Estudo sobre fosfato na Bacia Potiguar

16/10/2021

O Serviço Geológico do Brasil (SGB-CPRM) divulgou mais um informe de recursos minerais em sua base de dados gratuita RiGEO. A empresa publicou o estudo "Avaliação do Potencial de Fosfato no Brasil: Investigação na Formação Jandaíra, Bacia Potiguar, municípios de Areia Branca e Guamaré". "Os resultados obtidos pela equipe do projeto são bastante promissores, em especial no furo de sondagem 3, onde no intervalo 139m-147m os teores alcançam 6,29% P2O5 (fósforo). Essa descoberta é muito importante, uma vez que confirma a Formação Jandaíra como unidade potencial para prospecção de fosfato na Bacia Potiguar", afirma Marcelo Esteves Almeida, chefe do Departamento de Recursos Minerais do SGB-CPRM.

As novas alternativas para suprimento de insumos agrícolas atendem ao crescimento da demanda por insumos minerais utilizados como matéria-prima para a fabricação de fertilizantes químicos, além de responder à forte dependência do mercado externo. Em 2020, a dependência de importação de fosfato no país chegou a 72%. "Os trabalhos resultantes do projeto Fosfato mostram todo esforço do Serviço Geológico do Brasil em se consolidar na pesquisa geológica das bacias sedimentares, um desafio crescente para toda a instituição", complementa o diretor de Geologia e Recursos Minerais, Márcio José Remédio.

O estudo revela como a Bacia Potiguar poderá ser no futuro uma fonte de matéria-prima para abastecer diversos polos produtores agrícolas existentes no Brasil, em especial no Nordeste, e reduzir, consequentemente, a dependência das importações. O fosfato é um dos principais insumos para a agricultura que, juntamente com o nitrogênio e o potássio, constituem o fertilizante NPK. A expectativa é que a demanda pelo NPK cresça na próxima década, em que a produção de alimentos no Brasil deve ter um incremento de 27%, de acordo com o Ministério da Agricultura. O Brasil já vê tendência de crescimento das commodities agrícolas também no curto prazo, influenciado pela retomada da economia da China e por gastos dos governos com programas de recuperação após a crise causada pela COVID-19. 

Iniciado em 2008, o projeto Fosfato Brasil do SGB-CPRM pesquisou, até agora, 40 áreas e gerou duas mil páginas de informações. Em 2009, havia 458 autorizações de pesquisa pela Agência Nacional de Mineração (ANM) no Brasil. Em uma década de pesquisa para indicação de novos alvos potenciais, o número mais que dobrou: em 2020, 983 autorizações foram concedidas, 46% em autorização de pesquisa e 76% de concessão de lavra para fosfato. O projeto está vinculado ao Programa Geologia, Mineração e Transformação Mineral, sob a coordenação do Ministério de Minas e Energia, e à Ação Avaliação dos Recursos Minerais do Brasil, da Diretoria de Geologia e Recursos Minerais (DGM) do SGB-CPRM. O estudo está disponível no https://rigeo.cprm.gov.br/handle/doc/22381.