Oceana Metals conclui compra da Songeo e assume projeto três vezes maior que o de Araxá

Mineradora australiana pagou cerca de R$ 34 milhões entre dinheiro e ações, pelo projeto de terras raras e nióbio Serra Negra, no Alto Paranaíba mineiro.
A mineradora australiana Oceana Metals, listada na bolsa de Sydney (ASX), concluiu a aquisição de 100% da Songeo Mineração S.A., detentora do projeto de terras raras e nióbio Serra Negra, no Alto Paranaíba mineiro. A operação, anunciada em abril, foi fechada em 16 de outubro, depois que todas as condições previstas no contrato foram cumpridas ou dispensadas pela compradora.
No fechamento, a Oceana pagou aos vendedores US$ 2,95 milhões em dinheiro (cerca de R$ 14,8 milhões) e emitiu 15,5 milhões de ações a A$ 0,36 por papel, o equivalente a aproximadamente R$ 19,6 milhões. O contrato original previa 20 milhões de ações, mas 4,46 milhões delas se referem a um direito de um terceiro, ligado a um acordo anterior com a Songeo, que a Oceana negocia quitar em dinheiro, de forma parcelada. A maior parte das ações entregues aos vendedores fica bloqueada por dois anos; cerca de 24% serão liberadas antes, para que os antigos sócios possam arcar com os tributos devidos no Brasil.
Há ainda pagamentos condicionados ao resultado da pesquisa, que somam até US$ 2,25 milhões (cerca de R$ 11,3 milhões): US$ 750 mil quando a empresa divulgar a primeira estimativa de recursos pelo código australiano JORC e outros US$ 1,5 milhão se essa estimativa atingir ao menos 100 milhões de toneladas com teor de 4% de óxidos totais de terras raras (TREO), ou seja, 4 milhões de toneladas de óxidos contidos. Os vendedores mantêm um royalty de 2,5% sobre a receita líquida de toda a produção futura, exceto minério de ferro, cujos direitos de comercialização continuam com eles. Uma consultoria que intermediou o negócio, a Karri Capital, tem outro royalty de 1%.
Complexo três vezes maior que o de Araxá
Serra Negra é um complexo carbonatítico com cerca de 10 km de diâmetro, o maior conhecido na Província Ígnea do Alto Paranaíba e, segundo a empresa, também o menos estudado. Sua área é três vezes a do complexo de Araxá, onde a CBMM produz nióbio. Por meio da Songeo, a Oceana detém quatro alvarás de pesquisa que somam cerca de 3.905 hectares nos municípios de Patrocínio e Guimarânia.
Antes mesmo do fechamento, a companhia vinha reanalisando os testemunhos de sondagens antigas do complexo. Os 68 furos históricos disponíveis foram reamostrados, e os resultados obtidos até aqui mais que dobraram a área com mineralização conhecida de terras raras, que passou a mais de 4,5 km². Entre os melhores intervalos estão 50 metros com 4,0% de TREO a partir de 53 metros de profundidade, dentro de um trecho de 114 metros com 2,3%, no furo LG42, e 22 metros com 4,7% a partir de 101 metros, dentro de 84 metros com 2,1%, no furo LG26. Ainda há resultados pendentes de 45 furos, que somam cerca de 4.750 metros.
O diretor-presidente da Oceana, Mick Wilson, afirmou que a estratégia de reanalisar os testemunhos antigos se mostrou eficaz e que as quatro sondas em operação devem gerar um fluxo constante de resultados até a estimativa de recursos.
Campanha de 20 mil metros
A campanha de sondagem diamantada, de cerca de 20 mil metros, começou no início de setembro com equipamentos da Energold e foi ampliada em outubro para quatro sondas. Os furos são verticais, com profundidade de aproximadamente 150 metros e espaçamento de 100 metros, concentrados no alvo central, uma área de 1,5 km por 1,5 km. A empresa também concluiu um levantamento com drone, com LiDAR e magnetometria, executado pela Avant Geofísica em 1.304 km de linhas, cuja interpretação deve sair ainda em outubro. Os primeiros resultados da sondagem própria são esperados ao longo do quarto trimestre, e a primeira estimativa de recursos está prevista para os próximos meses.
Para bancar a compra e a pesquisa, a Oceana levantou A$ 20 milhões (cerca de R$ 70 milhões) com investidores institucionais em duas etapas, a última concluída em julho. Após o pagamento inicial aos vendedores, a empresa informa ter cerca de A$ 16,5 milhões em caixa (aproximadamente R$ 58 milhões), antes dos custos da aquisição e das despesas operacionais.
Pendência na ANM
O principal ponto em aberto é regulatório. Duas das áreas do projeto têm títulos minerários antigos, de 1984 e 1985 (processos 830.280/1985 e 831.298/1984), que não contemplam terras raras nem nióbio. A Oceana pediu à Agência Nacional de Mineração o aditamento dos títulos para incluir essas substâncias e, como a agência ainda não respondeu, abriu mão dessa condição para fechar o negócio. A decisão final é esperada no primeiro trimestre de 2027. A empresa diz confiar na aprovação, com base em conversas com a ANM e em pareceres jurídicos, mas reconhece não haver garantia de prazo nem de resultado. Um terceiro processo, de cerca de mil hectares, está sob análise de caducidade e não teve valor atribuído na transação.
A licença ambiental para a fase inicial de sondagem já foi obtida, assim como acordos de acesso às áreas prioritárias do alvo central. A posse do advogado brasileiro Rodrigo Roso no conselho de administração, prevista para o fechamento do negócio, foi adiada.
A compra de Serra Negra reforça o movimento de empresas estrangeiras sobre ativos de terras raras em Minas Gerais e Goiás, que ganhou impulso com a aquisição da Serra Verde, em Minaçu (GO), pela USA Rare Earth. O mercado, porém, reagiu com cautela: as ações da Oceana caíram cerca de 27% após o fechamento da operação, e o projeto ainda não tem recurso mineral declarado nem testes de recuperação metalúrgica.







