GE21 e XR.LAB se unem para liderar a nova fronteira dos gêmeos digitais na mineração brasileira

21/01/2026
Fusão cria uma plataforma integrada de realidade estendida, unindo geociências, visualização imersiva e treinamentos virtuais para atender todo o ciclo de vida dos projetos minerais.

 

A digitalização da mineração brasileira acaba de ganhar um novo capítulo. O Grupo GE21 oficializou, em dezembro de 2025, a fusão entre a GE21 Realidade Virtual e a XR.LAB, em um movimento estratégico que vai muito além de uma reorganização societária. A operação marca a consolidação de um novo player nacional especializado em soluções imersivas, gêmeos digitais e integração avançada de dados geocientíficos, com foco direto nos desafios técnicos, operacionais e de segurança enfrentados pelo setor mineral.

A nova operação mantém a marca XR.LAB, agora posicionada como XR.LAB – Grupo GE21, reunindo mais de 40 anos de expertise do grupo em geociências, mineração e engenharia à capacidade da XR.LAB no desenvolvimento de aplicações em Realidade Virtual (VR), Realidade Aumentada (AR) e Realidade Estendida (XR). O resultado é um portfólio integrado que cobre desde o planejamento e a geotecnia até a operação, a segurança e a manutenção preditiva de ativos minerais.

Segundo Charles Rezende Freitas, diretor executivo da GE21 Geotecnologias, a fusão é fruto de um processo natural de convergência técnica e de confiança construída ao longo de décadas de atuação conjunta no mercado. “Esse movimento só foi possível porque já existia uma relação prévia e uma confiança mútua. Trabalhamos juntos em outras empresas e acompanhamos de perto a trajetória da XR.LAB desde a sua fundação. Quando olhamos para o mercado e para o avanço da Indústria 4.0, ficou claro que crescer juntos nos tornaria mais preparados para ocupar as oportunidades que estavam surgindo”, afirma.

A decisão de unir as operações ocorre em um momento de profunda transformação da mineração global, impulsionada pela digitalização de processos, pela necessidade de maior eficiência operacional e pela pressão crescente por segurança e conformidade ESG. Tecnologias como gêmeos digitais, simulações imersivas e visualização avançada de dados deixaram de ser experimentais para se tornarem ferramentas estratégicas.

“A Indústria 4.0 trouxe uma discussão muito clara sobre digitalização e modernização de processos. A GE21 já vinha fazendo essa leitura e entendia que precisava reposicionar sua atuação em realidade virtual, que historicamente estava muito ligada a um conceito mais restrito. Era preciso avançar para uma abordagem mais ampla, integrada e alinhada ao que o mercado passaria a demandar”, explica Charles.

Do outro lado, a XR.LAB vinha construindo uma trajetória própria, com foco mais operacional, especialmente em treinamentos de segurança, simulações e aplicações práticas em ambiente de mina. “Desde o início, a XR.LAB foi pensada para ocupar um espaço diferente, evitando uma concorrência direta com a GE21. Isso fez com que as empresas se desenvolvessem de forma complementar, o que hoje se mostra um grande diferencial”, acrescenta.

A baixa sobreposição de escopo entre as empresas foi um dos principais vetores da fusão. Enquanto a GE21 construiu sua reputação no uso de realidade virtual aplicada às geociências — geologia, engenharia de minas, estudos ambientais e planejamento —, a XR.LAB desenvolveu soluções voltadas à operação, segurança do trabalho e treinamentos imersivos.

Para Rodrigo Gomes, CEO da XR.LAB, essa complementaridade cria uma proposta de valor inédita no mercado nacional: “a GE21 vinha muito forte no planejamento e na análise técnica, enquanto a XR.LAB estava mais próxima da operação de mina. Unir essas disciplinas, com ferramentas e linguagens diferentes, nos torna muito mais relevantes, especialmente quando olhamos para o futuro dos gêmeos digitais”.

Do ponto de vista tecnológico, a fusão reúne ativos estratégicos como a parceria da GE21 com a plataforma britânica Virtalis e o software GeoVisionary, referência na integração de grandes volumes de dados geocientíficos, ao domínio da XR.LAB sobre motores gráficos como Unity e Unreal, além de produtos proprietários de treinamento virtual aderentes às normas da ABNT.

