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CARAJÁS

Pesquisadores preocupados com ameaça à anta brasileira na FLONA

Por Redação Brasil Mineral•
Pesquisadores preocupados com ameaça à anta brasileira na FLONA

Projeto Mina N3 licenciado em maio de 2026 deve afetar pelo menos 14 antas que habitam a região e intensificar a contaminação por metais nas espécies locais.

Projeto do Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ) desde 2021, a Iniciativa Nacional para a Conservação da Anta Brasileira (INCAB) acompanha o avanço da exploração de minério da Vale na Floresta Nacional (FLONA) de Carajás, no Pará. Em maio de 2026, uma nova área de exploração – Projeto Mina N3 – foi licenciada, trazendo preocupação para a conservação de diversas espécies ameaçadas de extinção, dentre elas a anta brasileira.

Localizada no sudeste do Pará, a FLONA Carajás é uma Unidade de Conservação de Uso Sustentável — categoria que permite a exploração de recursos minerais. Porém, a exploração do Projeto Mina N3 deve cumprir as condicionantes e exigências das licenças ambientais, a fim de não intensificar o desmatamento, a degradação de habitats e a perda de biodiversidade. O local do empreendimento, segundo os pesquisadores, é vital para a população de antas da FLONA, pois oferece recursos alimentares de que a espécie necessita para sobreviver. Além disso, a região é rota desses animais e a abertura dessa nova frente de exploração afetará esse trajeto de deslocamento e prejudicará a espécie a longo prazo. A Serra dos Carajás — onde está localizada a FLONA Carajás – é a maior província mineral do mundo e concentra grandes quantidades de ferro, manganês, cobre, ouro e níquel. A FLONA Carajás foi criada em 1998 e tem cerca de 412.000 hectares, e está presente nos municípios de Parauapebas e de Canaã dos Carajás. A UC faz parte do Núcleo de Gestão Integrada (NGI) Carajás, gerido pelo ICMBio — Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, onde a Vale explora a maior área de extração de minério de ferro a céu aberto do mundo. "Monitoramos a população de antas da FLONA Carajás desde 2021, utilizando telemetria satelital, armadilhas fotográficas e avaliação da saúde desses animais. Nossas análises já indicaram contaminação por metais, reflexo direto da mineração. Agora, com o avanço do Projeto Mina N3, pelo menos 14 antas que vivem na área perderão parte de seu habitat, o que agrava ainda mais a situação, pois suas áreas de vida se sobrepõem à área de extração. Por isso, publicamos esta Nota Técnica para alertar sobre o risco crescente e recomendar que o licenciamento ambiental considere a presença de espécies ameaçadas em futuras áreas de mineração", ressalta Patrícia Medici, Coordenadora da INCAB-IPÊ.

A Nota Técnica sobre os impactos do Projeto Mina N3 alerta para o fato de que os levantamentos de fauna realizados no âmbito do licenciamento ambiental são, muitas vezes, conduzidos em períodos relativamente curtos e em áreas restritas, o que limita a capacidade de registrar adequadamente a biodiversidade presente na área. Neste processo, características importantes da biologia e da ecologia dos animais — como seus horários de atividade, comportamento e tamanho da área de vida — podem não ser devidamente consideradas, resultando na ausência ou na baixa representação de determinadas espécies nos levantamentos. Entre as mais vulneráveis a esse problema estão espécies ameaçadas, como a anta, que apresenta atividade predominantemente noturna, ampla área de vida e populações de baixa densidade. Como consequência, sua ocorrência na localidade do empreendimento pode ser subestimada, comprometendo a avaliação dos impactos ambientais e, potencialmente, as medidas de conservação adotadas. A Nota Técnica propõe estratégias objetivas para reduzir os impactos de novos projetos e da abertura de minas na região, como o monitoramento ambiental contínuo, a colaboração com pesquisadores, especialistas e iniciativas já atuantes na região e o uso intensivo de plataformas de registro de espécies. O grupo de pesquisadores reforça a necessidade de avaliações ambientais – de fauna e flora – mais completas e representativas das espécies ameaçadas, como a anta, nos processos de licenciamento.

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