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Lundin Mining investirá US$ 110 milhões no projeto Saúva e expansão de Chapada

Por Redação Brasil Mineral
Lundin Mining investirá US$ 110 milhões no projeto Saúva e expansão de Chapada
Itamar Machado, Diretor-Presidente da Lundin Mining no Brasil

Empresa canadense avança no licenciamento de novo depósito em Goiás, prevê incremento de 30% na produção de cobre a partir de 2029 e duplica orçamento de exploração para 8 milhões de dólares.

A Lundin Mining está acelerando sua estratégia de crescimento no Brasil. Com o Projeto Saúva em fase de factibilidade e o EIA-RIMA já protocolado na Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais (SEMAD), a mineradora canadense traça um cronograma ambicioso: ter o primeiro minério extraído do novo depósito na primeira metade de 2029. O anúncio foi feito por Itamar Machado, Diretor-Presidente da Lundin Mining no Brasil, em entrevista à Brasil Mineral, na qual detalhou os planos de expansão, os investimentos aprovados e a visão de longo prazo da companhia para sua operação brasileira ancorada na Mina Chapada, em Goiás.

Saúva entra no relógio do licenciamento

O passo decisivo já foi dado. Segundo Itamar Machado, o Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto ao Meio Ambiente (EIA-RIMA) do Projeto Saúva foi concluído e entregue à SEMAD há cerca de um mês no momento da entrevista. A partir desse protocolo, começa a correr o prazo legal de análise do órgão ambiental.

"O EIA-RIMA é o primeiro passo. Estamos aí no processo de licenciamento que foi entregue, tem um mês, somente um mês. Então tem todo o processo natural da SEMAD que temos de aguardar, claro, mas temos um cronograma vinculado ao prazo máximo da SEMAD para operação de Saúva ainda para 2029", afirmou Machado.

Do ponto de vista técnico e econômico, o estudo de factibilidade do projeto deve ser concluído ainda no corrente ano. O executivo não escondeu o otimismo com o que os furos de sondagem revelaram: os teores de Saúva são mais que o dobro dos atualmente praticados em Chapada. Enquanto a mina em operação trabalha com um minério de 0,25% a 0,26% de cobre e 0,15% a 0,16% de ouro, Saúva apresenta uma média de 0,48% de cobre, uma diferença que muda radicalmente a equação econômica da operação.

30% a mais de cobre, 67% a mais de ouro

O impacto produtivo do novo depósito é expressivo. A Lundin Mining Chapada produz atualmente cerca de 45 mil toneladas de cobre por ano. Com a entrada em operação de Saúva, prevista para 2029, a empresa passará a produzir 15 mil toneladas adicionais do metal, um salto de 30% na produção de cobre, elevando o total para 60 mil toneladas anuais.

O ouro também será impactado de forma relevante. A produção atual de aproximadamente 60 mil onças por ano deve chegar a 100 mil onças com a contribuição de Saúva, um incremento da ordem de 67%.

O projeto está localizado a aproximadamente 15 quilômetros da planta de beneficiamento de Chapada e será tratado pela companhia como um empreendimento quase greenfield, inclusive com processo de licenciamento ambiental independente. Para a fase inicial de quatro a cinco anos, o transporte do minério entre o depósito e a usina será feito por caminhões, em operação terceirizada, percorrendo a estrada que liga os dois pontos. Machado reconheceu que o modal rodoviário não é o mais econômico e sinalizou que, a depender da evolução geológica do projeto, outras soluções de transporte poderão ser avaliadas no futuro.


Novo moinho e 110 milhões de dólares em investimentos

Para receber o minério mais rico de Saúva sem desperdiçar o potencial metalúrgico do depósito, a Lundin precisará adaptar sua planta de beneficiamento e o investimento já está aprovado pelo board da empresa. O plano prevê a adição de um segundo moinho de bolas à estrutura atual, que já opera bem acima de sua capacidade original.

A usina foi projetada para processar 16 milhões de toneladas por ano, mas hoje trata 24 milhões de toneladas graças a uma série de melhorias operacionais acumuladas ao longo dos anos. O problema é que, com o aumento de tonelagem, a granulometria de moagem ficou mais grossa — atualmente em torno de 300 micras —, o que compromete a liberação e recuperação dos minerais de valor.

"Com o Saúva chegando, que tem um teor maior, não podemos continuar nisso. Então estamos adicionando um moinho de bolas a mais. Vamos seguir passando as mesmas 24 milhões de toneladas, mas com uma moenda mais fina. Como vão ser dois moinhos, o mesmo tempo de moenda vai dividir o fluxo e vai moer mais fino, a 150 micras. Com isso libera mais o cobre e o ouro, vamos melhorar a recuperação em alguns pontos importantes, para não perder o minério rico que está vindo de Saúva", explicou o diretor-presidente.

