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TERRAS RARAS

Viridis e Solvay fecham acordo histórico para fornecimento à Europa

Por Redação Brasil Mineral•
Viridis e Solvay fecham acordo histórico para fornecimento à Europa

Parceria de longo prazo garante matéria-prima do Projeto Colossus para uma das maiores plantas de separação de terras raras fora da China e abre caminho para o Brasil consolidar posição estratégica no mercado global

O Brasil deu mais um passo importante rumo ao protagonismo no mercado global de terras raras. Em 4 de novembro de 2026, a Solvay, gigante química belga com mais de 160 anos de história, e a Viridis Mining and Minerals anunciaram a assinatura de um acordo de fornecimento de longo prazo pelo qual o Brasil passará a abastecer com matéria-prima estratégica a unidade de La Rochelle, na França, uma das maiores instalações de separação e purificação de terras raras existentes fora da China. Com vigência inicial até 2034 e previsão de início dos embarques em 2028, o contrato representa uma etapa relevante tanto para a Viridis quanto para o setor mineral brasileiro como um todo.

Da carta de intenções ao contrato definitivo

O anúncio formaliza e aprofunda o entendimento que as duas empresas haviam sinalizado ao mercado em junho de 2026, quando divulgaram uma Carta de Intenções. Nos meses seguintes, as negociações avançaram até culminar no acordo vinculativo agora assinado, um instrumento que, do ponto de vista da Viridis, vai muito além de um simples contrato comercial. Trata-se de um habilitador financeiro já que, com um comprador comprometido e volumes definidos, a empresa passa a ter condições mais sólidas para avançar na captação dos recursos necessários à implantação do Projeto Colossus, seu ativo de terras raras localizado no Brasil.

O projeto já conta com uma Estimativa de Recursos Minerais e uma Estimativa de Reservas de Minério para Elementos de Terras Raras, elaboradas após a conclusão de um Estudo de Pré-Viabilidade. O acordo agora celebrado com a Solvay fornece o componente que faltava no argumento comercial da Viridis perante financiadores, ou seja, um destino garantido para a produção.

O coração do acordo

O coração do acordo são as terras raras magnéticas — neodímio (Nd), praseodímio (Pr), disprósio (Dy) e térbio (Tb) — elementos indispensáveis para a fabricação de ímãs permanentes utilizados em motores elétricos, turbinas eólicas e uma série de equipamentos de alta tecnologia. A demanda global por esses materiais cresce em ritmo acelerado, impulsionada pela transição energética e pela eletrificação do transporte.

Além dos magnéticos, a matéria-prima proveniente do Projeto Colossus também contém uma distribuição significativa de outras terras raras pesadas, como samário (Sm), gadolínio (Gd) e ítrio (Y), ampliando o espectro de aplicações possíveis. Os volumes mínimos comprometidos para Nd, Pr, Dy e Tb representam aproximadamente 70% da capacidade de produção prevista para o Colossus durante o período inicial do acordo. A Solvay ainda detém o direito de preferência sobre a produção restante, o que, na prática, posiciona a empresa belga como parceira privilegiada e potencialmente exclusiva do projeto brasileiro.

A forma como esse material chegará a La Rochelle também é relevante. Em um acordo paralelo e complementar, a Solvay licenciará tecnologia e fornecerá suporte técnico à Viridis para que a empresa produza carbonato de alta qualidade a partir do Projeto Colossus. É esse carbonato – forma processada da mistura de terras raras — que alimentará a planta francesa. Ou seja, não se trata apenas de exportar minério bruto, já que o Brasil participará de uma etapa de beneficiamento antes do embarque.

Unidade de La Rochelle

A unidade da Solvay em La Rochelle ocupa posição ímpar no cenário global. Trata-se de uma das maiores instalações de separação e purificação de terras raras fora da China, com capacidade para processar toda a gama de elementos de terras raras em escala industrial. Lá, a matéria-prima proveniente do Brasil será transformada em óxidos de terras raras individuais de alta pureza e em formulações destinadas a ímãs permanentes e outras aplicações estratégicas, incluindo mobilidade elétrica, energia renovável, eletrônica avançada e aplicações médicas.

É justamente essa capacidade instalada e comprovada que torna a parceria com a Solvay estratégica para a Viridis, que não precisará, num primeiro momento, construir toda a cadeia de valor internamente, podendo se apoiar na infraestrutura e no conhecimento técnico acumulado pelo parceiro europeu ao longo de décadas.

Stéphane Diaz, Gerente Geral de Terras Raras da Solvay, sintetizou a lógica da parceria: "Estamos satisfeitos por termos assinado este acordo de longo prazo com a Viridis, que combina seus recursos de alta qualidade no Brasil com as comprovadas tecnologias de processamento de terras raras da Solvay, as capacidades em escala industrial em La Rochelle e o profundo conhecimento das necessidades dos clientes. Juntas, essas vantagens reforçam nossa capacidade de fornecer consistentemente os materiais de terras raras exigidos por mercados exigentes e em rápido crescimento."

Do lado brasileiro, Rafael Moreno, Diretor-Geral e CEO da Viridis Mining and Minerals, avalia o significado do acordo para o futuro da empresa e do projeto. "A garantia de um acordo vinculativo de longo prazo com um dos principais grupos mundiais de separação de terras raras nos proporciona um caminho claro para os mercados globais e apoia a finalização do financiamento do projeto, à medida que avançamos rumo à produção em 2028", afirmou.

Moreno destacou o potencial transformador da parceria para o Brasil. "Vemos isso como o início de uma parceria estratégica de longo prazo que apoiará o desenvolvimento de Colossus, trará tecnologia avançada de processamento de terras raras para o Brasil e ajudará a consolidar o país como um importante fornecedor de materiais de terras raras", disse o executivo.

Contexto geopolítico

O acordo entre Viridis e Solvay se insere num movimento mais amplo de reorganização das cadeias de suprimento de terras raras em nível global. A China domina de forma expressiva tanto a extração quanto o processamento desses materiais, o que tem gerado crescente preocupação estratégica entre governos e indústrias no Ocidente, especialmente após episódios de restrições às exportações e tensões comerciais recentes.

Nesse cenário, a Europa, que é altamente dependente de terras raras para cumprir suas metas de descarbonização, tem buscado ativamente diversificar suas fontes de abastecimento. A unidade de La Rochelle é parte dessa estratégia de autonomia, pois precisa de matéria-prima. O Brasil, com suas reservas de terras raras ainda amplamente subutilizadas, surge como alternativa geograficamente e politicamente atraente para a Europa.

A Solvay, fundada em 1863 e presente em bolsas de valores de Bruxelas e Paris, faturou €4,3 bilhões em vendas líquidas em 2025 e conta com mais de 8.400 funcionários. Empresa com longa trajetória em química industrial, ela se posiciona como um elo essencial entre a mineração e a indústria de alta tecnologia, exatamente o papel que desempenha nesta parceria com a Viridis.

A Viridis, listada na bolsa da Austrália, possui ativos no Brasil, Canadá e Austrália. A empresa foi eleita como Empresa do Ano do Setor Mineral 2026, na categoria Inovação e Tecnologia, pelo público leitor de Brasil Mineral.

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