EUA reabre portas para carregamento de 15 mil toneladas da Venezuela

Carregamento, enviado pela estatal venezuelana com intermediação da Heeney Capital e Mercuria Energy Group, marca retomada de uma rota histórica de abastecimento após quase dez anos de interrupção.
Um carregamento de 15 mil toneladas de alumínio primário da Venezuela chegou ao Porto de Avondale, em Nova Orleans, e marcou o primeiro carregamento de alumínio venezuelano para os Estados Unidos em quase uma década. Produzido pela estatal venezuelana CVG Venalum, o envio da carga de alumínio faz parte de uma inciativa comercial mais ampla que envolve a empresa de investimentos americana Heeney Capital e o Mercuria Energy Group. A Heeney espera novos carregamentos de alumínio venezuelano nos próximos meses.
O carregamento do produto venezuelano para o mercado americano representa a reabertura de uma rota de abastecimento histórica. A Venalum tem uma capacidade nominal de 430 mil toneladas anuais, mas atualmente opera com apenas uma fração desse nível, devido há anos de investimentos escassos, falta de energia e infraestrutura deteriorada. Os Estados Unidos continuam estruturalmente dependentes da importação de alumínio. O Canadá representou 43% do valor das importações de alumínio dos americanos em 2025, enquanto os Emirados Árabes Unidos representaram 9%, a UE 9%, a Coreia do Sul 6% e o Bahrein 4%, de acordo com dados do Serviço de Pesquisa do Congresso.
Historicamente, o Canadá tem dominado o fornecimento de alumínio primário para os EUA, mas os produtores do Golfo têm crescido. Os Emirados Árabes Unidos e o Bahrein, juntos, representaram 23% das importações americanas de alumínio bruto em 2025, em comparação com 16% em 2024.
Nesse contexto, o fornecimento venezuelano poderia representar outra fonte potencial de alumínio primário para os consumidores dos EUA. No entanto, a carga de 15 mil toneladas é pequena em relação ao consumo americano, e a capacidade da Venezuela de se tornar um fornecedor sustentável dependerá da capacidade da Venalum de aumentar sua produção, atualmente em níveis operacionais baixos. O carregamento, portanto, tem maior importância como um teste para verificar se as exportações venezuelanas de alumínio para os EUA podem se tornar um fluxo comercial regular. Heeney afirmou que novos carregamentos são esperados nos próximos meses, enquanto Mercuria e Heeney, separadamente, estariam em negociações com as autoridades venezuelanas sobre o futuro das operações da Venalum. Para o mercado americano, qualquer aumento sustentado na produção venezuelana ofereceria uma fonte adicional de alumínio primário no Atlântico, num momento em que Washington continua a considerar o fornecimento interno de alumínio insuficiente e procura incentivar a nova produção nos EUA.







