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Investimentos na mineração global devem somar US$ 5,4 trilhões

Por evando•
Investimentos na mineração global devem somar US$ 5,4 trilhões

Relatório aponta que US$ 5,4 trilhões serão necessários entre 2024 e 2035, com mais de 70% destinados aos quatro principais produtos — ferro, carvão, cobre e ouro.

O Future Minerals Forum (FMF) acaba de lançar o mais recente relatório “FMF2024: “Moldando o Futuro dos Minerais” em parceria com renomados think tanks da indústria e que apresenta insights críticos para criar valor compartilhado em todo o ecossistema de mineração. “O relatório fornece conteúdo autoritativo que aborda os desafios enfrentados pelo fornecimento de minerais e busca estimular debates sobre os próximos passos durante o FMF em janeiro de 2025”, diz Ali Al-Mutairi, diretor-executivo do FMF. 

Para o representante do FMF, será necessário um investimento de capital de US$ 5,4 trilhões para sustentar e expandir as instalações globais de mineração e processamento — quase o equivalente ao PIB combinado do Japão e da Espanha – e US$ 500 bilhões a mais que na década anterior (2012-2023 vs. 2024-2035).

O relatório tem contribuições de líderes globais do setor mineral, como Mark Cutifani, presidente da Vale Base Metals, e Dra. Michelle Foss, especialista em energia do Baker Institute, além de especialistas da CRU, Wood Mackenzie, Global AI e Clareo-DPI. Todos exploram no documento temas como a contribuição dos minerais para a sociedade; proposta de valor do setor para países fornecedores; esgotamento de recursos e a necessidade de investimentos significativos para alcançar o desenvolvimento e a transição energética; importância de novas formas de parceria para destravar financiamentos; Como os benefícios da mineração podem ser compartilhados de forma equitativa com os países anfitriões e comunidades locais e como as percepções negativas sobre a mineração podem reduzir sua aceitação social e dificultar investimentos. 

Dentre os principais insights citados no relatório, mais de 90% da massa movimentada envolve carvão, minério de ferro, cobre e ouro. Mais de 70% do capital total será destinado a esses quatro produtos, com aproximadamente 75% voltados para a manutenção de ativos existentes. Apenas a cadeia de valor do aço deverá exigir cerca de US$ 1,6 trilhão em despesas de capital para manutenção. Para alguns minerais críticos, a fase de mineração é onde a maior parte do valor é gerado para os países: 70% do valor do cobalto, 68% do grafite e 54% do lítio são gerados na mineração. Regiões como Ásia-Pacífico, Índia, América Latina e África Subsaariana necessitarão de mais de 40% do investimento total, refletindo a mudança dos fluxos de capital para mercados emergentes. E a produção de materiais de cátodo, células de bateria e reciclagem de baterias pode gerar cerca de US$ 800 bilhões em receita anual até 2040.

Sobre a criação de propostas de valor compartilhado nas indústrias de mineração, Mark Cutifani comenta: “No fim das contas, parcerias para criar valor compartilhado e duradouro, além de compromissos com estruturas comerciais sustentáveis, podem atender e até superar as expectativas das partes interessadas”. Já Ionut Lazar, consultor principal da CRU, diz que a colaboração entre setores é essencial para atingir as metas globais de descarbonização — “não é algo que pode ser alcançado por uma única entidade. É um desafio global e multissetorial que exige colaboração estratégica, especialmente se quisermos avançar rapidamente e alcançar a escala desejada”. 

O relatório também destaca a importância de políticas focadas no crescimento do PIB, geração de empregos e aumento das exportações como essenciais para os países que desejam agregar valor. Patrick Barnes, chefe global de Consultoria em Metais e Mineração da Wood Mackenzie, explica: “A agregação de valor pode proporcionar uma série de benefícios conhecidos: aumento do PIB, maior receita fiscal devido a uma base tributária ampliada, crescimento das exportações com produtos de maior valor agregado e criação de empregos diretos e indiretos. Mas os países não podem avançar cegamente; seus planos precisam levar em conta as dinâmicas reais de mercado, custos e benefícios para competir por investimentos e gerar valor de fato”, enquanto para Peter Bryant, cofundador e presidente do Conselho da Development Partner Institute e Clareo, o papel do governo e da política industrial é crucial: “Até hoje, a indústria mineral não priorizou efetivamente a prosperidade compartilhada, resultando em uma quebra de confiança com governos e comunidades locais. No entanto, a indústria está em um ponto de inflexão. Empresas estão assumindo a responsabilidade de criar valor compartilhado, colaborando com novos parceiros e em níveis mais profundos. O governo desempenha um papel essencial ao fornecer incentivos ao investimento, sem ser excessivamente prescritivo”. 

Quem dá destaque ao papel do governo é também a Dra. Michelle Michot Foss, do Baker Institute: “Embora a indústria de mineração possa fazer muito para ajudar a construir benefícios locais e regionais, a responsabilidade recai sobre os governos para garantir que as receitas provenientes de impostos e royalties sejam alocadas de maneira a gerar confiança”. 

Richard Rothenberg, CEO da Global AI Corporation, acrescenta: “À medida que a demanda por minerais críticos continua a crescer, legisladores e investidores devem priorizar práticas sustentáveis, o engajamento com comunidades e uma governança transparente para garantir sucesso a longo prazo e uma percepção pública positiva”. O relatório na íntegra pode ser acessado no link 

https://www.futuremineralsforum.com/media/4dsbftbd/fmf25-content-report.pdf. 

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