Minas-Rio produz 24% mais no terceiro trimestre e sustenta minério de ferro da Anglo American

Operação Minas-Rio respondeu por 46% do minério de ferro da Anglo American no trimestre, compensando queda de 19% na produção de Kumba, na África do Sul.
A operação Minas-Rio, da Anglo American, produziu 6,3 milhões de toneladas de pellet feed no terceiro trimestre de 2026, volume 24% superior aos 5,1 milhões de toneladas registrados no mesmo período do ano passado. Segundo o relatório de produção divulgado nesta terça-feira (20) pela mineradora, o avanço se deve à maior disponibilidade da planta, já que no terceiro trimestre de 2025 a operação passou por uma parada programada para concluir a campanha de inspeção do mineroduto que liga Conceição do Mato Dentro (MG) ao Porto do Açu, em São João da Barra (RJ).
Na comparação com o segundo trimestre deste ano, quando foram produzidas 6,5 milhões de toneladas, houve recuo de 4%. No acumulado de janeiro a setembro, Minas-Rio somou 19,2 milhões de toneladas, alta de 5% sobre os 18,2 milhões de toneladas do mesmo intervalo de 2025. Os volumes são informados em base úmida, com cerca de 9% de umidade no embarque.
As vendas acompanharam o movimento. No trimestre, a operação embarcou 6 milhões de toneladas, 21% acima do terceiro trimestre de 2025, mas 17% abaixo das 7,3 milhões de toneladas vendidas entre abril e junho. No ano, as vendas chegam a 19 milhões de toneladas, crescimento de 10%.
Brasil compensa parte da queda na África do Sul
O desempenho brasileiro amorteceu o resultado consolidado de minério de ferro premium do grupo, que caiu 4% no trimestre, para 13,8 milhões de toneladas. A retração veio de Kumba, na África do Sul, cuja produção recuou 19%, para 7,5 milhões de toneladas, em razão da parada da planta de separação em meio denso de Sishen para a interligação do primeiro módulo da nova unidade de separação em meio ultradenso (UHDMS). A redução era prevista, e as vendas de Kumba foram mantidas com o consumo de estoques.
Com o resultado, Minas-Rio respondeu por 46% do minério de ferro produzido pela Anglo American no trimestre, ante 36% um ano antes. Na avaliação do presidente da companhia, Duncan Wanblad, o desempenho operacional foi resiliente em todo o portfólio, e a operação brasileira se beneficiou da maior disponibilidade da planta.
Preço realizado cai 12%
O preço médio realizado por Minas-Rio no acumulado do ano foi de US$ 77 por tonelada (cerca de R$ 400), em base FOB no Açu, queda de 12% frente aos US$ 88 por tonelada (R$ 458) obtidos no mesmo período de 2025. O valor ficou 1% acima da referência Fastmarkets para minério com 65% de ferro, de US$ 76 por tonelada (R$ 395), ajustada para frete e umidade.
A diferença positiva reflete o prêmio pelo teor de cerca de 67% de ferro do pellet feed de Minas-Rio, um dos mais altos do mercado transoceânico. Esse ganho, porém, foi parcialmente anulado pelo redirecionamento de cargas que seriam destinadas à região do conflito no Oriente Médio e pelo efeito de vendas com preço provisório. A mineradora aponta ainda o frete marítimo como fator de pressão: no fim de setembro, o índice Platts para a rota Brasil-China estava em US$ 38 por tonelada (cerca de R$ 198), o que reduz o preço líquido recebido na origem.
Meta anual mantida
A Anglo American manteve a projeção de produção de Minas-Rio para 2026 entre 24 milhões e 26 milhões de toneladas. Para cumprir o intervalo, a operação precisa entregar entre 4,8 milhões e 6,8 milhões de toneladas no quarto trimestre. Mantido o ritmo médio de cerca de 6,4 milhões de toneladas por trimestre registrado até setembro, o ano fecharia próximo de 25,6 milhões de toneladas, na metade superior da faixa.
O custo unitário previsto para a operação brasileira segue em cerca de US$ 36 por tonelada (aproximadamente R$ 187), o menor entre os ativos de minério de ferro do grupo, contra US$ 45 por tonelada em Kumba. O cálculo exclui royalties e depreciação e considera câmbio de R$ 5,20 por dólar. Para o conjunto do minério de ferro, a meta de produção permanece entre 55 milhões e 59 milhões de toneladas, com custo médio de US$ 41 por tonelada.
Níquel em Goiás e fusão com a Teck
Também no Brasil, a produção de níquel das operações de Barro Alto e Codemin, em Goiás, somou 10,4 mil toneladas no trimestre, alta de 3%, favorecida pela antecipação para o segundo trimestre da parada programada de Barro Alto. O negócio de níquel está em processo de venda para a MMG Singapore Resources, operação que ainda depende de aprovação da Comissão Europeia.
Com a venda do níquel, do carvão metalúrgico australiano e a separação da De Beers, Minas-Rio passa a ser um dos pilares do portfólio simplificado da Anglo American, ao lado do cobre e dos fertilizantes. A fusão com a canadense Teck, que criará um grupo com foco em cobre, depende agora apenas do aval do órgão antitruste chinês e tem conclusão prevista até março de 2027.






