
O produto KMgS, uma mistura de sulfatos obtida do minério glauconita, demonstrou ganhos de até 29,4 toneladas por hectare em produtividade de colmos em ensaios com cana-de-açúcar e soja.
Um produto desenvolvido pela Kalium Mineração, a partir do processamento do minério Glauconita, poderá contribuir para reduzir as importações de potássio, fertilizante do qual o Brasil é altamente dependente. Trata-se do KMgS, uma mistura de sulfatos (Magnésio e Potássio), que foi testado com sucesso em lavouras de cana-de-açúcar e soja por uma equipe de pesquisadores liderada pelo professor doutor Gaspar Korndorfe, da Universidade Federal de Uberlândia, um especialista em culturas de canaviais.
Segundo o diretor da Kalium, Ricardo Dequech, o KMgS é obtido no processo para produção de sulfato de potássio e seus co-produtos (óxido de alumínio, sulfato de magnésio, óxido de ferro e feldspato) a partir do tratamento químico do minério glauconita. “A rota de processo consiste basicamente no beneficiamento do minério em unidades constituídas de plantas de britagem e moagem, seguida da cura ácida do material em reatores, permitindo a reação minério/ácido. A massa curada (KMgS) é submetida à etapa de lixiviação aquosa, obtendo um resíduo sólido com elevado teor de sílica e uma solução de sulfatos que foi sendo concentrada estágio por estágio. A solução resultante da lixiviação é encaminhada para uma etapa de cristalização para a precipitação, na seguinte ordem do alúmen de potássio e uma mistura de sulfato de ferro e sulfato de magnésio. Os dois materiais oriundos da cristalização são submetidos a uma decomposição térmica para a geração dos óxidos de ferro e alumínio, bem como dos sulfatos de potássio e magnésio”.
De acordo com um relatório produzido pelo professor Gaspar, a aplicação do KMgS, independentemente da dose, “resulta em produtividades de colmos e de açúcar superiores às da testemunha, com ganhos de até 29,4 e 5,0 t ha, nesta ordem. Com a análise de regressão, observam-se melhores resultados em doses entre 300 e 500 kg/ ha-1 de KMgS”.
Quanto ao ATR, ele acrescenta que ganhos de até 9,2 kg t em relação ao tratamento testemunha são obtidos com a aplicação do KMgS, com melhores resultados nas doses de 200, 400 e 600 kg ha. “De modo geral, os resultados obtidos com a fenotipagem digital estão de acordo com os resultados de produtividade, cujas respostas máximas são estimadas em doses intermediárias de KMgS. A aplicação de 800 kg ha-1 de KMgS resulta em maior perfilhamento da cana soca, com ganhos de 1,2 perfilho por metro", diz o especialista.
De modo geral, a aplicação do KMgS resulta em aumentos nos teores de K, Mg e S, bem como para os valores obtidos com o índice SPAD (clorofila). Os resultados obtidos com a fenotipagem digital estão de acordo com os resultados de produtividade, cujas respostas máximas são estimadas em doses intermediárias de KMgS.
Oportunidade para a agricultura
A Kalium vê uma grande oportunidade de aplicação deste produto na agricultura brasileira, já que se trata de um fertilizante multinutriente que contém 4 macronutrientes essenciais para o desenvolvimento radicular da planta: potássio (K), enxofre (S-SO4), magnésio (Mg) e silício (Si). Sua fórmula básica não possui cloro, o que favorece as culturas mais sensíveis a este elemento.
“Os fertilizantes multinutrientes contendo K, Mg, S e Si (solúvel) são muito atrativos para serem utilizados na região do Cerrado, uma vez que as baixas reservas desses nutrientes nos solos são insuficientes para sustentar altas produtividades de grãos”, afirma Dequech.
Por se encontrarem na forma de sulfatos, a disponibilidade dos nutrientes para as plantas é bastante elevada, diferentemente da encontrada em outros minerais, tendo alta solubilidade em água e muito elevada em solução de ácido cítrico 2% (simula a ação de ácidos orgânicos liberados pelas raízes). A forma de produção, a partir do tratamento químico da glauconita, mantém uma matriz de sílica que mitiga as perdas por lixiviação de materiais mais solúveis (sulfato de Mg), o que favorece sua aplicação no solo.
Dequech informa que a Kalium possui 220 milhões de toneladas de glauconita em Minas Gerais e que há no Brasil 10 milhões de hectares de cana plantada que alimentam as usinas de açúcar e álcool. A empresa já está produzindo o KMgS em escala de 2 mil t/mês, podendo assegurar fertilizante brasileiro para a área de açúcar e álcool.
Ele reitera que o aumento de produção da área fertilizada com o KMgS foi de 30% por hectare e que o projeto da Kalium pode viabilizar o aproveitamento dos 5 bilhões de toneladas de reservas de glauconita existentes no território mineiro.
Em sua primeira fase de produção, já completamente implantada, a Kalium produz três diferentes produtos: o KM-KMgS, o sulfato de magnésio heptahidratado e o ácido sulfúrico concentrado a mais de 98%. A empresa também opera uma unidade própria para a produção de ácido sulfúrico concentrado, insumo fundamental no tratamento químico da Glauconita.
Em uma segunda fase, poderá ser implantado o tratamento químico completo da glauconita, possibilitando a produção de sulfato de potássio e alumina.
Mas o objetivo maior da empresa é produzir Sulfato de Potássio, Sulfato de Magnésio, Óxido de Alumínio, Óxido de Ferro, Feldspato Potássico, Alúmen de Potássio e Misturas de Sulfatos (coagulante para tratamento de água e efluentes). Suas unidades de produção estão localizadas na região dos municípios de Quartel Geral e Serra da Saudade, em Minas Gerais.







