
A Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos tem potencial para adicionar R$ 192 bilhões ao PIB e gerar 750 mil empregos até 2050.
Após reunião com o presidente Lula e o presidente da Câmara, Hugo Motta no último dia 26 de agosto, o presidente do Senado Davi Alcolumbre anunciou que reunirá senadores e líderes partidários para que Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PL 2.780/2024) avance no Congresso. O PL institui a política nacional para o setor e deve ser apreciado nas próximas semanas. Segundo estudo da Amcham Brasil, a expansão da cadeia produtiva de minerais críticos e terras raras poderá adicionar R$ 192,1 bilhões ao Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e gerar 750 mil novos empregos até 2050.
O levantamento compara dois cenários para o desenvolvimento dessa indústria, sendo o primeiro com investimentos financiados majoritariamente por capital doméstico e produção voltada predominantemente à exportação, com baixa agregação de valor no Brasil. O primeiro caminho tem impacto acumulado sobre o PIB de R$ 128,7 bilhões, com geração estimada de 304 mil empregos. Já o segundo cenário prevê maior participação do investimento internacional, expansão do processamento dos minerais no Brasil e utilização crescente desses insumos pela indústria nacional. Nessa hipótese, os investimentos crescem R$120,9 bilhões, com impacto acumulado sobre o PIB de R$ 192,1 bilhões e geração estimada de 750 mil empregos.
O estudo utiliza projeções já feitas em outros trabalhos globais e internos no Brasil para estimar a demanda por esses minerais e elementos de terras raras e de uma carteira de projetos de investimentos previstos. São considerados os minerais cobalto, cobre, grafita, lítio, níquel e elementos de terras raras. "O Brasil reúne algumas das maiores reservas de minerais críticos do mundo e tem todas as condições para se tornar um protagonista global nesse mercado. Quanto maior a capacidade de atrair investimentos, maior será a transformação dessa riqueza mineral em valor, tecnologia, empregos e desenvolvimento industrial e econômico", afirma o presidente da Amcham Brasil, Abrão Neto. A
comparação entre os dois cenários demonstra que a atração de capital internacional e o adensamento das cadeias produtivas pode adicionar R$ 63,4 bilhões ao PIB, R$ 32,3 bilhões ao consumo das famílias, R$ 16,1 bilhões aos investimentos e 446 mil empregos, além dos efeitos já proporcionados pela expansão da mineração.
O estudo mostra que os maiores impactos sobre o PIB ocorrem nos estados mineradores, com destaque para Pará (16,0%), Bahia (10,3%), Goiás (10,0%), Piauí (4,0%) e Minas Gerais (3,8%). Ao mesmo tempo, o fortalecimento do processamento interno amplia os benefícios para estados com maior presença industrial.
Em comparação com o primeiro cenário, os maiores ganhos adicionais são observados em Santa Catarina, Minas Gerais, São Paulo e Paraná, evidenciando que a agregação de valor amplia os efeitos econômicos para além das regiões produtoras. Na análise setorial, a indústria de transformação apresenta crescimento acumulado de 1,8% no segundo cenário, quase três vezes superior ao observado no primeiro. Também se destacam a construção civil (4,5%) e a indústria extrativa (4,2%). Entre os segmentos industriais, os maiores impactos são registrados em máquinas e equipamentos elétricos (16,7%), máquinas para extração mineral (9,8%), automóveis (5,5%) e máquinas e equipamentos mecânicos (2,9%).
“A maior atração de investimentos e a agregação de valor no Brasil ampliam os benefícios econômicos da cadeia de minerais críticos para além dos estados produtores, impulsionando também as regiões industriais e fortalecendo a inserção do país nas cadeias globais de tecnologia e da transição energética”, afirma Abrão Neto.
Desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), o estudo teve o apoio da U.S. Chamber of Commerce e de empresas do setor. O levantamento analisou as cadeias de cobre, grafita, lítio, níquel e terras raras, minerais considerados essenciais para a transição energética e para tecnologias como baterias, veículos elétricos, turbinas eólicas e equipamentos eletrônicos.
Para que o Brasil aproveite plenamente seu potencial, a Amcham defende uma agenda de políticas públicas voltada ao fortalecimento da cadeia de minerais críticos e terras raras. Nesse contexto, a aprovação da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, em discussão no Congresso Nacional, é um passo importante para o avanço dessa agenda. Entre as demais prioridades estão o fortalecimento dos instrumentos de financiamento e mitigação de riscos, a ampliação da atração de investimentos, o incentivo ao processamento e à industrialização no país e o aperfeiçoamento do ambiente regulatório para estimular projetos de longo prazo e maior agregação de valor. O levantamento na íntegra pode ser conferido no https://www.amcham.com.br/publicacoes/minerais-criticos-estudo?categoria=esg.
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