PUBLICIDADE
TERRAS RARAS

Serra Verde anuncia fusão com a USA Rare Earth e fecha contrato de 15 anos para fornecimento aos EUA

Serra Verde anuncia fusão com a USA Rare Earth e fecha contrato de 15 anos para fornecimento aos EUA

Fusão com a USA Rare Earth inclui contrato de 15 anos com agências dos EUA que garante preços mínimos para disprósio e térbio, destrancando investimentos futuros na operação.

A Serra Verde Pesquisa e Mineração, única produtora em escala comercial de terras raras pesadas fora da Ásia, anunciou nesta segunda-feira, 20 de abril, dois movimentos que reposicionam o Brasil no mapa global dos minerais críticos: um acordo de combinação de negócios com a norte-americana USA Rare Earth (Nasdaq: USAR) e um contrato de fornecimento de 15 anos com uma Sociedade de Propósito Específico (SPE) capitalizada por agências do governo dos Estados Unidos e investidores privados, que absorverá 100% da produção da Fase I da mina Pela Ema, em Minaçu (GO).

A fusão resultará em uma companhia multinacional com oito operações distribuídas entre Brasil, Estados Unidos, França e Reino Unido, cobrindo toda a cadeia de valor das terras raras — mineração, processamento, separação, metalização e fabricação de ímãs permanentes. As operações de lavra e beneficiamento da Serra Verde em Goiás serão a base upstream da nova empresa, complementadas pelos ativos downstream da USAR, que incluem a Less Common Metals (LCM), no Reino Unido, um dos maiores produtores mundiais de metais e ligas de terras raras, a planta de ímãs em Stillwater (Oklahoma) e o depósito Round Top, no Texas.

A gestão das operações no Brasil será mantida. Ricardo Grossi, presidente da Serra Verde Pesquisa e Mineração, seguirá à frente da unidade brasileira e acumulará a função de COO do grupo combinado. Sir Mick Davis e Thras Moraitis, respectivamente presidente do conselho e CEO do Grupo Serra Verde, integrarão o conselho da nova companhia, com Moraitis assumindo a presidência do board.

Contrato de 15 anos com preços mínimos

O acordo de fornecimento de longo prazo é o segundo pilar do anúncio — e talvez o mais relevante do ponto de vista de viabilidade econômica do setor. A SPE contratante, capitalizada por agências do governo dos EUA em conjunto com fontes privadas, comprará a totalidade da produção da Fase I da operação goiana com preços mínimos garantidos para disprósio (Dy) e térbio (Tb), as duas terras raras pesadas mais críticas para a fabricação de ímãs permanentes de alto desempenho.

O mecanismo de preços mínimos ataca um problema estrutural do mercado: a formação de preços historicamente deprimida e pouco transparente — influenciada pela concentração da oferta na China — tem sido apontada como o principal obstáculo ao desenvolvimento de novas fontes upstream de terras raras pesadas fora do eixo asiático. Pelo modelo acordado, Serra Verde e SPE compartilharão os ganhos quando os preços de mercado superarem o piso contratado.

Segundo a companhia, o contrato assegura fluxos de caixa previsíveis para viabilizar a otimização e a expansão da mina de Pela Ema, sustentar emprego e arrecadação em Minaçu e destravar investimentos futuros na operação.

A operação de Pela Ema

A mina e planta de processamento da Serra Verde, localizadas em Minaçu (GO), iniciaram produção comercial no início de 2024 e encontram-se em fase de ramp-up e otimização. A operação explora um depósito de argila iônica - geologia que dispensa britagem, moagem fina e lixiviação agressiva, com material macio e próximo à superfície - e produz um Carbonato Misto de Terras Raras (MREC) com teores elevados de disprósio e térbio, além de neodímio e praseodímio. O ativo não gera rejeitos úmidos, utiliza eletricidade renovável e biocombustíveis, e emprega mais de 350 pessoas diretamente, sendo 66% da comunidade local e mais de 30% mulheres.

