
Estudo de viabilidade definitivo da Viridis Mining and Minerals projeta US$ 5,97 bilhões em EBITDA ao longo de 25 anos e retorno do investimento em menos de três anos.
Por mais que o mercado global de terras raras esteja acostumado a promessas grandiosas, o que a Viridis Mining and Minerals acaba de apresentar ao mundo transcende o registro habitual de anúncios corporativos. O Estudo de Viabilidade Definitivo — conhecido pela sigla DFS, do inglês Definitive Feasibility Study — do projeto Colossus, situado no estado brasileiro de Minas Gerais, revela uma operação de grande escala, com números que poucos projetos da indústria de mineração conseguem ostentar ao mesmo tempo: retorno rápido, custos baixos, vida longa e reservas que vão muito além do horizonte de produção planejado.
O DFS prevê que o projeto Colossus gerará US$ 5,97 bilhões — o equivalente a aproximadamente A$ 8,39 bilhões em dólares australianos em EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ao longo de uma vida útil de mina de 25 anos. A receita total projetada para o mesmo período chega a US$ 8,54 bilhões, ou A$ 12 bilhões.
O Valor Presente Líquido (VPL) antes dos impostos foi calculado em US$ 1,866 bilhão, com base em uma taxa de desconto de 8%. A Taxa Interna de Retorno (TIR) pré-impostos alcança 47%, um número considerado muito bom para projetos de mineração de grande porte, segmento em que retornos acima de 20% já são considerados robustos. Após a aplicação dos impostos, o VPL cai para US$ 1,196 bilhão e a TIR recua para 36,4% — ainda assim, uma performance notável. O período de retorno do investimento foi estimado em apenas 2,7 anos.
O custo de desenvolvimento inicial para colocar o Colossus em operação foi estabelecido em US$ 449 milhões, um valor relativamente contido para uma operação da magnitude descrita no estudo.
Produção, teores e a vantagem dos minerais magnéticos
O coração técnico do projeto reside em sua capacidade de produzir as terras raras mais valorizadas pelo mercado atual. O Colossus deverá processar cinco milhões de toneladas de minério por ano, gerando uma média de 2.843 toneladas anuais de neodímio-praseodímio (NdPr), um par de elementos fundamentais para a fabricação de ímãs permanentes utilizados em motores de veículos elétricos, turbinas eólicas e eletrônicos de alta performance.
Os teores do projeto foram determinados em 3.061 partes por milhão (ppm) de Óxidos de Terras Raras Totais (TREO) e 774 ppm de Óxidos de Terras Raras Magnéticos (MREO). Quando se incluem as terras raras pesadas de maior valor unitário, notadamente o disprósio e o térbio, elementos de uso estratégico em aplicações de defesa e tecnologia de ponta, a produção de MREO sobe para 2.967 toneladas por ano, ampliando ainda mais o portfólio de valor do projeto.
O minério que alimentará a operação provém predominantemente das concessões da Viridis localizadas no sul do estado de Minas Gerais, uma região cuja geologia favorece o tipo de mineralização que torna o Colossus tecnicamente diferenciado.
Reservas para além do horizonte de 25 anos
Um dos aspectos mais estratégicos revelados pelo DFS diz respeito às reservas de minério: o inventário atual totaliza 200,1 milhões de toneladas, suficientes para sustentar uma operação de cinco milhões de toneladas anuais por 41 anos, 6 anos além da vida útil de 25 anos sobre a qual os números financeiros foram calculados. Esse excedente representa um colchão expressivo de valor latente, com potencial para extensão futura da mina ou renegociação de contratos de longo prazo em condições mais favoráveis à medida que o mercado de terras raras se consolide. A Viridis posiciona o Colossus como uma operação de baixo custo em escala global e os dados do DFS sustentam essa afirmação.
Os custos totais de manutenção (all-in sustaining costs) foram estimados em US$ 26,7 por quilograma de Nd-Pr, ou A$ 37,4 por quilograma. Diante de uma receita esperada de US$ 129 por quilograma, baseada nos preços vigentes no mercado chinês. A margem operacional resultante é substancial.
A robustez financeira do projeto foi testada em cenários de estresse. Embora o DFS tenha utilizado um preço de referência de US$ 102 por quilograma de TREO para seus números principais, a empresa submeteu o Colossus a uma análise de sensibilidade com um preço ultraconservador de US$ 72 por quilograma, cerca de 30% abaixo do valor-base.
Mesmo nesse cenário adverso, o projeto apresentou VPL pós-impostos de US$ 555 milhões e TIR pós-impostos de 22,4%, comprovando que sua viabilidade econômica não depende de condições de mercado excepcionais.
Por trás dos números financeiros, há uma distinção técnica que merece atenção especial. A mineralização do Colossus é do tipo por adsorção iônica em argila, denominada pela sigla IAC, do inglês Ionic Adsorption Clay. Essa forma de ocorrência natural das terras raras permite um processo de lixiviação simples e eficiente, capaz de produzir altos níveis de recuperação metalúrgica sem a necessidade dos processos complexos e custosos exigidos por outros tipos de depósitos.
A Viridis afirma que as recuperações obtidas em sua planta de demonstração superaram os resultados alcançados em extensos testes conduzidos pela Organização Australiana de Ciência e Tecnologia Nuclear, uma referência de credibilidade técnica no setor. A confirmação laboratorial e em escala demonstrativa é um elemento crítico para a confiança de investidores e financiadores, que frequentemente veem a metalurgia como o maior fator de risco em projetos de terras raras.
O timing do anúncio do DFS não poderia ser mais oportuno. O mundo atravessa um momento de reconfiguração acelerada das cadeias de suprimento de minerais estratégicos, impulsionada pela transição energética, pela explosão da demanda por veículos elétricos e por tensões geopolíticas que empurram governos ocidentais a buscar alternativas à dependência da produção chinesa, que ainda domina mais de 85% do processamento global de terras raras.
O Brasil, com suas vastas reservas geológicas e relativa estabilidade regulatória, posiciona-se como um protagonista natural nessa nova ordem. O Colossus, com sua escala, seus custos competitivos e sua localização em Minas Gerais, estado com longa tradição mineradora e infraestrutura estabelecida, reúne os atributos que poucos projetos fora da China conseguem combinar.
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