O investimento total aprovado para os dois projetos — Saúva e o novo moinho — soma 110 milhões de dólares. A expansão da planta, incluindo o moinho adicional, consome entre 60 e 65 milhões de dólares. Já o desenvolvimento do Projeto Saúva está orçado em cerca de 40 milhões de dólares. Em 2024, os desembolsos combinados para as duas frentes estão na ordem de 40 milhões de dólares.

Machado também garantiu que a adição do moinho não exigirá uma reconfiguração radical do processo metalúrgico. A geologia de Saúva é suficientemente similar à de Chapada para que o fluxograma atual seja aproveitado, com os ajustes de granulometria sendo o principal vetor de ganho. Um estudo de identificação de gargalos (bottleneck) está em andamento para assegurar que a liberação adicional dos minerais seja acompanhada de capacidade de recuperação equivalente.

"Vão ser mudanças menores, porque a geologia é muito similar. Vamos trazer mais teor, mas não estamos falando de uma planta nova, de coisas futurísticas. O moinho é justamente para moer mais fino", reafirmou.

Exploração dobra: 8 milhões de dólares e 40 mil metros de sondagem

O entusiasmo com o potencial geológico da área não ficou restrito ao projeto já delineado. A Lundin Mining também anunciou a duplicação do orçamento de exploração para o exercício seguinte ao da entrevista, passando de 4 milhões para 8 milhões de dólares — uma iniciativa que, segundo Machado, partiu espontaneamente da matriz canadense, sem pressão da operação brasileira.

"O corporativo teve a iniciativa, não foi nenhuma solicitação nossa diretamente, de colocar mais milhões de dólares para exploração de Saúva com mais perfuração a diamante e também já dobrou o orçamento para o ano que vem, para seguir com exploração mais detalhada", revelou.

O programa de sondagem correspondente deve atingir aproximadamente 40 mil metros, com cerca de 80% desse esforço concentrado na área de Saúva e o restante em Chapada. O diretor-presidente ressaltou que a área do projeto abriga alvos geológicos ainda não perfurados, e que a atual campanha de exploração está sendo conduzida de forma mais agressiva justamente para avaliar se a vida útil do depósito pode superar as estimativas iniciais de quatro a cinco anos.

"O potencial dessa Saúva de 4, 5 anos é crescer à medida que a gente vai conhecendo melhor a geologia", projetou Machado.

25 anos de reservas e visão de longo prazo

O quadro mais amplo da operação Chapada também foi apresentado. Com as reservas atuais, a mina tem horizonte de operação superior a 25 anos. A Lundin emprega diretamente 1.300 pessoas e mobiliza outros 1.500 trabalhadores terceirizados, totalizando cerca de 3.000 pessoas na operação. A operação da mina é majoritariamente própria — a única atividade relevante terceirizada no lavra é o desmonte externo —, e a companhia mantém parceiros especializados para atividades como a construção e o crescimento da barragem de rejeitos, que também recebe investimentos em um novo sistema de bombeamento para substituir o transporte por caminhões no seu perímetro.

Questionado sobre a possibilidade de mineração subterrânea no futuro, Machado disse que é um horizonte contemplado no planejamento de longo prazo, mas não há projeto iminente nessa direção. A prioridade é maximizar a vida útil da mina a céu aberto, que permite movimentar volumes de minério incompatíveis com a escala de uma operação subterrânea.

"Subterrânea, sim, vai fazer parte de um life of mine, mas no momento não temos nenhum projeto indicando que será subterrânea. No futuro, sim, é considerado, como toda mineração", ponderou.

Brasil como vetor de crescimento global

O contexto macroeconômico reforça as apostas da companhia. Com o cobre negociado entre 13 e 14 mil dólares por tonelada – já tendo tocado 19 mil dólares em picos recentes — e com a demanda estrutural pelo metal impulsionada pela eletrificação da economia e pela expansão da infraestrutura digital, incluindo data centers de inteligência artificial, a janela de investimento é considerada favorável.

"É o momento de investir. O mundo cada vez precisa mais de cobre, com toda essa eletrificação e toda a tecnologia que vem. Cobre sempre vai ser requerido pelo mercado. E a Lundin acredita nisso, coloca o dinheiro, tem uma equipe muito boa em Chapada", afirmou Machado.

O executivo também fez questão de destacar o papel da gestão operacional rigorosa para manter Chapada rentável apesar dos baixos teores. "Não é fácil operar uma mina com 0,25% de cobre. Eu trabalhei em algumas minas na África a 4% de cobre. A barragem de rejeito é mais rica que os nossos recursos aqui. Então, se não fosse a equipe, não teria mina", disse, encerrando com elogio à equipe local.

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