Investimento pesado em tecnologia pode fazer Brasil retomar liderança

Segundo o presidente do conselho da Cedro, a mineração brasileira precisa investir em sistemas integrados, automação e educação para recuperar os 37% de participação que a Austrália conquistou no mercado global.
Para o presidente do conselho de administração da Cedro Participações, José Carlos Martins, a mineração brasileira vive um momento decisivo em sua história. Após perder a liderança global na exportação de minério de ferro para a Austrália nas últimas décadas, o Brasil encontra na tecnologia e na inovação um caminho para recuperar seu poderio econômico e industrial. “Hoje temos 17%. A Austrália, que tinha 18%, ficando atrás do Brasil, hoje tem 37%”, alertou o executivo, que reforçou que a retomada dessa hegemonia depende intrinsecamente da modernização das operações e de uma profunda transformação social.
Martins apontou a chamada Mineração 4.0 como a grande resposta estratégica. "Nós necessitamos das novas tecnologias. Portanto, a inovação é a forma como a gente pode resolver essa questão de competitividade da mineração brasileira", reiterou o mandatário, frisando que a adoção de sistemas integrados é inadiável. Essa modernização significa mudar radicalmente o chão da mina, com a introdução de caminhões autônomos para garantir que as máquinas funcionem 24 horas por dia, impulsionando a produtividade de forma contínua, ao mesmo tempo em que retira os trabalhadores da linha de frente dos perigos operacionais. Contudo, o executivo advertiu que essa virada tecnológica impõe desafios que extrapolam a simples compra de equipamentos modernos, esbarrando em um dilema quase existencial para a indústria e para o próprio país. “O homem foi feito para fazer força ou para pensar?”, questionou Martins de forma provocativa. Com a chegada da automação, ele projeta que “o ser humano como força motriz vai cada vez ser menos necessário” dentro das áreas de extração.
Para Martins, a substituição gradual do trabalho braçal pela operação intelectual e remota escancara uma urgência nacional profunda - grande gargalo para sustentar essa nova era tecnológica está na educação. “O Brasil precisa urgentemente transpor suas carências estruturais e preparar a mão de obra para os novos tempos", disse o presidente do Conselho da Cedro. O avanço impulsionado pela inovação exigirá uma adaptação coletiva. “Acho que nós estamos olhando muito do âmbito do nosso negócio, da nossa indústria, da nossa atividade, certo? E a gente espera que a sociedade como um todo se prepare para isso”, refletiu o presidente do conselho da Cedro, pedindo um olhar além dos limites corporativos.
Por fim, Martins disse que recuperar a liderança frente a gigantes como a Austrália, pode ser uma tarefa complexa, mas factível. “O Brasil precisará aliar o investimento maciço em pesquisa, conectividade e automação com políticas sólidas de desenvolvimento humano. Somente equilibrando o salto tecnológico nas minas com a qualificação inteligente e voltada para o futuro de seus profissionais é que o país voltará a ditar o ritmo no mercado mundial de minério de ferro”, concluiu Martins.







