Sigma Lithium usa o conceito de "Capex social" para mudar a face do Vale do Jequitinhonha

Empresa adota modelo de "Capex social" para elevar o IDH da região e cria programa de microcrédito de R$ 20 milhões para 10 mil mulheres, gerando potencial de 16 mil novos empregos.
Francisco Alves
Por ter seu projeto localizado em uma das regiões de mais baixo IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) no estado de Minas Gerais e no País, a Sigma Lithium buscou privilegiar as relações comunitárias desde o início de seu empreendimento para produção de lítio no Vale do Jequitinhonha, empreendendo uma série de ações inovadoras antes mesmo do início da implantação do seu empreendimento, o que levou ao seu reconhecimento como Empresa do Ano do Setor Mineral na categoria Governança Ambiental.
De acordo com a CEO da Sigma Lithium, Ana Cabral, por conta do baixo nível de desenvolvimento da região a empresa teve que aportar um grau de sustentabilidade social bem antes de operar, para que, à medida que o projeto evoluísse e a empresa prosperasse, fossem criadas as bases para que a comunidade pudesse prosperar junto. Assim, desde o início de 2019 – e em 2020 de forma mais intensa – a empresa adotou o conceito de “Capex social”, que era usar a parte que se chama de Capex para as despesas sociais. Porque o objetivo era, no mínimo, elevar o IDH da região para os mesmos níveis do Brasil. “Ficou muito claro para nós que se houvesse essa disparidade entre a empresa, seus funcionários e a região, não iríamos ter a licença social para operar”.
Por conta, principalmente, do projeto da Sigma, a região cresceu 20% este ano, quando a empresa começou a produzir. Ana Cabral lembra que, em 2003, o presidente Lula foi a Itinga, município onde está situado o projeto, para lançar o Fome Zero, porque era então o município mais pobre do Brasil. “Vinte anos depois, Itinga volta ao noticiário, desta vez de uma maneira diferente, em função da frente governamental que foi feita na Nasdaq, para lançar o Vale do Lítio e com o embarque do lítio triplo zero produzido pela Sigma, com uma parceria muito grande entre os governos federal e estadual”.
Ainda na fase de implantação, a Sigma criou alguns programas sociais importantes. Um deles é o Microcrédito, que deverá abranger 10 mil mulheres, em que a empresa oferece um crédito de R$ 2 mil reais para cada uma delas, totalizando R$ 20 milhões, para que essas mulheres possam empreender.
A CEO acredita que se as taxas de adimplência se mantiverem na faixa de 80%, haverá oito mil desses microempreendimentos sendo bem sucedidos. Como a previsão é que cada um dos empreendimentos empregue uma pessoa, serão criados 16 mil novos empregos. “O poder do microcrédito é muito forte para alavancar uma região onde as pessoas não têm a capacitação e permite a monetização da capacitação cultural”’, diz ela. A CEO enfatiza muito este programa, porque visa incluir economicamente as mulheres oferecendo microcrédito e monetizando as habilidades culturais que elas têm. “Essas mulheres não estão aprendendo nada de novo, mas simplesmente ganhando dinheiro com o que sabem fazer, isto é, o que elas aprenderam quando meninas no Jequitinhonha, que é um lugar extremamente rico. A riqueza cultural do Jequitinhonha está sendo monetizada por quem tem toda essa riqueza cultural, que são as mulheres. E o que é essa riqueza? A costura, o artesanato, a culinária e agora os serviços de beleza. A mulher do Vale é muito vaidosa, então tem todo um potencial de serviços de beleza que elas estão explorando comercialmente”.
O sonho da empresária é “que as 10 mil mulheres que estamos apoiando daqui a cinco anos tenham 100 empresas viáveis, empregando mais gente. É 1%, um número totalmente factível. Se conseguirmos isso, teremos cumprido nossa missão, porque contribuímos para criar uma atividade perene. É capital de risco social investido em empreendimentos de cunho social. Queremos mostrar para as pessoas que isso é possível. Tanto que grandes bancos de fomento nacionais já estão todos interessados no programa”, diz ela.
Outro programa social importante é o “Zero Seca”, que utiliza técnicas de pequena agricultura, através do que se chama no local de “Barraginha”, que na realidade são estruturas de irrigação para agricultura familiar. Essas “barraginhas” capturam a água que cai na estação chuvosa e armazenam para serem usadas durante o ano inteiro. E isso permite manter o agricultor em sua terra todo o ano, ao invés de fazer a diáspora do Vale do Jequitinhonha, deixando a sua terra para ir cortar cana em outro lugar, provocando o rompimento do tecido social, porque os homens vão e as mulheres ficam. “Com o agricultor permanecendo na terra, ameniza--se o problema que havia antes, das `viúvas do Vale’, que são viúvas de maridos vivos”.
O programa foi destacado durante a participação da Sigma na COP-27, no Egito, e consiste na construção de 1.000 pequenas estruturas de captação de água de chuva no município de Itinga e outras 1.000 no município de Araçuaí, totalizando 2.000 estruturas na região do médio Vale do Jequitinhonha. O investimento total da Companhia está estimado em aproximadamente R$ 4 milhões (R$ 2 mil por estrutura).
E por último há o programa Água para Todos, que é de segurança hídrica, porque, segundo ela, a empresa não pode ter uma comunidade do seu lado sem água. Este programa consiste na doação e manutenção de 3 mil caixas d'água para moradores rurais das regiões de Itinga e Araçuaí sem acesso a água encanada.
Além disso, a Sigma gerou 1 mil empregos diretos e 13 mil indiretos, sendo que 85% são pessoas oriundas do Jequitinhonha. Para favorecer o programa de priorização de pessoal da região para trabalhar no empreendimento, a empresa desenvolveu uma estratégia denominada “Volta ao Lar”, que visava atrair pessoas que eram da região e haviam migrado para outros locais. O programa inclui a capacitação das pessoas em diversas profissões.
A empresa também desenhou um programa de royalties (CFEM) voluntários, em que ela decidiu pagar o royalty na ponta, ou seja, com base no preço do produto final, o que faz com que o royalty seja uma espécie de IPI, nas palavras da CEO da Sigma. Nessa lógica, segundo ela, em 13 anos a empresa deve pagar, a título de royalty, um total de R$ 2 bilhões, dos quais a maior parte vai para o município, representando uma grande injeção no combalido orçamento municipal.
A Sigma também teve uma atuação social muito importante no Vale do Jequitinhonha durante a Covid-19, fornecendo 7 mil cestas básicas mensais durante o período da pandemia e prolongando o fornecimento até o final de 2022.
A empresa também doou 24 toneladas de desinfetante e 24 toneladas de álcool-gel para as mãos, para hospitais e clínicas locais durante o período de a pandemia.
Veja a matéria completa na edição 434 de Brasil Mineral
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