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STF suspende licença de instalação do projeto Volta Grande, da Belo Sun

Por Redação Brasil Mineral•
STF suspende licença de instalação do projeto Volta Grande, da Belo Sun

Presidente do Supremo, Edson Fachin atendeu ao MPF por falta de consulta aos indígenas; empresa diz que não previa obras antes do segundo semestre de 2027 e avalia recorrer.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin suspendeu a licença de instalação que permitia o início do projeto de mineração de ouro na região de Volta Grande do Xingu, no Pará. O empreendimento, da Belo Sun, é considerado o maior de exploração de ouro a céu aberto no país. Fachin acatou um pedido do Ministério Público Federal (MPF) e suspendeu os efeitos de uma decisão judicial – adotada de forma monocrática por um juiz do TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região) – que validava a licença emitida pela Secretaria de Meio Ambiente do Pará. A determinação do presidente do STF foi proferida no último dia 19 de outubro.

Fachin concordou com os argumentos do MPF e entendeu que a licença emitida não teve a participação dos povos indígenas. O ECI (estudo de componente indígena) está incompleto e precisa ser complementado, conforme a decisão do Supremo. O projeto de exploração de ouro está na mesma região da usina hidrelétrica de Belo Monte, que já alterou radicalmente a vazão do rio Xingu, com impactos diretos na vida de comunidades tradicionais da Volta Grande, principalmente indígenas e pescadores.

A Belo Sun defende a validade da licença de instalação e afirma que não ficou demonstrada "grave lesão à ordem, à segurança, à saúde ou à economia pública". Não havia previsão de obras ou intervenções físicas antes do segundo semestre de 2027, segundo a Belo Sun.

Em nota, a empresa disse que já cumpria obrigações assumidas em acordo, o que inclui não fazer intervenções físicas na área do empreendimento. A Belo Sun afirmou que seguirá em tratativas com a Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas), que respeita os direitos dos povos tradicionais e que analisa a possibilidade de recurso. A Funai do atual Governo Lula argumentou que as condições estabelecidas pelo TRF-1 não foram cumpridas, que o estudo de componente indígena é incompleto e que os povos indígenas – especialmente os que estão fora de territórios demarcados – não foram consultados. “É preciso que se faça uma avaliação dos impactos conjuntos de uma usina hidrelétrica do porte de Belo Monte e de uma mina de ouro do porte pretendido por Belo Sun”, segundo a Funai, o que teve a concordância do presidente do STF. “O empreendimento possui dimensão excepcional, com potencial para produzir impactos significativos na região afetada", afirmou o ministro. "A região de influência do projeto já se encontra significativamente afetada pela implantação da usina de Belo Monte, circunstância que impõe rigor ainda maior na observância do princípio da precaução”.

A suspensão da licença deve valer até eventual homologação de um acordo judicial entre as partes, discutido no âmbito do TRF-1. Os estudos de impacto e análises sobre comunidades indígenas atingidas por Belo Sun foram referendados pela Funai em 2021, no governo Jair Bolsonaro. O órgão era presidido por Marcelo Xavier, condenado em primeira instância, em 2025, a dez anos de prisão por perseguição a servidores do órgão e lideranças indígenas.

No Governo Lula, a Funai aponta novamente falhas no processo, ao alegar que indígenas não foram ouvidos. A empresa responsável pela usina hidrelétrica de Belo Monte já se opôs ao projeto de exploração de pelo menos 60 toneladas de ouro na região e apontou riscos para a qualidade da água, para a vazão e para a existência de peixes caso a atividade minerária seja levada adiante. O projeto de ouro queria produzir inicialmente cinco toneladas de ouro por ano, por pelo menos 12 anos.

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