“Existiam lacunas claras. A GE21 precisava reforçar sua capacidade em engines mais avançadas de desenvolvimento, algo que a XR.LAB já dominava. Por outro lado, a XR.LAB se beneficia de plataformas robustas e consolidadas que a GE21 já operava no mercado. Essa troca fortalece ambas”, resume Charles.

Uma nova forma de planejar e decidir

A integração entre dados geológicos de alta precisão e visualização imersiva em tempo real é apontada como o grande diferencial da nova operação. Na prática, essa combinação muda a forma como projetos são analisados, riscos são avaliados e decisões são tomadas.

Segundo Rodrigo Gomes, o objetivo central é tornar a tecnologia mais acessível e escalável. “Acreditamos muito no poder da tecnologia, mas sabemos que custo e complexidade ainda são barreiras, especialmente para mineradoras de médio porte. Nosso desafio é oferecer soluções que mantenham alto valor técnico, mas que sejam viáveis para empresas que não são grandes multinacionais”, afirma.

Essa visão é compartilhada por Bernardo Vianna, CEO da GE21 Consultoria Mineral, que destaca ganhos concretos na qualidade dos projetos. “Ao trazer as ferramentas da XR.LAB para dentro dos nossos estudos, conseguimos melhorar análises de risco, integrar melhor os dados e tomar decisões mais assertivas. A realidade virtual exige dados mais organizados e integrados, o que eleva naturalmente o nível técnico dos projetos”, explica.

Um dos pontos mais relevantes da nova estratégia é a democratização do acesso às soluções imersivas. Em vez de projetos complexos e caros, a XR.LAB – Grupo GE21 aposta na chamada produtização dos serviços, com microprodutos de alto impacto e rápida implementação. “Nem tudo precisa ser um grande projeto customizado. Muitos clientes precisam de soluções simples, que gerem impacto imediato. Um exemplo é a maquete 3D com realidade aumentada, usada para apresentação de projetos a investidores. É algo relativamente barato, mas que gera enorme valor em termos de comunicação e transparência”, destaca Bernardo.

Charles reforça que a lógica de produto permite ganho de escala e redução de custos. “O que antes poderia custar dezenas de milhares de reais como projeto, pode se transformar em um microproduto acoplado a um estudo técnico. Ganha o cliente, que paga menos, e ganha a empresa, que escala”, afirma.

Segurança, ESG e treinamentos imersivos

A segurança operacional é outro eixo central da nova operação. As simulações imersivas da XR.LAB permitem treinar profissionais em cenários de alto risco que seriam impossíveis ou perigosos de reproduzir fisicamente. “Estudos mostram que a realidade virtual reduz significativamente a curva de aprendizado, aumenta a percepção de risco e eleva em até quatro vezes o nível de confiança do profissional”, afirma Charles, citando pesquisas internacionais – “além disso, conseguimos simular situações extremas, como incêndios ou emergências subterrâneas, sem qualquer risco físico”.

Bernardo Vianna acrescenta que os treinamentos vão além da capacitação tradicional: “eles passam a fazer parte do planejamento da atividade. O profissional pode revisar um procedimento minutos antes de executá-lo em campo, o que muda completamente o nível de preparo”, observa.

Planos para 2026 e visão de longo prazo

O ano de 2026 é considerado estratégico para a integração total das soluções do grupo. Entre os projetos em desenvolvimento estão a criação da GE21 Serviços, voltada à gestão técnica e operação terceirizada de projetos de mineração, e a plataforma IUB, que integrará geotecnologia, realidade virtual, inteligência artificial e gêmeos digitais.

“A grande aposta é nos preparar para o impacto da inteligência artificial na mineração. A plataforma IUB nasce com esse objetivo: integrar todas essas tecnologias e levar soluções práticas aos nossos clientes”, afirma Charles. Bernardo Vianna destaca ainda parcerias estratégicas com empresas como a Dassault Systèmes e a Tetra Tech, ampliando o alcance das soluções desenvolvidas pelo grupo.

Para os executivos, o maior desafio agora é integrar as diversas disciplinas tecnológicas em aplicações claras e objetivas para o mercado. “Temos um grande dever de casa, que é dar sentido a esse conjunto de tecnologias e transformá-las em soluções aplicáveis. Essa é a nossa missão”, conclui Charles.

Com a fusão, o Grupo GE21 e a XR.LAB se posicionam como protagonistas de um novo ciclo da mineração brasileira, em que dados, imersão e inteligência digital passam a ser tão estratégicos quanto os recursos minerais em si. (Mara Fornari