A meta operacional da Fase I é atingir 6.400 toneladas anuais de óxidos de terras raras equivalentes (TREO) até o fim de 2027. Uma Fase II, atualmente em estudo, poderá dobrar essa capacidade até 2030.

Financiamento da DFC de US$ 565 milhões

Complementa o pacote anunciado um financiamento de US$ 565 milhões já contratado com a Corporação Internacional de Desenvolvimento dos Estados Unidos (DFC), que substituiu linhas de crédito anteriores em condições mais favoráveis. O recurso cobre integralmente a otimização das operações brasileiras, a expansão de capacidade e o aprimoramento do produto para atender novos mercados — notadamente os segmentos de defesa, semicondutores, data centers, veículos elétricos, turbinas eólicas e aeroespacial.

O conjunto — fusão, contrato de offtake de 15 anos com preços mínimos e financiamento da DFC — configura um arranjo de desrisking incomum para projetos de terras raras e estabelece Minaçu como um dos principais nós da estratégia ocidental de diversificação da cadeia de suprimentos desses minerais.

Para Ricardo Grossi, presidente da Serra Verde Pesquisa e Mineração, os anúncios confirmam a capacidade do Brasil de ocupar uma posição de liderança na reorganização global das cadeias de terras raras. "A Serra Verde é pioneira em uma nova indústria no Brasil, e agora temos a certeza de poder continuar investindo e desenvolvendo nossa operação ao longo do ciclo, garantindo empregos, pagamentos futuros de impostos e desenvolvimento econômico para Minaçu, Goiás e o Brasil", afirmou o executivo, destacando que a parceria com a USAR pode servir de referência para outros projetos semelhantes no país.

Thras Moraitis, CEO do Grupo Serra Verde, ressaltou o caráter estruturante dos preços mínimos acordados. Segundo ele, a garantia de piso para disprósio e térbio "reduz o risco para o desenvolvimento futuro da operação, fornecendo fluxos de caixa seguros e previsíveis com potencial compartilhado".

A Serra Verde tem como acionistas os fundos Denham Capital, Vision Blue Resources e The Energy & Minerals Group.

VEJA TAMBÉM

Vinte e um projetos, uma mina, nenhuma refinaria
TERRAS RARAS

Vinte e um projetos, uma mina, nenhuma refinaria

25 ago. 2026
Vencedoras do Prêmio Mina são divulgadas na Exposibram 2026
PRÊMIO

Vencedoras do Prêmio Mina são divulgadas na Exposibram 2026

27 ago. 2026
Votorantim vende controle da Nexa Resources para a sueca Boliden
NEGÓCIOS

Votorantim vende controle da Nexa Resources para a sueca Boliden

27 ago. 2026

Artigos Relacionados

Vencedoras do Prêmio Mina são divulgadas na Exposibram 2026
PRÊMIO27/08/2026

Vencedoras do Prêmio Mina são divulgadas na Exposibram 2026

Votorantim vende controle da Nexa Resources para a sueca Boliden
NEGÓCIOS27/08/2026

Votorantim vende controle da Nexa Resources para a sueca Boliden

Vinte e um projetos, uma mina, nenhuma refinaria
TERRAS RARAS25/08/2026

Vinte e um projetos, uma mina, nenhuma refinaria

Geopolítica redefine estratégias da mineração e reforça Brasil na transição energética
EXPOSIBRAM 202625/08/2026

Geopolítica redefine estratégias da mineração e reforça Brasil na transição energética

Metso fecha acordo com a Valmet no segmento de bombas
EQUIPAMENTOS24/08/2026

Metso fecha acordo com a Valmet no segmento de bombas

Deslizamento em mina de ouro mata 12 pessoas na Colômbia
ACIDENTE21/08/2026

Deslizamento em mina de ouro mata 12 pessoas na Colômbia

Metso investe em centro de serviços em Minas Gerais
FORNECEDORES19/08/2026

Metso investe em centro de serviços em Minas Gerais

Ausenco com inscrições abertas para programa de trainee
EMPREGOS18/08/2026

Ausenco com inscrições abertas para programa de trainee