumiu Ana Sanches ao defender maior alinhamento entre setor privado e governo para transformar potencial em empreendimentos concretos.

O cobre no centro da transição energética

A importância estratégica do cobre foi destacada por Eduardo de Come, da Ero Copper. Segundo ele, além da demanda já impulsionada por veículos elétricos, energia solar e energia eólica, o crescimento acelerado da inteligência artificial e dos centros de processamento de dados está criando uma nova pressão sobre o consumo do metal.

O executivo avalia que o Brasil reúne vantagens importantes para ampliar sua participação nesse mercado, incluindo conhecimento tecnológico, instituições consolidadas e disponibilidade de recursos minerais. No entanto, para que novos projetos avancem, será necessário ampliar a coordenação entre os diferentes níveis de governo e garantir maior previsibilidade regulatória.

Eduardo também chamou atenção para um aspecto pouco discutido da cadeia do cobre: embora o Brasil produza mais cobre do que consome, exporta praticamente toda a sua produção na forma de concentrado e depende da importação de cobre refinado. Em um cenário de crescente tensão geopolítica, essa dependência pode representar um risco estratégico para o país.

O potencial dos oceanos

Outro tema que ganhou espaço no debate foi a mineração em águas internacionais. Kaiser Gonçalves de Souza apresentou o trabalho da Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos, organismo vinculado à Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar responsável por regular atividades de pesquisa mineral em áreas oceânicas fora das jurisdições nacionais.

Segundo ele, diversos países já desenvolvem pesquisas voltadas para recursos minerais encontrados nos fundos oceânicos, incluindo nódulos polimetálicos ricos em manganês, níquel, cobre e cobalto, além de depósitos contendo elementos de terras raras e outros minerais considerados estratégicos para a transição energética.

Para o representante da ISA, o Brasil precisa se posicionar desde já nesse debate, investindo em pesquisa mineral e geração de conhecimento científico para garantir espaço em um mercado que poderá ganhar relevância nas próximas décadas.

Agregar valor à produção mineral

A necessidade de ampliar o processamento mineral dentro do país também foi defendida por Leandro Chiardelli, da Mineração Usiminas. O executivo destacou que o Brasil produz cerca de 420 milhões de toneladas de minério de ferro por ano, mas gera apenas uma fração desse volume em aço, o que significa que grande parte do valor agregado é capturada por outros países.

Na avaliação de Chiardelli, ampliar a industrialização passa por investimentos em logística, melhoria do ambiente regulatório e mecanismos que fortaleçam a competitividade da indústria nacional. O executivo também apontou a formação de mão de obra qualificada como um dos desafios para o futuro da mineração brasileira.

Alumínio de baixo carbono como diferencial competitivo

Luciano Francisco Alves destacou que a cadeia do alumínio brasileira é um exemplo de verticalização industrial bem-sucedida, reunindo desde a mineração da bauxita até a produção de alumínio primário e produtos transformados.

Para ele, o diferencial competitivo do Brasil está na combinação entre recursos minerais abundantes e uma matriz energética renovável, capaz de viabilizar a produção de metais com menor pegada de carbono. Embora esse atributo ainda não seja plenamente remunerado pelo mercado, ele já se traduz em maior competitividade e segurança de fornecimento.

O executivo também defendeu uma integração mais forte entre política mineral, política industrial e política energética para que o país aproveite plenamente suas vantagens competitivas e atraia novos investimentos para a expansão da cadeia do alumínio.

Na reta final do painel, os participantes convergiram em um ponto: o futuro da mineração brasileira dependerá não apenas da existência de recursos minerais, mas também da capacidade do país de construir um ambiente favorável aos investimentos, desenvolver cadeias produtivas mais sofisticadas e fortalecer a percepção da sociedade sobre a importância estratégica do setor.

A avaliação predominante foi que o Brasil reúne condições únicas para se tornar protagonista em uma economia global cada vez mais dependente de minerais críticos. O desafio agora é transformar esse potencial em projetos concretos, inovação, industrialização e desenvolvimento sustentável de longo prazo.

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