Importações e tarifas americanas impactam desempenho em 2025

04/05/2026
O resultado foi impactado pela transição da Mina de Serra Azul, que concluiu a implantação de uma planta de produção de pellet feed, cujo início da produção ocorreu em agosto de 2025.

 

A ArcelorMittal Brasil produziu 15,14 milhões de toneladas de aço em 2025, uma queda de 1,3% sobre o na anterior, enquanto a produção de minério de ferro atingiu 2,34 milhões de toneladas, montante 18,3% inferior a 2024. O resultado foi impactado pela transição da Mina de Serra Azul, que concluiu a implantação de uma planta de produção de pellet feed, cujo início da produção ocorreu em agosto de 2025, e encontra-se em ramp up para atingir sua capacidade esperada de produção.

O volume de vendas de aço alcançou 14,9 milhões de toneladas, 1,9% a menos em relação a 2024. Do total, 8,4 milhões de toneladas (57%) foram destinadas ao mercado interno e 6,4 milhões de toneladas (43%) ao mercado externo. A receita líquida consolidada somou R$ 61,76 bilhões, decréscimo de 7,2% em relação a 2024. Já o EBITDA consolidado atingiu R$ 8,08 bilhões em 2025, uma retração de 12% em relação a 2024. Além disto, a ArceloMittal Brasil contabilizou no resultado financeiro o fechamento de acordo relativo à aquisição da Votorantim Siderurgia, no valor de R$ 2,9 bilhões. O resultado final da ArcelorMittal Brasil foi negativo em R$ 2,2 bilhões.

Segundo dados do Instituto Aço Brasil, as importações de laminados atingiram 5,7 milhões de toneladas em 2025, uma alta de 20,5% ante 2024. Se comparado à média anual de 2000 a 2019, as importações cresceram 160%. A taxa de penetração de laminados alcançou 21% – um patamar insustentável para a indústria nacional. O aço proveniente principalmente da China chega ao mercado brasileiro fortemente subsidiado, com preços predatórios. Já as tarifas de 50% impostas ao aço pelo Governo dos Estados Unidos afetaram diretamente a margem de rentabilidade da empresa. Para continuar vendendo no mercado norte-americano, a ArcelorMittal teve que assimilar parte das tarifas, impactando negativamente os resultados financeiros, principalmente no segmento de aços planos.

Além disso, 2025 foi marcado por uma conjuntura geopolítica mundial complexa, com conflitos entre países e tensões tarifárias entre blocos econômicos, aumentando as incertezas globais. O mundo enfrentou a sobrecapacidade de aço, que pode superar 700 milhões de toneladas já em 2027, segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), e alimentar a competição predatória, enquanto no mercado nacional, o Brasil enfrentou um ambiente macroeconômico menos dinâmico, com crescimento moderado do PIB e juros altos, exigindo resiliência e eficiência operacional para navegar em um ano de horizontes limitados para a expansão da demanda. Apesar do cenário adverso, a empresa manteve os investimentos programados no Brasil, que somam R$ 25 bilhões entre 2022 e 2026. A fabricante de aço expandiu a capacidade de atuação nos principais segmentos consumidores no país, como construção civil, infraestrutura, automotivo e de energia.

A Unidade Sabará (MG) recebeu novas linhas de trefilação automotiva e aporte de R$ 144 milhões; a Mina de Serra Azul (MG) colocou em operação a nova unidade de pellet feed após investimentos de R$ 2,5 bilhões (o que estendeu sua vida útil até 2058); e a Unidade Barra Mansa (RJ) recebeu um novo laminador, que demandou R$ 1,6 bilhão. A ArcelorMittal Brasil também concluiu os investimentos de R$ 5,8 bilhões em energia renovável, com a entrada em operação do Complexo Babilônia Centro (parque eólico e solar) na Bahia, uma joint venture com a Casa dos Ventos, e o Parque Solar ArcelorMittal Energia Paracatu, em Minas Gerais. A energia produzida por essas unidades será destinada principalmente às operações da companhia no Brasil, assegurando previsibilidade de fornecimento e custo competitivo. Somadas, as três plantas acrescentaram 1 GW de capacidade instalada à ArcelorMittal.

Na área de aquisições, os destaques foram a Tuper, transformadora de aço da América Latina; a Dânica, que atua no segmento de painéis termoisolantes; e a Tekno, referência em soluções de revestimento e pré-pintura de metais planos, além da aquisição indireta, via Tekno, do controle total da Perfilor, que atua também no segmento de painéis termoisolantes. As aquisições fazem parte da estratégia da empresa de diversificação do portfólio e de ampliação da oferta de soluções completas e de alto valor agregado para seus principais mercados. “A ArcelorMittal enfrentou essa conjuntura adversa com determinação, adotando as medidas necessárias de redução de custos e buscando novas oportunidades. Os impactos foram inevitáveis e afetaram nosso desempenho financeiro e operacional. Ainda assim, avançamos em frentes estratégicas, com destaque para a evolução consistente dos indicadores de segurança — um valor inegociável. Também seguimos investindo na modernização e ampliação de unidades industriais e em aquisições, o que demonstra nossa capacidade de operar e crescer mesmo em ambientes desafiadores. Esses resultados só foram possíveis graças ao compromisso e à alta performance dos nossos empregados e parceiros. Para nós, o respeito, o cuidado e a valorização das pessoas são a base do nosso sucesso”, afirma Jorge Oliveira, presidente da ArcelorMittal Brasil e CEO ArcelorMittal Aços Planos LATAM.