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SIDERURGIA

Recuperação gradual das operações da Gerdau no Brasil eleva rating

Recuperação gradual das operações da Gerdau no Brasil eleva rating

Agência aponta recuperação gradual das operações domésticas e desempenho robusto na América do Norte como pilares de possível evolução do rating nos próximos anos.

A agência de classificação de risco Fitch Ratings revisou de estável para positiva a perspectiva dos ratings corporativos da Gerdau, ao mesmo tempo em que reafirmou sua classificação de crédito de longo prazo em ‘BBB’, na escala global e ‘AAA (bra)’, em âmbito nacional. De acordo com o relatório da agência, a revisão da perspectiva para positiva reflete o potencial de melhora, no curto e médio prazo, do perfil de negócios e da rentabilidade da Gerdau, impulsionados principalmente pelo fortalecimento da presença na América do Norte, pela recuperação gradual de suas operações no Brasil e pela manutenção de uma estrutura financeira conservadora.

Na avaliação da Fitch, esses fatores podem melhorar a posição competitiva da Gerdau em relação às demais empresas da categoria de rating ‘BBB’, sustentando uma evolução do perfil de crédito no curto prazo. A agência destacou que a Gerdau combina forte diversificação geográfica, geração resiliente de fluxo de caixa livre (FCF), elevada liquidez e uma estrutura de capital considerada conservadora. Outro diferencial apontado é a flexibilidade operacional proporcionada pela produção de aço por meio de fornos elétricos a arco (EAF), que permite maior adaptação às mudanças nas condições de mercado.

Um dos principais pilares da avaliação positiva da Fitch é o desempenho das operações da Gerdau na América do Norte, que responderam por aproximadamente 62% do EBITDA da companhia em 2025. Para a Fitch, a demanda por aços longos continua aquecida em segmentos como infraestrutura, data centers e energia solar. Embora os mercados automotivo e de óleo e gás apresentem sinais de desaceleração, os investimentos em obras de transporte e pontes seguem impulsionando o consumo de aço.

Além disso, as tarifas de importação da Seção 232 dos Estados Unidos, elevadas recentemente de 25% para 50%, devem continuar favorecendo os preços no mercado americano. A Fitch estima que o EBITDA por tonelada das operações norte-americanas fique em torno de US$ 290 em 2026, acima dos níveis registrados em 2025 e em linha com um ambiente operacional considerado favorável.

No Brasil, a agência vê sinais de recuperação para a Gerdau, com base na redução da pressão das importações e pelo avanço das medidas de defesa comercial. Nos cinco primeiros meses de 2026, as importações de aços longos caíram 16% na comparação anual, reduzindo a participação dos produtos importados no mercado brasileiro. Segundo a Fitch, medidas antidumping já implementadas e investigações ainda em andamento sobre outros produtos siderúrgicos tendem a oferecer suporte adicional aos preços domésticos. Ao mesmo tempo, a Gerdau segue investindo em modernização industrial, inteligência artificial e iniciativas de redução de custos para ampliar sua eficiência operacional.

Outro fator considerado positivo pela Fitch é o fim do ciclo mais intenso de investimentos da Gerdau. A agência projeta investimentos de R$ 4,7 bilhões em 2026, abaixo dos R$ 6,1 bilhões realizados em 2025. Com a redução do volume de aportes e a melhora operacional, a expectativa é de fortalecimento da geração de caixa. A Fitch estima que o EBITDA da companhia alcance R$ 11,8 bilhões em 2026 e R$ 12,3 bilhões em 2027, com margem próxima de 17%. A agência também projeta fluxo de caixa livre positivo de cerca de R$ 2,4 bilhões em 2026 e destaca que a empresa tem mantido geração positiva de caixa de forma recorrente ao longo dos últimos anos.

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