BASALTO

AGU condena mineradora por extração ilegal no RS

AGU condena mineradora por extração ilegal no RS

Tribunal Regional Federal mantém condenação da mineradora a pagar R$ 9 milhões por extração de 36.877 toneladas sem autorização federal em Santa Maria.

A Advocacia-Geral da União (AGU) confirmou no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) a condenação de uma empresa do setor de infraestrutura e mineração a indenizar a União por extração irregular de basalto. O valor da indenização está estimado em R$ 9 milhões (valores de 2017). Na fase de análise da ação civil pública ajuizada pela AGU, ficou comprovado que a mineradora extraiu, sem autorização federal, 36.877 toneladas de basalto na localidade de Boca do Monte, em Santa Maria (RS). De acordo com a Constituição Federal de 1988, os recursos minerais do subsolo pertencem exclusivamente à União, sendo que a sua exploração sem autorização caracteriza usurpação do patrimônio público federal.

A empresa Cotrel Terraplenagem e Pavimentações Ltda. recorreu ao TRF4 alegando prescrição e afirmando que já havia respondido na esfera penal pelo mesmo fato. A mineradora também questionou o valor fixado para a indenização. A Coordenação Regional do Patrimônio e do Meio Ambiente (Corepam) da Procuradoria Regional da União da 4ª Região (PRU4), unidade da AGU responsável pelo caso, argumentou que a compensação financeira pela extração irregular de minérios da União tem caráter de reparação de danos, e não de punição. “A celebração de acordos na esfera penal não impede o andamento de ação civil destinada ao ressarcimento do erário, devido à autonomia entre as esferas de responsabilização”, afirmou o advogado da União Eder Mauricio Pezzi Lopez. “O ressarcimento não representa punição, mas a reparação do dano causado por um ato que pode ter sido objeto de sanção penal”, completou.

A PRU4 sustentou que o pedido de ressarcimento ao Erário decorrente de ilícito penal é imprescritível. Segundo essa interpretação, a exploração ilegal de recursos minerais está diretamente ligada ao dano ambiental, pois implica degradação da área e prejuízo ao patrimônio público federal. Além do valor do basalto extraído, a União destacou a gravidade do impacto ambiental, considerado irreversível devido à remoção completa dos ecossistemas — incluindo fauna, flora e solo —, o que reforça a necessidade não apenas de compensação financeira por meio de indenização, mas também a importância da reparação do meio ambiente.

A PRU4 também defendeu que o cálculo da indenização deve considerar o valor de mercado do minério (faturamento bruto), sem desconto de custos operacionais, como mão de obra, máquinas e tributos. Segundo a AGU, permitir esses abatimentos resultaria em benefício indevido para a empresa, que exerceu a atividade de forma ilegal.

Por unanimidade, o TRF4 rejeitou o recurso da mineradora e manteve a sentença de primeira instância, acolhendo os argumentos da AGU.

VEJA TAMBÉM

AGU defende poder do Governo Federal para definir política mineral
LEGISLAÇÃO

AGU defende poder do Governo Federal para definir política mineral

12 jun. 2026
SGB apresenta o PLANGEO Geofísica, que recebe contribuições até outubro
GEOLOGIA

SGB apresenta o PLANGEO Geofísica, que recebe contribuições até outubro

29 set. 2026
Lavras Gold reformula Caneleira como alvo único
OURO

Lavras Gold reformula Caneleira como alvo único

14 set. 2026

Artigos Relacionados

SGB apresenta o PLANGEO Geofísica, que recebe contribuições até outubro
GEOLOGIA29/09/2026

SGB apresenta o PLANGEO Geofísica, que recebe contribuições até outubro

Lavras Gold reformula Caneleira como alvo único
OURO14/09/2026

Lavras Gold reformula Caneleira como alvo único

Startup brasileira quer transformar pedreiras em protagonistas do clima

Startup brasileira quer transformar pedreiras em protagonistas do clima

AGU defende poder do Governo Federal para definir política mineral
LEGISLAÇÃO12/06/2026

AGU defende poder do Governo Federal para definir política mineral

Multa de R$ 24 milhões por extração ilegal no Paraná
AREIA11/05/2026

Multa de R$ 24 milhões por extração ilegal no Paraná

Comissão realiza consulta pública sobre riscos e ações em Minas Gerais
BARRAGENS20/04/2026

Comissão realiza consulta pública sobre riscos e ações em Minas Gerais

Williame Cocentino é o novo diretor técnico da CBPM
BAHIA15/04/2026

Williame Cocentino é o novo diretor técnico da CBPM

SGB divulga estudos sobre Escudo Sul-Rio-Grandense e da Província Carajás

SGB divulga estudos sobre Escudo Sul-Rio-Grandense e da Província Carajás