Fiemg debate transformação de rejeitos em coprodutos
A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) realizou dia 24 de abril o ‘Imersão Indústria’, evento com um painel dedicado ao tema “Inovação e Circularidade na Valorização de Rejeitos”. A discussão reuniu especialistas para debater caminhos estratégicos para a transição do setor mineral rumo a um modelo de economia circular. Participaram do painel Mariana Gazire Lemos, especialista Sênior em Geometalurgia da AngloGold Ashanti; Tayná Souza, coordenadora de P&D do ISI Processamento Mineral no CIT Senai; Thales Nicoli, gerente de Soluções de Rejeitos na Anglo American; e Isabela Correia Costa, engenheira de Inovação – P&D na Nexa Resources.
O painel abordou de desafios técnicos e regulatórios na gestão do ciclo de vida dos rejeitos até o papel da geometalurgia e da mineralogia na identificação de oportunidades de reaproveitamento ainda nas etapas iniciais do processo produtivo. Além disso, o debate explorou o grau de maturidade do setor diante da agenda de circularidade, destacando a importância de parcerias com institutos de pesquisa para mitigação de riscos tecnológicos e avanço de soluções inovadoras. “Estamos avançando de forma consistente na transição de um modelo baseado no armazenamento para uma lógica de valorização. O rejeito deixa de ser visto como passivo e passa a ser tratado como coproduto, com potencial de aplicação industrial e geração de novos negócios”, afirmou a especialista Sênior em Geometalurgia da AngloGold Ashanti, Mariana Gazire Lemos.
A AngloGold Ashanti tem investido nessa estratégia a partir de pilares que integram inovação, segurança e sustentabilidade. Um dos destaques é a transformação do rejeito em coproduto, com iniciativas como o projeto Mineração que Constrói Caminhos, que viabiliza o uso de estéril e rejeito na produção de blocos de concreto e misturas asfálticas, podendo assim reduzir a pressão sobre estruturas de disposição e ampliando a inserção da mineração na cadeia da construção civil. “Outro eixo relevante é o uso da geometalurgia como ferramenta para garantir a qualidade e a previsibilidade desses materiais, por meio do mapeamento mineralógico prévio. Essa abordagem permite assegurar que os rejeitos atendam aos requisitos técnicos necessários para aplicações em infraestrutura, reduzindo riscos associados à variabilidade”, explica Mariana.
A estratégia também está diretamente conectada à gestão de rejeitos (tailings management), com investimentos em tecnologias como filtragem e empilhamento a seco, que facilitam o reaproveitamento futuro e tornam a logística da circularidade mais viável do ponto de vista econômico e operacional. Além disso, a atuação da AngloGold Ashanti se insere em um ecossistema de inovação aberta, envolvendo universidades, startups e o poder público, com foco no desenvolvimento e validação de soluções que assegurem a segurança ambiental e ampliem a aceitação desses materiais pelo mercado e por órgãos reguladores. Para concluir o painel convergiu para uma visão de futuro em que os rejeitos são definitivamente reposicionados como recursos estratégicos, capazes de gerar valor econômico, reduzir impactos ambientais e fortalecer a licença social para operar, contribuindo para uma mineração mais sustentável e integrada às demandas da sociedade.