
Processo hidrometalúrgico já gerou 40 t de concentrado vendável com menos de 0,25% de arsênio e pode abrir jazidas hoje rejeitadas pelas fundições
A Fortescue comercializou mais de 40 toneladas de concentrado de cobre tratado com sua nova tecnologia pioneira de remoção de arsênio, denominada e patenteada Toowong Process. A tecnologia utiliza um método hidrometalúrgico de baixa temperatura e baixa pressão para separar o arsênio do concentrado de cobre. A empresa adquiriu a tecnologia em 2022 e, desde então, tem desenvolvido e realizado testes em sua planta de demonstração em Brisbane, na Austrália. Ao longo de sete campanhas de testes, que totalizaram mais de três mil horas de operação, o Toowong Process reduziu os níveis de arsênio nos concentrados para menos de 0,3%, preservando mais de 99,9% do cobre.
O arsênio tem sido um dos principais obstáculos ao aproveitamento de novos recursos de cobre em todo o mundo, e sua remoção tem dependido de processos de ustulação e um consumo extremamente elevado de energia. A ustulação gera emissões significativas de poluentes, exige uma infraestrutura complexa e produz emissões de gases e materiais particulados tóxicos contendo compostos de arsênio solúveis em água, que precisam ser devidamente controlados.
O Toowong Process tem demonstrado ser uma alternativa economicamente viável, com custos de investimento e operação comparáveis aos métodos convencionais, maior rendimento e menor consumo de energia e geração de emissões. As primeiras 40 toneladas de concentrado de cobre tratado, produzidas na unidade da Fortescue em Brisbane, apresentaram teor de arsênio inferior a 0,25%, após o processamento de matérias-primas que continham até 7% do contaminante. O produto já foi comercializado, demonstrando que o Toowong Process é capaz de produzir concentrado de cobre comercializável e competitivo a partir de materiais com elevados teores de arsênio. “A tecnologia e a inovação estão no centro do crescimento futuro da Fortescue. Identificamos problemas que outros enxergam como barreiras e buscamos maneiras de solucioná-los”, disse Gus Pichot, CEO de Crescimento e Energia da Fortescue. “Nos primeiros anos de atuação no setor de minério de ferro, a Fortescue desafiou a ideia de que depósitos de menor teor não poderiam ser desenvolvidos de maneira competitiva. O Toowong Process aplica essa mesma visão ao cobre”.
Segundo Pichot, a tecnologia tem potencial para tornar depósitos com elevados teores de arsênio mais viáveis economicamente, enfrentando importantes desafios de processamento e, ao mesmo tempo, eliminando emissões. “O mundo precisa de mais cobre para desenvolver projetos de energia renovável e expandir as redes elétricas. As inovações da Fortescue serão fundamentais para viabilizar o aproveitamento dos recursos capazes de atender a essa demanda”, afirmou Pichot. A Fortescue poderá considerar o uso da tecnologia na exploração de depósitos de cobre em diferentes partes do mundo, e a inovação pode ter enorme importância para o setor e para outras empresas da indústria.
A previsão é de que a demanda global por cobre cresça mais de 50% até 2050, alcançando pelo menos 50 milhões de toneladas por ano. Para atender a essa demanda, os depósitos existentes de minério com baixos níveis de impurezas estão sendo progressivamente esgotados, levando os produtores a explorar e desenvolver jazidas mais complexas, que podem apresentar concentrações mais elevadas de contaminantes, incluindo o arsênio. Até agora, a presença de arsênio tem inviabilizado a comercialização de determinados concentrados de cobre, com fundições se recusando a receber o produto ou impondo penalidades financeiras elevadas, o que reduz o valor comercial do produto. Teores elevados de arsênio também podem limitar o planejamento das operações de mineração, quando o material precisa ser misturado a outros concentrados, tratado ou excluído do processo produtivo.
A tecnologia da Fortescue tem potencial para:
- melhorar a comercialização do concentrado de cobre, uma vez que a remoção do arsênio transforma concentrados que antes não tinham viabilidade comercial em produtos que podem ser vendidos;
- ampliar as reservas economicamente aproveitáveis, o desenvolvimento de projetos e a produção, já que, com menos restrições relacionadas ao arsênio, os produtores podem otimizar seus inventários de minério, reduzir custos de desenvolvimento e melhorar a produção ao longo da vida útil das operações;
- reduzir os impactos ambientais quando comparado à ustulação. O processo consome menos energia, gera menos emissões e permite capturar o arsênio em um produto sólido e estável.
A Fortescue continua aprimorando o Toowong Process e avançando no desenvolvimento de sua engenharia para aplicação comercial, com foco na redução adicional dos custos de investimento e operação. O trabalho engloba testes com concentrado produzido pelo Projeto de Cobre Cañariaco, da Fortescue, no Peru. Em Cañariaco, o processo tem potencial para gerar valor significativo ao tornar comercializável uma parcela maior do concentrado produzido pelo projeto. Isso poderá contribuir para a conversão de mais recursos minerais em volumes economicamente aproveitáveis, além de permitir um planejamento de lavra mais flexível, com custos reduzidos e maior produção ao longo da vida útil do projeto.







