Hydro Paragominas desenvolve método inovador para rejeitos

06/11/2023
Trata-se do método TDB (Tailings Dry Backfill), que envolve a disposição, secagem natural dos rejeitos e sua posterior disposição nas cavas da mina de onde foi extraída a bauxita.

Francisco Alves

A Hydro Paragominas encontrou uma solução original para a gestão de rejeitos. A empresa, que é o segundo maior produtor de bauxita do País, com operações de mineração no município de Paragominas, estado do Pará, onde possui capacidade para produzir atualmente cerca de 11 milhões t/ano, desenvolveu um método inovador para a disposição de rejeitos que lhe permite prescindir da utilização das barragens de rejeito, que sempre representam algum risco. Trata-se do método TDB (Tailings Dry Backfill), que envolve a disposição, secagem natural dos rejeitos e sua posterior disposição nas cavas da mina de onde foi extraída a bauxita. A solução, que é pioneira na indústria de extração de bauxita no Brasil, fez com que a Hydro Paragominas fosse eleita pelo público de Brasil Mineral como Empresa do Ano do Setor Mineral na categoria Governança Ambiental.

De acordo com Anderson Martins, Diretor Industrial da Hydro Paragominas, a ideia do TDB surgiu em 2020 e logo em seguida foi desenvolvido o projeto, que obteve licenciamento da SEMA (Secretaria de Estado de Meio Ambiente) do Pará. A solução consiste basicamente na disposição do rejeito em uma área destinada a essa finalidade, onde o material possa secar naturalmente, pelo processo de evaporação, para depois ser retomado e utilizado no preenchimento das cavas que ficaram abertas durante o processo de extração da bauxita.

Para a disposição dos rejeitos, existe um sistema, denominado Platô, composto por quatro reservatórios onde os rejeitos são dispostos alternadamente, permitindo que ocorra a secagem e compactação das camadas depositadas, o que aumenta a estabilidade das estruturas. Construído sobre uma antiga área de lavra de bauxita, o Sistema do Platô, denominado RP1, tem capacidade de armazenamento de aproximadamente 11 milhões de metros cúbicos de rejeitos. O sistema é subdividido em quatro reservatórios de rejeitos e oito reservatórios de água (bacias de tratamento), visando reutilização do recurso no processo produtivo.

Um ponto ressaltado por Martins é que o material dos rejeitos tem característica somente física, já que o processo de beneficiamento da bauxita é apenas físico, não sendo utilizado qualquer produto químico. “Portanto, pode-se fazer a disposição em uma área adequada, sem nenhum risco de contaminação, por não ser um produto químico. O material fica secando ao longo de todo o ano e aquilo que é seco em um ciclo (60 dias) é carregado em caminhões basculantes e transportado até a área da mina, para deposição nas cavas. Além dos caminhões, também são usados na operação tratores e escavadeiras.

No processo de lavra, a Hydro Paragominas utiliza a seguinte sequência: primeiramente é retirada a camada vegetal, que é estocada para posterior reutilização. Em seguida retira-se o estéril, que não tem finalidade econômica e também permanece na área da mina e finalmente extrai-se a bauxita, que segue para a área do beneficiamento. No processamento, a bauxita é separada de outros materiais, que vão para a área de disposição de rejeitos, para secagem e posterior envio à área da mina, para preenchimento das cavas. Após a colocação dos rejeitos, deposita-se novamente o estéril (argila) e em seguida a camada de solo orgânico (o mesmo que foi retirado no processo de lavra) para se iniciar a revegetação da área. Atualmente são gerados por ano cerca de 4,5 milhões t de rejeito seco, que está sendo devolvido para a natureza. A água contida nos rejeitos é reaproveitada no processo e atualmente a empresa tem duas bacias de estocagem de água, que recebe parte da água que sai do rejeito. A distância do platô onde o rejeito é disposto até a cava onde o material vai ser colocado é de aproximadamente 5 km.

Uma das vantagens do TDB, segundo Martins, é que a empresa não mais precisa construir ou altear barragens de rejeito.

Veja a matéria completa na edição 434 de Brasil Mineral