FIEMG defende licenciamento de projeto

Entidade defende licenciamento aprovado em reunião do Copam em 29 de abril, com oito votos favoráveis contra quatro, rejeitando críticas sobre impacto ambiental na Serra do Curral em Nova Lima (MG).
A Federação das Indústrias de Minas Gerais (FIEMG), entidade que compõe o Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam), entende a mobilização da sociedade em torno do licenciamento ambiental da Taquaril Mineração na Serra do Curral, aprovado na última reunião do Copam, dia 29 de abril, mas defende o empreendimento. Em entrevista coletiva, o presidente da entidade, Flávio Roscoe, esclareceu pontos sobre o processo de licenciamento ambiental da Tamisa, no Complexo Minerário Serra do Taquaril, localizado na região da Serra do Curral, em Nova Lima (MG). O executivo traçou um paralelo com o caso da cervejaria Heineken, que pretendia se instalar na Região metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), mas, após a divulgação de dados incorretos sobre o impacto ambiental, acabou desistindo do projeto.
Roscoe afirma ser necessário desmentir algumas informações que estão sendo alardeadas erroneamente – por questões que vão além da proteção ambiental. Ele acrescentou que a FIEMG “denuncia e manifesta total repudio às difamações e exposição de dados nas redes sociais que estão sendo cometidos contra membros do Conselho que votaram a favor do empreendimento cumprindo seu papel em um processo democrático discutido durante meses”. Roscoe disse que a aprovação para o caso da mineração foi tomada com base em pareceres técnicos. “O nosso cartão postal está protegido. Lembrando que desde 1961 a área da Serra do Curral é tombada pelo patrimônio histórico e não haverá destruição”, pontuou.
Outro ponto até então polêmico dentro da questão, segundo ele, foi colocar o discurso de que a votação teria ocorrido ‘na calada da noite’. O presidente da FIEMG informou que a reunião começou às 9h da manhã, do dia 29 de abril e, como mais de 100 pessoas estavam inscritas para manifestar sua opinião, o desenrolar de todo o processo se deu já na madrugada do dia seguinte, após 19 horas de sessão. “Nenhum argumento técnico suficiente foi apresentado durante a reunião. O processo foi alvo de três ações antes da votação. E o tema foi amplamente debatido”, lembrou.
“Na votação foram oito votos de conselheiros a favor e quatro contrários ao projeto. Todas as entidades que compõem o Copam têm autonomia, conhecimento e competência técnica e legal para deliberar. O projeto foi analisado por dois anos, extrapolando o prazo legal, que é de um ano. Durante a reunião, um manifestante mencionou que o movimento não deixaria o processo ser votado e que a cada reunião que o empreendimento fosse discutido, eles inscreveriam mais pessoas para impedir a votação”, afirma o presidente da FIEMG.
Ele disse ainda que o projeto não afetará o Pico de Belo Horizonte nem o perfil da Serra do Curral, que são “estruturas protegidas e tombadas pelo IPHAN”. Com relação aos recursos hídricos, segundo ele, a interferência será mínima, sem rebaixamento do lenço freático e sem afetar a vazão das três nascentes localizados na área do empreendimento. Outro ponto defendido é que o projeto não terá barragens de rejeitos. Por fim, afirmou que “o somatório das compensações ultrapassa em 4 vezes a áreas de supressão do empreendimento”.
O empreendimento, que já era contestado pelo Ministério Público de Minas Gerais, que ajuizou ação apontando irregularidades, passou agora a ser objeto de uma ação movida pela prefeitura de Belo Horizonte, pedindo que o licenciamento seja suspenso, argumentando que deveria ter sido consultada, já que a capital mineira deverá sofrer vários impactos, como queda na qualidade do ar devido à poeira, aumento da poluição sonora – afetando inclusive usuários do Hospital da Baleia, situado a menos de dois quilômetros da área onde haverá atividade de mineração. Ainda segundo a prefeitura, uma das cavas estaria a cerca de 500 metros do Parque das Mangabeiras, tradicional área de preservação da região metropolitana de Belo Horizonte.
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