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MINERAIS CRÍTICOS

AMIG Brasil questiona se recursos dos minerais críticos vão realmente para os municípios

Por Redação Brasil Mineral
AMIG Brasil questiona se recursos dos minerais críticos vão realmente para os municípios

A entidade questiona se os investimentos em pesquisa e tecnologia permanecerão nos municípios produtores ou seguirão o padrão histórico de sair das regiões de exploração.

A Associação Brasileira dos Municípios Mineradores (AMIG Brasil) avalia que a aprovação pelo Senado Federal do Projeto de Lei nº 2.780/2024, que institui a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE) e agora segue para sanção presidencial, deixa em aberto uma questão central: o que efetivamente ficará nos municípios onde esses minerais serão explorados. Para a entidade, o texto representa um marco diante da disputa mundial por recursos essenciais à transição energética, mas corre o risco de reproduzir a lógica histórica da mineração brasileira, na qual a riqueza sai dos territórios enquanto as etapas de maior valor agregado, os investimentos e os empregos qualificados se estabelecem longe das populações que convivem com os impactos da exploração.

Um dos pontos centrais de crítica é o artigo 15, que obriga empresas de mineração e transformação de minerais críticos a destinar 0,5% da receita operacional bruta a investimentos previstos na política, incluindo pesquisa, desenvolvimento e aportes ao Fundo Garantidor da Atividade Mineral. Uma emenda que vinculava esses recursos ao estado onde ocorre a atividade mineral não foi incorporada ao texto aprovado, o que a AMIG Brasil considera uma fragilidade grave: sem essa amarração, nada garante que os investimentos capazes de gerar tecnologia e empregos qualificados permaneçam nas regiões produtoras, repetindo o padrão já visto no minério de ferro, cujas etapas de transformação e agregação de valor se instalaram fora desses territórios e até fora do Brasil.

A entidade também questiona a composição do Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (CIMCE), que reservará até 15 assentos ao Poder Executivo federal contra apenas uma representação municipal, apesar de suas decisões afetarem diretamente o uso do solo, os recursos hídricos e a organização econômica das cidades. Soma-se a isso a ausência de qualquer mudança na Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM): o projeto não altera base de cálculo, alíquotas ou critérios de distribuição, e a AMIG Brasil defende um debate específico sobre a CFEM dos minerais críticos, dado o valor econômico e as características próprias dessa cadeia.

Entre os avanços reconhecidos pela entidade estão a criação de um sistema nacional de rastreabilidade, com registro obrigatório das transações e possibilidade de auditoria, e a construção de uma estratégia nacional voltada ao beneficiamento e à transformação mineral. A AMIG Brasil afirma que acompanhará a sanção e a regulamentação da lei defendendo quatro pontos: maior representação municipal no CIMCE, garantia de que os investimentos em diversificação econômica beneficiem os territórios impactados, prioridade dos incentivos à transformação e à agregação de valor, e abertura de uma discussão específica sobre a CFEM dos minerais críticos e estratégicos. “Uma política nacional de minerais críticos e estratégicos somente produzirá desenvolvimento sustentável se os municípios e suas populações também participarem dos benefícios econômicos gerados pela exploração de suas riquezas minerais”, defende a entidade.

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